sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

Paulistas aquém das expectativas

Futebolisticamente falando, o ano de 2014 não foi dos melhores para os clubes do estado de São Paulo.

Sempre alçados a favoritos a tudo o que disputam, devido a tradicional força do futebol paulista, Corinthians, São Paulo, Palmeiras e Santos não levarão o vigente ano nas melhores lembranças.

Justiça seja feita, os dois primeiros fizeram um campeonato brasileiro digno. Faltando duas rodadas para o fim, o Cruzeiro carimbou a faixa de campeão. Bicampeão, melhor dizendo. Algo que já era previsto desde o começo do segundo turno, quando os celestes perderam para o São Paulo no Morumbi e, na sequência, viram os tricolores desperdiçar diversas chances de reduzir a vantagem para o então favorito ao título. Uma vantagem que, no melhor dos cenários para os futuros vice-campeões, foi de quatro pontos. Sendo assim, pela disparidade técnica entre esses dois times, o segundo lugar foi uma boa colocação para Muricy Ramalho e companhia. Parece estranho dizer isso, mas o clube foi diretamente para a fase de grupos da Libertadores do seguinte ano. Ou seja, é um interessante prêmio de consolação.

O Corinthians tinha como obrigação fazer um bom campeonato. Principalmente pela receita do clube, uma das maiores não apenas do país mas também do continente. A disputa pelo título era considerável. Porém, o time oscilou demais durante a campanha e, por pouco, nem chegou entre os quatro primeiros. Assim como o São Paulo, os comandados de Mano Menezes, que deixa o clube em 2015, formavam um bom time, mas sofreram com as peças de reposição que deixaram a desejar no quesito técnico – um ponto que diferencia o Cruzeiro dos demais é justamente esse, a qualidade da suplência, algo que passa também pela formulação do elenco, diretamente fazendo parte do planejamento da diretoria. Enfim, o Timão terá de disputar a temida pré-Libertadores, já que a quarta vaga no nacional não classifica o time diretamente à fase de grupos. E, se passar, teremos os dois grandes rivais da capital paulista na mesma chave do torneio continental mais legal do mundo.

Entretanto, como estamos falando do ano inteiro e não apenas do atual momento do Brasileirão, temos que lembrar das pífias eliminações de ambos os clubes no Campeonato Paulista e na Copa do Brasil. Possuem dois dos melhores treinadores do país e jogadores de excelente nível técnico. Portanto, esperava-se muito mais futebol e, principalmente, títulos.

Cumprindo tabela em boa parte no Brasileirão, já que não aspirou a nada nem se preocupou com rebaixamento, o Santos também tem um ano para ser esquecido. O curioso é que apresentou o melhor futebol do país, em determinado momento no início do ano, ainda sob o comando do técnico Oswaldo de Oliveira. Porém, a derrota para o Ituano na decisão do torneio estadual descredenciou o trabalho do experiente treinador, que chegou a dirigir o time em boa parte do Brasileirão e também na Copa do Brasil. O presidente trocou Oswaldo por Enderson Moreira, ex-Grêmio, e o Peixe chegou a reagir, jogar um pouco melhor. Mas não foi muito longe. No mata-mata, foi eliminado pelo Cruzeiro nas semi-finais.


Mas a situação mais crítica entre os quatro grandes times paulistas é o Palmeiras quem viveu. Justamente no ano de seu centenário. Chegou à última rodada do Brasileirão seriamente ameaçado pelo rebaixamento, ainda que dependendo a apenas de si para continuar na elite do futebol. Vindo de cinco derrotas consecutivas, o Palmeiras precisava vencer o Atlético Paranaense, no belíssimo Allianz Park, para escapar. Empatou. Por sorte, seus concorrentes diretos na luta contra a descência, Vitória e Bahia, perderam seus jogos e foram rebaixados. Uma pena para o Nordeste, que contará apenas com o Sport Clube do Recife como representante na série A, ano que vem. Não para os palestrinos, que livraram-se, por pouco, da angústia de ver o time na série B mais uma vez. 

Que 2015 seja um ano melhor para todos!

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Mais legal que o título


A melhor cena do Mundial de Fórmula 1 de 2014, que resultou no bicampeonato do britânico Lewis Hamilton, foi o sincero cumprimento de seu companheiro de equipe e ex-amigo de infância, o alemão Nico Rosberg. Ex-amigos devido aos atritos que houveram com os momentos de rivalidade nas pistas esse ano. Rivalidade que poderia ter ficado apenas no asfalto. Parece que não ficou. Ontem, com a bela e notável atitude de bom perdedor do germânico, talvez a velha amizade possa ser reatada. Tomara que seja. Afinal, amigos de infância são pra toda vida.

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Cinco rodadas para o fim

A décima segunda edição do campeonato brasileiro de pontos corridos chega à parte final.

Antes do jogo São Paulo 1 x 1 Internacional, que aconteceu no Morumbi, na última quarta-feira – partida antecipada em uma semana devido a participação tricolor na Copa Sul-Americana -, o líder Cruzeiro tinha cinco pontos de vantagem para seu principal perseguidor, o São Paulo, que teve a chance de reduzir a distância para dois pontos, ao menos até a rodada deste fim de semana.

A diferença caiu apenas um ponto, e agora os comandados de Muricy tem um jogo a menos que a Raposa. Ou seja, os mineiros podem carimbar a faixa de campeão com até três rodadas de antecedência.

Com mais um tropeço em casa, fica claro que a campanha são-paulina neste campeonato vem deixando a desejar quando o time é o mandante. No primeiro turno a equipe sofreu três empates em casa, contra Coritiba, Corinthians e Criciúma e foi derrotado pela Chapecoense. Já no segundo turno o time perdeu para Fluminense e empatou com Flamengo, além do Inter. Nada menos do que 16 pontos desperdiçados em seu estádio. Levanto esses dados apenas para deixar claro que, se metade desse pontos não fossem jogados fora, o São Paulo teria hoje quatro de vantagem sobre o Cruzeiro, exatamente a mesma diferença que o líder e mais que favorito candidato a taça tem sobre seu fiel perseguidor. E agora com um jogo a mais a ser disputado.

Não que o torcedor tricolor esteja esperançoso com o caneco nacional. O time não aproveitou as brechas que o Cruzeiro abriu nesse segundo turno. Assim como Inter, Grêmio, Atlético Mineiro, Corinthians e Fluminense, equipes recheadas de bons jogadores, creditadas, antes do campeonato começar, a candidatas ao título.

O que deve ser prioridade a partir do último tropeço contra o Inter é a Copa Sul-Americana. Na próxima quarta-feira, o São Paulo enfrenta o Atlético Nacional, em Medellín. A longa viagem e o ambiente hostil devem pesar contra tanto quanto o bom time colombiano. E com o Brasileirão perto do fim e o título cada vez mais longe, Rogério Ceni e companhia jogarão todas as suas fichas no torneio continental.


Em tempo: com a incrível decisão mineira na Copa do Brasil – o Galo venceu a Raposa por 2 a 0 no primeiro jogo da decisão -, quem realmente se importou com o amistoso Brasil x Turquia? Se a CBF continuar com o absurdo de manter os jogos de seus campeonatos quando houver Data Fifa, vai acabar de vez com o pouco prestígio (outrora tão intenso) do torcedor com a Seleção mais vitoriosa da história.

sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Fisioterapia

Sou o segundo da esquerda pra direita, agachado. Inacreditavelmente, comecei o jogo na reserva naquele dia.

Meu pai sempre disse que eu jogava muito quando criança, que tinha habilidade com a bola nos pés. Recebia os elogios imaginando-me uma espécie de mini-craque, deitando e rolando pra cima das pequenas defesas adversárias. De fato, jogava bem. Era uma ligeira promessa, sempre entre os primeiros a serem escolhidos quando separavam-se os times. Fui eleito, inclusive, o melhor jogador do não menos importante torneio de futebol entre todas as quintas séries de minha escola – colégio estadual tem até dez salas do mesmo ano, isso só no período da tarde, o que comprova minha tese de que não era um campeonato para se desprezar. Torneio do qual tenho guardada até hoje a medalha de ‘melhor jogador 1997′, um tanto embolorada e com seus escritos quase apagados pelo tempo.
Tempo que, ao passar, mudou meu jeito de jogar. Quando garoto, era como um típico ponta-de-lança, gostava de receber e partir para o gol, costurando os marcadores. Porém, a adolescência me fez um tanto preguiçoso e fui perdendo a impetuosidade de menino. Acabei me tornando um meia comum, sem o diferencial de antes. É fato que ganhei alguns predicados, como a visão apurada dos meia-armadores, hoje tão escassos.
Passaram-se bons anos e, de meia, recuei pra segundo-volante, aqueles mais de saída, bom passe, mas sem a pegada de marcador. Alguns quilos mais velho já vivia de poucos lampejos e outros brilharecos, mantendo-me jogando razoavelmente bem devido mais à técnica do que à velocidade e correria de antes.
Na verdade, eu não queria manter esse nível, mas o nível do passado. Preferia jogar mais adiantado, próximo ao gol adversário, recebendo passes pra resolver, marcar o gol. (No futebol e em outras áreas nem sempre podemos escolher essas coisas; quando aceitamos o lugar correspondente fica mais fácil dar certo.)
Nos últimos meses em que joguei, começava recebendo e tocando de lado, deixando a coisa se ajeitar. Nunca acelerando no início. Segurando os passos e evitando chutes fortes antes de já adaptado ao jogo. (As pequenas lesões, principalmente as musculares, te fazem conhecer melhor seu próprio corpo, saber seus limites).
Foi quando minha validade atlética expirou. Explico. Em 2012 tive vários problemas musculares, embora nada grave. Todavia, qualquer contratura lhe tira de um jogo. E pra quem jogo é ritual, amigo, não é fácil ficar de fora. Mesmo que não valha nada. (Jogar futebol é uma das melhores invenções do homem. É um momento que desliga você do mundo e de tudo que lhe acontece, uma válvula de escape e tanto.)
No fim daquele ano tirei uma semana de férias, daquelas revigorantes. Voltei sentindo-me abençoado. Praia tem isso, você sempre volta melhor do que quando vai. Enfim, em 2013 joguei todas as partidas possíveis, nenhuma lesão sequer. Estava abençoado pelos mares do sul. Mas no fim do ano não repeti a comprovada e eficaz recuperação.
No início de 2014 comecei a sentir dores no joelho esquerdo. No começo, elas só apareciam após as partidas, mas dois meses depois o coitado parecia um melão. Tive que procurar um médico. O diagnóstico foi imediato: tendinite patelar. Gelo, muito gelo, anti-inflamatórios e fisioterapia. A expectativa era de voltar a jogar em até dois meses. Um tanto otimista, eu diria. Hoje faz sete meses que estou longe dos gramados. A notícia boa é que não sinto mais dores, a não tão boa é que ainda tenho, no mínimo, mais vinte sessões de exercícios a cumprir.
A princípio, fiquei um tanto revoltado, nunca havia sofrido uma lesão que me afastasse tanto tempo assim. Depois, com o tempo, me acostumei a ela. Faz parte de minha rotina fazer os exercícios sagrados de cada dia. E foi participando das sessões de fisioterapia que eu passei a enxergar coisas que não percebia.
Logo na primeira sessão, há três meses, expliquei à minha fisioterapeuta os meus dilemas joelheiros, detalhei os dias em que procurei os médicos, os exames solicitados, as primeiras sessões de recuperação e minha primeira e única tentativa frustrada de voltar a correr. Disse a ela que seria o cara mais feliz do mundo se voltasse a jogar ainda este ano. Senti um olhar de pena antes de ouvir ‘oh, que judiação!’, com um certo desdém de quem está acostumada a lidar com problemas muito mais sérios.
Problemas, esses, que pude presenciar durante as minhas sessões. No primeiro dia mesmo avistei um paciente no corredor chegando de muletas. Apenas uma perna, a outra se foi em um acidente. Na segunda semana vi um garotinho de pouco mais de 10 anos reclamando do elevador que estava demorando muito e ele só poderia descer por ali, já que depende de uma cadeira de rodas para se locomover. Vi, também, crianças pequenas submetidas à sessões diárias para correções ortopédicas, algumas com patologias complicadíssimas. Senhoras com problemas nas costas, nos braços, nos pés… senhores de oitenta anos ou mais frequentando aquele lugar rotineiramente na esperança de parar de sentir dores. E eu preocupado em voltar a jogar bola.
Uma certa insignificância toma conta de mim enquanto escrevo essas linhas. Lembro com tristeza de cada vez em que me queixei do meu joelho para quem quer que fosse. Das vezes em que fiz um papel ridículo de coitadinho. Como, inevitavelmente, ainda faço quando penso que os meus amigos estão jogando, e eu não.
Hoje sei (ou acho que sei) os motivos por estar afastado tanto tempo assim. Suspeito que a lesão tenha a ver com outras questões pessoais que tenho de resolver e que, talvez, esteja resolvendo.
Sinto falta, além do jogo em si, das resenhas pós-partidas, regadas à cerveja e os mais gordurosos petiscos. Do papo furado entre amigos, do descompromisso que nos unia – e ainda os une. Sinto falta do ambiente saudável do campinho (descartando a propensão a lesões, o álcool e o colesterol adquirido, claro). Sei que voltarei a jogar, a estar junto de meus amigos boleiros, mesmo não sabendo quando isso irá acontecer.
Sinto também que essa tendinite apareceu quando tinha de aparecer, que precisava passar por tudo isso que tenho passado e que tinha de ver todas as situações que descrevi em minhas sessões de fisioterapia. Talvez ainda me revolte, um dia ou outro, com a demora em minha recuperação. Mas tenho a consciência de que sou um privilegiado por apenas ter a esperança de voltar a fazer uma das coisas que mais gosto: jogar futebol.

quinta-feira, 30 de outubro de 2014

Cruzeiro e Flamengo mais próximos da decisão

As semifinais da Copa do Brasil foram abertas na última quarta-feira.

O Cruzeiro, líder isolado do Brasileirão com cinco pontos de vantagem sobre o São Paulo, recebeu o Santos no Mineirão.

Tecnicamente, esperava mais desse jogo do que de Flamengo x Atlético Mineiro, a outra ‘perna’ das semis. E não me decepcionei.


Não que o jogo tenha sido uma maravilha, longe disso. Mas teve bons momentos, principalmente no primeiro tempo. O time de Marcelo Oliveira massacrou os comandados de Enderson Moreira nos primeiros vinte minutos de jogo. Poderia ter feito uns três gols. Fez apenas um, após uma rebatida de David Braz que sobrou para Willian que tocou com categoria no canto direito de Aranha. Com Henrique na proteção à zaga, Lucas Silva iniciando, sempre com qualidade, a saída de bola na meia canxa e com a dupla de meias ofensivos da Seleção, Éverton Ribeiro e Ricardo Goulart, os azuis de Minas são um time de respeito. A superioridade ao Santos ficou evidente no primeiro tempo. Placar que só não virou goleada pela falta de contundência dos donos da casa. E porque Júlio Batista, que jogou de centroavante, está longe da melhor forma.

Também me agrada o meio campo santista. Alisson e Arouca se completam na volância. Enquanto o garoto sai caçando os meias adversários, Arouca é mais bola no pé. Mais à frente, Lucas Lima é o cara responsável pela munição aos atacantes. Vem em grande fase no Brasileirão, ganhando moral com a torcida e com o técnico. Porém, contra o Cruzeiro, não tinha um companheiro à altura de Geuvânio, que, machucado, não pode jogar. Tinha Rildo, esforçado mas muito fraco, para lhe acompanhar ao lado direito. Na outra ponta, um Robinho apagado e, mais à frente, Gabriel em uma péssima noite.

Por esses motivos, dá para imaginar que o revés por 1 a O não foi um resultado tão ruim assim para o Peixe, visto o mau desempenho de seus principais jogadores.
O Santos recebe o Cruzeiro na Vila, na próxima quarta-feira, respirando ainda sem a ajuda de aparelhos. Terá de vencer por dois gols de diferença para chegar à final, já que não fez gol fora de casa. Ou vencer por 1 a 0 para decidir nos pênaltis. Se Robinho estiver inspirado e Gabriel estiver mais calmo e menos fominha, é possível que o Santos chegue à final. Mesmo que do outro lado esteja o melhor time do Brasil.


No Maracanã, o Flamengo conseguiu uma importante vantagem para o jogo de volta no Mineirão. Leva a Belo Horizonte 2 a 0 no placar. Excelente vantagem em decisões mata-mata com critérios de desempate onde o gol fora de casa vale muito. A mesma vantagem que o Corinthians levou a BH nas quartas de final contra o mesmo Atlético e não soube aproveitar.

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

A Data Fifa e o absurdo calendário da CBF

Já criticamos, aqui, outras vezes, o esdrúxulo calendário do futebol brasileiro.

Digamos que já é um assunto um tanto batido. Mas, infelizmente, nesta semana não temos como fugir do tema.

Todas as seleções futebolísticas do mundo –todas as filiadas à FIFA, ao menos- jogarão neste fim de semana e no meio da próxima. As seleções europeias, por exemplo, começam a disputar as eliminatórias para a Eurocopa de 2016. As sul-americanas realizam amistosos, assim como as asiáticas, africanas, centro-americanas etc. É a chamada Data Fifa.

Todos os campeonatos no mundo param por duas semanas. Todos, menos o Brasileirão. A desculpa oficial da CBF é que não há datas suficientes para dar uma pausa no campeonato enquanto as seleções jogam. É óbvio que não há, pois com os campeonatos estaduais cada vez mais cheios de times e tomando mais de três meses do calendário, fica impossível parar o Brasileirão quando a Seleção joga.

Os estaduais, há anos, vem se desvalorizando, não apenas pelo excesso de times, mas pela fórmula absurda dos torneios – o Paulista, por exemplo, tem um regulamento ridículo, onde o time que fica em primeiro após exaustivas dezenove rodadas (sim, 19) pode ser eliminado após uma simples derrota no primeiro jogo da fase seguinte. Porém, a força das federações estaduais fala mais alto e os times, os grandes, não fazem nada para mudar isso.

Voltando à Data Fifa dessa semana, são 27 os jogadores que desfalcam seus times no Brasileirão, convocados pela Seleção Brasileira principal, pela seleção sub-21 e pelas seleções sul-americanas que disputam amistosos. Dois dos convocados estão na Série B. O goleiro uruguaio Martín Silva e o atacante Thalles, convocado por Gallo para a seleção sub-21.

O número poderia ser maior ainda se o volante paraguaio do Flamengo, Victor Cáceres, não fosse cortado da convocação de seu país por lesão. Ou se Ricardo Goulart estivesse com a seleção de Dunga. Ou se Valencia, usualmente convocado pela Colômbia, fosse chamado. Ou se Conca e D'Alessandro, que nunca são utilizados pela seleção da Argentina, aparecessem de surpresa na lista de Gerardo Martino.

Cada dia mais jogadores do Brasileirão são convocados, ou por Dunga precisar dos que atuam dentro de nossas fronteiras, ou porque os estrangeiros do Brasileirão são cada dia mais relevantes. A solução é óbvia: quando as seleções jogam, os clubes brasileiros não podem entrar em campo.

Em tempo: O Bom Senso Futebol Clube, uma das melhores coisas que apareceram no futebol brasileiro nos últimos anos, é uma primorosa iniciativa dos jogadores em busca de mais qualidade. De trabalho, principalmente. Porque eles sabem que cada vez mais o descaso de quem organiza, no caso a CBF, para com eles é evidente e ampliado. Para a referida entidade, quanto mais jogos, melhor, não importa se a Seleção joga na mesma semana ou não. Ou seja, se depender dos coronéis que tomam conta do futebol que acontece por aqui, e da TV que tem o direito de transmissão de todos os jogos de todos os campeonatos - que é quem, na verdade, sustenta e financia os clubes -, o esporte será cada vez mais tratado como mercadoria. Um produto, contudo, mais sem graça e de baixa qualidade.

sexta-feira, 3 de outubro de 2014

Valdívia ou Luís Fabiano?


Um é conhecido como Mago; o outro, como Fabuloso.

Um é o camisa 10, meia criativo e ‘cérebro’ de seu time; o outro, camisa 9 e esperança de gols de sua equipe. 

Só que na teoria.

Porque na prática não é bem assim.

São considerados ídolos de duas das maiores torcidas de São Paulo e do Brasil.
Valdívia, o chileno falastrão, tem acumulado em seu currículo muito mais confusões do que conquistas. Em sua primeira passagem pelo Palmeiras, foi campeão paulista em 2008. Justiça seja feita, era o principal jogador do time montado por Vanderlei Luxemburgo. Após a ‘expressiva’ conquista, andou passeando pelo mundo árabe e retornou ao time nos braços da torcida. Nunca justificou tal aclamação.

Jorgito, como gosta de ser chamado, tem uma facilidade incrível para se envolver em confusões. Tanto com a torcida, que hora o ama, hora o odeia, quanto com a imprensa e com seus companheiros de equipe. Seu talento sempre foi indiscutível. Sua regularidade dentro de campo também.

Hoje, o maior problema do Palmeiras é ser refém de Valdívia. Quando o camisa 10 está em campo, o time ganha uma qualidade técnica que inexiste no recheado elenco verde de jogadores de segunda divisão. O centenário clube paulistano depende de lampejos de seu camisa 10. Às vezes, ele decide. Muitas outras, ele compromete. Como no jogo contra o Flamengo, logo no início do segundo turno. O Palmeiras perdia por 2 a 0. Valdívia entrou no segundo tempo, o time reagiu, melhorou, empatou o jogo. Mas em uma (mais uma) atitude injustificável, o ‘Mago’ pisou em um jogador adversário e foi expulso. No último fim de semana o Palmeiras foi a Florianópolis enfrentar o Figueirense, adversário direto na parte debaixo da tabela. Vencia por 1 a 0 quando Valdívia, cara a cara com o goleiro, teve a chance de matar o jogo. A displicência do chileno falou mais alto. O preço foi caríssimo. O Figueirense virou o jogo e venceu por 3 a 1.

Já Luís Fabiano foi repatriado pelo São Paulo em 2011 após muitos anos jogando no futebol espanhol. Teve alguns bons momentos em 2012, decidiu alguns jogos. O Tricolor venceu a Copa Sul Americana naquele ano. E, acredite, Willian José (sim, Willian José) foi mais importante que ‘Fabuloso’ naquela conquista. O camisa 9 foi expulso no primeiro jogo daquela decisão, ficando fora da partida derradeira, no Morumbi, vencida pelo time da casa.

Na Libertadores de 2013, após desferir palavras não muito educadas ao árbitro depois do fim de um jogo, conseguiu a façanha de ser expulso. Levou quatro jogos de suspensão. Prejudicou diretamente o time em sua campanha.

Chegou a fazer parte da primeira lista de Felipão na preparação da Seleção Brasileira para a Copa. Sua inconstância e suas lesões em sequência fizeram ser esquecido pelo então técnico canarinho. Sua última proeza aconteceu na última semana, quando agrediu um jogador adversário na primeira partida das oitavas de final da Copa Sul Americana. Expulso. Mais uma vez.


O que explica a idolatria de palmeirenses e são-paulinos por esses jogadores? O estilo, a técnica ou capacidade de ser mais comprometedor do que decisivo? Acho que nem um ‘Globo Repórter’ desvendaria tal mistério.

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Necessária competência

Sete pontos de vantagem tinha o Cruzeiro, líder do Brasileirão, sobre o São Paulo, o então vice-líder no início do segundo turno. Vantagem considerável, não apenas pelos pontos mas também pela competência da equipe mineira, que perdera muito pouco no campeonato – apenas duas derrotas nas primeiras dezenove rodadas.

O confronto entre os dois melhores times aconteceu logo no início do returno. O São Paulo tinha a obrigação de vencer para manter-se vivo. Venceu e convenceu. Foi a melhor partida do Tricolor no campeonato. Talvez no ano. A diferença entre as equipes diminuiu para quatro pontos. O campeonato ganhava um pouco mais emoção, o Cruzeiro, uma pedra no sapato. Só que...

Só que o Brasileirão, com seu medíocre calendário cebeefiano, não dá tempo para o time respirar, descansar, treinar, se preparar. Com duas rodadas por semana, nesse período da tabela, manter o alto nível e o padrão de jogo é fundamental para seguir em frente. E o Cruzeiro, amigo, não vacila. Ou melhor, vacila quando pode.

Após a derrota para o São Paulo, os mineiros venceram dois compromissos dos três seguintes. Perderam aquele que era previsível, o clássico contra o Atlético, em Belo Horizonte. Venceram, no Couto Pereira, o Coritiba, onde o São Paulo tropeçou logo após vencer o líder. Ou seja, o Coxa, que luta este ano para não ser rebaixado, é um ótimo exemplo para diferenciar a competência do líder com a incompetência do São Paulo, que após ser derrotado no Paraná, perdeu o clássico para o Corinthians e teve um empate desastroso com o Flamengo e uma derrota para o Fluminense, em pleno Morumbi. A distância para o líder, que era de quatro pontos, aumentou para dez. A posição da tabela também mudou, o Tricolor caiu para terceiro. O Internacional é o novo perseguidor da Raposa - a vantagem para o novo vice é de seis pontos. O Cruzeiro caminha a passos largos rumo ao bicampeonato.

Após os resultados ruins, Muricy Ramalho disse que seu time não vai jogar a toalha. Discurso manjado, conversa para boi dormir. O real objetivo Tricolor agora é a luta para chegar entre os quatro primeiros e classificar-se à Libertadores. Assim como o Corinthians, que empolgou-se com a vitória no clássico, mas voltou a realidade nos jogos seguintes, perdendo para o Figueirense em Santa Catarina e para o Atlético Paranaense fora de casa. O Timão oscila tanto quanto o São Paulo, ganhando algumas partidas difíceis e perdendo pontos fáceis, aqueles que o Cruzeiro nunca desperdiça.

O campeonato de São Paulo e Corinthians é contra Inter, Grêmio, Atlético Mineiro e Fluminense. Porque o caneco parece já ter dono. A não ser que o Cruzeiro seja derrotado em casa para o Internacional e tenha a sua vantagem reduzida para três pontos. 

Difícil, não impossível.

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Sobre a crise política no São Paulo FC

Nos últimos dias algumas notícias trouxeram à tona uma queda de braço nos bastidores Tricolor. Carlos Miguel Aidar e Juvenal Juvêncio, atual e ex-presidente do São Paulo, trocaram farpas via imprensa.

Aidar, em entrevista à Folha de S. Paulo, disse que não esperava encontrar o clube da maneira como Juvenal o deixou. Suas críticas eram em relação à gestão “ultrapassada” de JJ.

Entre outras críticas, o atual presidente disse, também, que paga mensalmente R$2,3 milhões de juros de dívidas bancárias e que está “fazendo milagre”.

A declaração teve grande repercussão, não só pelo conteúdo, mas, principalmente, porque Aidar e Juvenal eram aliados. Há dez meses, JJ não tinha candidato de consenso para a sua sucessão. Apostou durante um tempo em Adalberto Baptista, mas o fracasso do futebol provocou sua demissão. O candidato natural seria Carlos Augusto de Barros e Silva, o Leco, que não parecia ter o preparo para o cargo naquele momento. Não tanto quanto Aidar, apesar de afastado da vida política do clube há 25 anos. Pelo apoio prestado e pelas brigas que comprou, Juvenal se sentiu traído.

Aidar foi presidente da OAB e afastou-se do futebol. Seu retorno é derivado do esforço político de JJ. O ex-presidente vem sofrendo graves problemas de saúde nos últimos anos, esteve um tanto afastado do dia-a-dia do clube em seu último mandato, mas pela proximidade com Aidar e pela sua força política manteve-se como integrante da diretoria. Porém, no último dia 16, Aidar o demitiu. Estava escancarada a crise nos bastidores.

Juvenal Juvêncio conquistou muitos títulos pelo São Paulo, entre eles o três campeonatos brasileiros de 2006/07/08, foi reeleito e chegou a mudar o estatuto do clube para conseguir um terceiro mandato, que foi muito ruim. Apesar dos últimos anos não muito proveitosos e sem boas recordações, a torcida são-paulina gosta muito de JJ, principalmente pelo seu lado folclórico, suas declarações inusitadas e por não ser um ‘cordeirinho’ da CBF.

                                       Antigos aliados, atuais inimigos

No dia de sua demissão, o ex-presidente foi ao canal por assinatura FOX Sports e concedeu um entrevista épica, ao vivo. Sem papas na língua, JJ disse estar amargamente arrependido pelo apoio prestado a Aidar, entre outras conversas e ‘causos’ de bastidores normalmente não revelados. Infelizmente, no fim do programa, Juvenal passou mal e chegou a vomitar. As câmeras logos cortaram a imagem para o apresentador Benjamin Back, que, assustado e preocupado com estado de saúde do senhor de mais de oitenta anos, acabou se enrolando – televisão ao vivo tem dessas coisas.

Juvenal Juvêncio logo se recuperou do mal estar, agradeceu o espaço e se despediu, como se nada de mais grave tivesse acontecido. O mais triste disso foi que a entrevista memorável ganhou repercussão não pelo seu conteúdo, mas pelo mal súbito de JJ. Apenas um reflexo dos dias de hoje nas redes sociais. A falta de bom senso quase todos compartilham.

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

Caça à Raposa

Com treze vitórias, quatro empates e apenas duas derrotas o Cruzeiro fechou o primeiro turno do Brasileirão 2014 com o melhor aproveitamento da história dos pontos corridos.

Inicia sua caminhada rumo ao bicampeonato com nada menos do que sete pontos de vantagem para o São Paulo, o segundo colocado na tabela de classificação - como escrevi aqui, semana passada, os Celestes e os Tricolores são os únicos times do campeonato nos quais seus respectivos treinadores, Marcelo Oliveira e Muricy Ramalho, tem, no mínimo, um ano de trabalho à frente de seus clubes.

Pois bem. Se olharmos duas posições abaixo, vemos Internacional e Corinthians, outros dois clubes que tem o trabalho de seu treinador com um tempo mais considerável. Tanto Abel Braga quanto Mano Menezes assumiram o comando técnico de suas equipes no começo deste ano, perdem apenas para os dois treinadores supracitados. Significa, não? 

Nas seguintes três posições, vemos outros três grandes times: Fluminense, Grêmio e Atlético Mineiro. As três equipes trocaram seus treinadores entre maio, junho e julho deste ano. Ou seja, fica cada vez mais evidente que os bons resultados e consequente sucesso dos clubes brasileiros está atrelado às condições de trabalho nas quais os próprios clubes oferecem aos seus jogadores, passando por uma boa comissão técnica, além da confiança e do respaldo da diretoria com o escolhido professor; essa continuidade é algo que vem gerando frutos no Brasileirão. A tabela do campeonato não me deixa mentir.  

O que pode atrapalhar o Cruzeiro em seu caminho bem pavimentado rumo ao caneco são as convocações da Seleção Brasileira. Dunga parece contar com o bom futebol de Éverton Ribeiro e Ricardo Goulart. Teoricamente, sem eles a coisa fica mais difícil. Porém, nos dois amistosos em que ausentaram-se do time, defendendo o selecionado, o bom elenco do time azul foi suficiente para suprir os desfalques com certa qualidade, tanto que o Cruzeiro, sem seus dois melhores jogadores, alcançou uma vitória e um mais do que aceitável empate. Veremos se o nível - não apenas do Cruzeiro mas de todos os outros clubes que tem jogadores convocados - será mantido quando houver a Data Fifa e o campeonato brasileiro continuar, o que faz parte do charme do calendário futebolês cebeefiano.

Já na parte de baixo da tabela, o Palmeiras parece respirar um pouco melhor após a troca de Ricardo Gareca por Dorival Júnior. Se essa constatação soa como contradição por tudo o que foi dito aqui em relação à sequência de trabalho necessário para se colher bons resultados, a substituição no comando técnico do centenário clube paulistano parecia ser iminente, já que a convicção da diretoria alviverde na qualidade de seu professor estrangeiro era minada a cada resultado adverso. A curto prazo, Dorival parece dar um jeito. Vejamos daqui a três meses se Paulo Nobre fez o certo.

Jogão. Domingo, 14, São Paulo e Cruzeiro se enfrentam no Morumbi pela segunda rodada do segundo turno. Os dois melhores times do Brasileirão tem tudo para fazerem o melhor jogo, talvez o mais esperado cotejo, do campeonato até aqui. É a chance vital de o Tricolor seguir vivo na competição, porque, mesmo com vitória, a caça à Raposa continua.

sexta-feira, 5 de setembro de 2014

Alta rotatividade

A constante troca de técnicos no futebol brasileiro não é uma novidade. Nem para nós, torcedores, nem para os próprios treinadores e todos aqueles que envolvem o mundo da bola.

Sempre foi assim. Faz parte da nossa cultura futebolística. Estamos acostumados a certas peculiaridades, já que essa alternância de ‘professores` é algo não muito comum nos outros grandes campeonatos do mundo. Mas gostamos de ver jogos quartas e domingos. Todas as quartas e todos os domingos! Assistir ao jogo do seu time, para quem realmente gosta de futebol, faz parte de um evento semanal, um compromisso obrigatório. Compramos. Torcemos. Reclamamos muito mais do que apoiamos. Alimentamos esse ciclo deteriorador da qualidade do que tanto gostamos.

É impossível manter um produto – caríssimo, diga-se – no mais alto nível de qualidade se o calendário atual do futebol brasileiro age contra, não oferecendo um tempo sequer digno para o necessário descanso, treinamento e aperfeiçoamento técnico dos protagonistas do espetáculo. (O Bom Senso Futebol Clube luta por melhorias nesse sentido, um controle mais rigoroso e defensor dos direitos dos atletas, mais a favor da melhor organização do calendário.)

Sendo assim, com tão pouco tempo disponível de treinamento, os técnicos tem seus trabalhos diretamente prejudicados. E aí, meu amigo, vai explicar para um torcedor decepcionado que o pífio desempenho de seu time não é culpa do treinador, mas do calendário mal feito pela CBF. Não tem papo. Tem que dar o braço a torcer, tomar alguma decisão. Botar a culpa em alguém, para ser mais direto.

Esta semana, três técnicos de três gigantes clubes brasileiros levaram essa culpa. Ricardo Gareca foi demitido do Palmeiras. O argentino era uma aposta inovadora do presidente palestrino, um projeto diferente, bem visto por quase todos. Enfim, um técnico com a proposta de mudança, um investimento a longo prazo. Deram-lhe tempo para treinar o time, com a paralisação do campeonato para a Copa do Mundo. Só que o time não engrenou, não deu liga. A diretoria então resolveu agir. Passar o aniversário centenário muito próximo à zona de rebaixamento pesou contra o professor cabeludo. Foi-se embora as chances de Gareca.


Esqueçam o discurso. É fato que o desempenho não foi dos melhores, longe disso. Mas mandaram o cara embora com treze jogos a frente do time. Como é possível avaliar um trabalho, principalmente se você pensa a longo prazo, em treze jogos? Aqui, avalia-se por resultado. Ou seja, se realmente houvesse a convicção de que Gareca era o homem certo, morreriam abraçados Paulo Nobre e seu treinador. Eliminaram-no a curto prazo.

Surpreendentemente, Oswaldo de Oliveira foi demitido pelo Santos. Ao contrário do rival da capital, o Peixe não estava nadando tão mal (trocadilho ruim, desculpe) quanto o Palmeiras. O que se diz é que situações ocorridas nos bastidores derrubaram Oswaldo. Como assim? Treinador experiente que é, deve ter ficado chateado, talvez não devia esperar. Mas duvido que ache isso estranho. Fato é que Oswaldo durou apenas oito meses no Santos.

Outro que foi embora, esse com pouco tempo a mais de trabalho, foi Adílson Batista, quase um ano a frente do Vasco. Não resistiu a uma goleada sofrida em casa, pela série B do Brasileirão. Entre os três técnicos referidos, talvez é o que tenha a demissão mais fácil de ser digerida.


Em três dias, foram três técnicos de três gigantes no olho da rua. Hoje, há apenas dois treinadores com um ano de trabalho ou mais a frente de seus times. Os dois estão na parte de cima da tabela. Um é o líder.

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Palmeiras centenário


O Palmeiras completou 100 anos de existência na última terça-feira, 26.

Fundado em 1914 por imigrantes italianos e seus descendentes sob o então registro de Società Sportiva Palestra Itália, a hoje Sociedade Esportiva Palmeiras tem uma história rica e peculiar.

O alviverde é um dos clubes mais vitoriosos do Brasil, de incrível sucesso nos anos 1960 e 1970, da geração de ouro de Djalma Dias, com Juninho Botelho, além de Vavá, o Peito de aço, e uma divindade, Ademir da Guia, o Divino, o melhor dos que vestiram a camisa da Academia (segundo meu pai). Depois, com Émerson Leão no gol, César Maluco com a 9. Em seguida, os bicampeões brasileiros de 1972/73, com Leivinha fazendo companhia a Luís Pereira.

Nos anos 1980, o Palmeiras passou longe das glórias, como todos os grandes times que ficam tempos em jejum. E, na maioria das vezes, eles precedem grandes conquistas, como as maiores e mais saborosas (para os palmeirenses, que fique claro) que estariam por vir.
Lembro dos times de 1993/94, uma verdadeira constelação que levou ao bicampeonato brasileiro, encerrando uma fila de 20 anos sem títulos nacionais. Escalo, de cabeça, aquele esquadrão: Velloso; Mazinho, Antonio Carlos, Cléber e Roberto Carlos; César Sampaio, Flávio Conceição, Zinho e Rivaldo; Edmundo e Evair. Não era fácil torcer contra.

Mas o melhor time verde estaria por vir. Um time que, em 1996, marcou 102 gols no campeonato paulista, vencendo por 28 pontos de diferença para o vice-campeão; tinha Cafu, Júnior, Djalminha, Rivaldo, Muller, Luizão... uma seleção. Porém, durou apenas aquele estadual.

Depois, veio o mais glorioso, o campeão da Libertadores de 1999, com São Marcos sob as traves, Arce, Roque Júnior, Alex, além de Paulo Nunes, o diabo loiro. Fechava o século XX como um dos mais imponentes clubes brasileiros. 

Contudo, o novo século traria dissabores aos palestrinos. Nos últimos dez anos foram dois rebaixamentos no campeonato brasileiro e poucos títulos de expressão. Um Paulistão, em 2008, e uma Copa do Brasil, em 2012. Pouco, muito pouco para um clube que esbanja afortunada história futebolística.

Os dias atuais não são os melhores, longe disso. A reflexão do torcedor palmeirense é mais séria, menos otimista, calejado que está. Só não pode ser pequena a sua devoção, como nunca foi. Afinal, dias melhores virão.


Aos amigos palmeirenses, parabéns, vocês merecem. O lugar de vocês é entre os grandes!

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

A primeira lista de Dunga

Quem acompanha este espaço futebolístico sabe o que penso sobre Dunga e a CBF.

Entretanto, o que era pra ser dito sobre a nova comissão técnica já foi. Agora, vamos falar sobre a primeira convocação do novo velho técnico da Seleção.

Divulgada na última terça-feira, dia 19 de agosto, a lista trouxe novas caras para o time canarinho. Dos nomes que estiveram na Copa, dez estarão presentes nos amistosos de setembro, contra Colômbia e Equador, os primeiros desafios de Dunga em sua volta ao comando técnico brasileiro.


As principais novidades são os dois jogadores do Cruzeiro, Everton Ribeiro e Ricardo Goulart (foto). O primeiro, meia-canhoto, foi, de longe, o melhor jogador do último campeonato brasileiro. Merecia, há tempos, uma chance na Seleção. Já o segundo, de coadjuvante virou o ator principal do excelente time do Cruzeiro, que segue líder do atual certame e o mais provável candidato ao título – embora ainda seja muito cedo para apontarmos favoritos.

Entre outras novidades, estão o zagueiro Gil e o volante Elias, ambos do Corinthians, os principais jogadores do time de Mano Menezes. Diego Tardelli, do Galo, que já havia participado de convocações de Dunga no primeiro ciclo do técnico na Seleção, também está na lista. Dos jogadores que atuam no país, o goleiro Jéfferson, do Botafogo, também foi convocado – esse, remanescente dos que disputaram a Copa. As outras novas caras foram o goleiro Rafael Cabral, ex Santos e hoje no Napoli, os laterais Danilo e Alex Sandro, do Porto, e Filipe Luís, do Chelsea; os zagueiros Marquinhos, do PSG, e Miranda, do Atlético de Madrid; além do meia Philippe Coutinho, do Liverpool.

Completam a lista outros jogadores que estiveram na Copa (além de Jéfferson, já citado): o lateral direito Maicon, da Roma; o zagueiro David Luiz, do PSG; os volantes Luiz Gustavo, do Wolfsburg, Fernandinho, do Manchester City, e Ramires, do Chelsea; os meio-campistas Oscar e Willian, também do Chelsea, e os atacantes Hulk, do Zenit, e Neymar, do Barcelona.

Provavelmente, Dunga deve usar a mesma espinha dorsal do time de Felipão: Maicon, David Luiz, Luiz Gustavo, Oscar, Hulk e Neymar. Algo até previsto na reformulação do time. Os pontos positivos, a meu ver, são a manutenção de nomes importantes como David Luiz e Oscar, além das merecidas convocações dos jogadores do Cruzeiro e também de P. Coutinho, muito bom jogador. Outro fato animador é não haver nenhum centroavante de ofício nessa primeira lista, o que não deixa de ser uma tentativa de mudar a maneira como o time jogou nos últimos tempos. O ponto negativo é a convocação de Hulk, jogador tecnicamente fraco, mais conhecido por seu porte físico avantajado. 

Vejamos se Dunga terá competência para formar um time melhor e mais competitivo que o de Felipão. Possivelmente conseguirá, até porque piorar é praticamente impossível.

quinta-feira, 14 de agosto de 2014

A excelente resposta do Bom Senso FC ao que a CBF chamou de calendário

O Bom Senso Futebol Clube é uma das melhores coisas que apareceram no futebol brasileiro nos últimos anos. Uma iniciativa dos jogadores em busca de mais qualidade. De trabalho, principalmente. Porque eles sabem que cada vez mais o descaso de quem organiza, no caso a CBF, para com eles é evidente e ampliado. Se depender dos coronéis que tomam conta do futebol que acontece por aqui, e da TV que tem o direito de transmissão de todos os jogos de todos os campeonatos - que é quem, na verdade, sustenta e financia os clubes -, o esporte será cada vez mais tratado como mercadoria. Um produto, contudo, mais sem graça e de baixa qualidade. Abaixo, segue a excelente resposta desse histórico movimento ao que a CBF chamou de calendário:

Marin e Del Nero 7 x 1 Futebol Brasileiro

O Calendário de 2015 também tomou de 7 a 1, e ainda tem gente comemorando o gol de honra

Aos 7:
1 - O calendário não foi reestruturado, foi apenas espremido. Com os campeonatos iniciando em 1º de fevereiro e terminando em 6 de dezembro, os clubes jogarão praticamente as mesmas datas em menos dias.

2 - Qualquer reestruturação significativa do calendário trataria de resolver a sua maior deficiência: a escassez de jogos dos clubes do interior. A maior parte dos clubes pequenos continua jogando menos de 20 partidas oficiais por ano, ao longo de pouco mais de três meses - o que significa desemprego para cerca de 12 mil jogadores de futebol.

3 - O formato de nenhuma das competições significativas foi alterado. Assim, um grande clube pode continuar fazendo inacreditáveis 84 partidas oficiais por ano, 43% a mais que qualquer clube alemão. Vale lembrar que o campeonato alemão tem média de público nos estádios três vezes maior que a nossa.

4 - Nas datas FIFA não há jogos de clubes, mas os há na véspera destas datas. Assim, a Seleção joga partidas das Eliminatórias da Copa do Mundo em terças-feiras e há jogos de clubes no Campeonato Brasileiro às quartas-feiras, por exemplo. Então basta torcermos para que nossos clubes não tenham jogadores de alto nível para não serem convocados, certo? Ou, em caso de tê-los, vemos o nosso campeonato enfraquecido sem a presença dos principais atletas em datas importantes. Ainda não entendemos como os patrocinadores e os próprios clubes admitem isso.

5 - O horário dos jogos continua fora da pauta. Vemos o metrô mudar os seus horários, mas não vemos a CBF zelar pelo bem daqueles que de fato sustentam o futebol, os torcedores. Conforme a audiência diminui, em breve veremos nossos campeonatos na sessão Coruja.

6 - Estabelece-se um limite de 65 jogos anuais por atleta em competições organizadas pela CBF e Federações. Esta é a famosa medida "me engana que eu gosto". De onde veio este número 65, CBF? Quantos atletas disputaram mais que 65 jogos no ano passado? Já falamos algumas vezes: não se trata de limitar o número de jogos dos atletas; é preciso organizar o calendário em torno dos clubes. Deixar um atleta impedido de jogar não oferece tempo de treinamento para o aperfeiçoamento técnico e tático da equipe.
           
7 - Grande parte das rodadas do Campeonato Brasileiro continuam sendo em meios de semanas, quando seria mais interessante que todas elas, ou pelo menos a grande maioria, fossem em fins de semanas.

Ao 1:
1 - O quase mês de pré-temporada NÃO foi inserido pensando na modernização do futebol brasileiro, qualificando-o tecnicamente, mas SIM pensando no próprio umbigo, uma vez que a audiência do futebol no mês de janeiro tem caído vertiginosamente.



Bom Senso Futebol Clube

quinta-feira, 31 de julho de 2014

Nada vai mudar

(Texto para fechar este mês histórico; pequenas divagações e outras compilações sobre o que vi, li e ouvi. Segue, sem foto.)

A volta de Dunga ao comando técnico da Seleção Brasileira de Futebol –o gaúcho comandou o time entre 2006 e 2010- foi um balde de água gelada na cabeça de quem imaginava novos rumos, ao menos para o time canarinho.

Após a humilhante derrota para os alemães nas semifinais da Copa, muitos (incluindo este inocente que vos escreve) imaginavam que os inapeláveis 7 a 1 marcariam o início de algumas mudanças no futebol do país, a começar por novos ares na comissão técnica da Seleção.

Pois bem. Na primeira aparição em público, ou seja, na primeira entrevista coletiva pós-vexame, o presidente da CBF, José Maria Marín, não estava lá para prestar contas da catástrofe, mas sim para a divulgação do novo coordenador técnico, o ex-goleiro e, até o dia anterior, empresário de jogadores, Gilmar Rinaldi.  

O mesmo que cedeu Adriano, então com 19 anos, e Reinaldo por Vampeta, esse mais lembrado por suas cambalhotas alcoólicas do que por seu futebol. Gilmar, em sua fala mais profunda, disse que com ele o time não usaria bonés incentivando Neymar, fora do jogo, e sim Bernard, que estava em campo (referindo-se ao fatídico Brasil x Alemanha). Sim, é esse sujeito com esse tipo de declaração que vai comandar a ‘revolução’ no nosso futebol. Já o coordenador das categorias de base é o novo guru de Zé das medalhas: Alexandre Gallo, medíocre como jogador e sem nenhum trabalho expressivo como técnico de futebol.

Entretanto, iludidos que somos, imaginávamos que o técnico, ao menos, poderia ser diferente, alguém como Tite, talvez Abel Braga, quem sabe Marcelo Oliveira, atual campeão brasileiro, líder do campeonato. Que nada. Nada poderia ser mais óbvio do que Dunga, companheiro de Gilmar na Seleção há vinte anos. O homem que se encaixa perfeitamente nos padrões reacionários cebeefianos. Estamos fadados –novamente- ao discurso ridículo de pátria de chuteiras, de ser competitivo é o que interessa, de que jogo bonito não ganha campeonato e outras asneiras aleatórias.

Quantas vezes esse discurso se repetiu e nada mudou? Continuamos com perda de memória recente, olhando para o futuro apenas em função da última derrota, rezando por uma boa safra que salve a lavoura.

A ferida está aberta e o sangramento ainda longe de ser estancado. A necessidade de mudanças urge, não podemos mais continuar dependentes do dinheiro das transmissões de TV para a sobrevivência de nossos clubes. Não cabe, nem jamais deveria caber seu uso como moeda de troca política, a irresponsabilidade fiscal tolerada... enfim, quando a utopia paira é melhor encerrar essas linhas.

Em tempo: o Grêmio demitiu o técnico Enderson Moreira após a derrota para o Coritiba pela 12ª rodada do Brasileirão. Mas Enderson não foi mal. Encarou o mais complicado grupo da Libertadores neste ano, passou em primeiro lugar, eliminando nada menos que Newells Old Boys, da Argentina, e Nacional, do Uruguai, classificando-se às oitavas. Invicto. Caiu, nos pênaltis, diante do San Lorenzo, finalista da competição. Para ‘renovar’ o futebol gremista, o presidente Fábio Koff chamou um velho conhecido: Luiz Felipe Scolari. É a regra dos cartolas brasileiros, esconder-se atrás de alguém com as costas largas. Assim fica mais fácil, quando der errado tem alguém que assuma a culpa.

segunda-feira, 14 de julho de 2014

O tetra da Alemanha e a Copa que o Brasil venceu - fora de campo


Não era surpresa pra ninguém a conquista da Copa do Mundo pelos alemães, aqui no Brasil, principalmente depois da humilhante goleada imposta aos donos da casa, nas semifinais. Antes disso, os germânicos já haviam feito uma boa primeira fase, tendo dificuldades, apenas, nas oitavas de final, contra a boa equipe da Argélia, vencendo na prorrogação, e, na sequência, derrotando o forte time francês pelo placar mínimo.

Dificuldades que, em nenhum momento, colocou em dúvidas o potencial do grande time comandado por Joachim Löw, desde 2006. Isso mesmo, 2006! Os alemães, após seguidos insucessos em Eurocopas e Mundiais, reviram seus conceitos de futebol e decidiram mudar sua tradicional filosofia de jogo, marcado, historicamente, por mais força física do que qualidade técnica.

Em 2004, depois de uma Eurocopa ruim, a Federação Alemã de Futebol demitiu o então treinador Rudi Völler, vice-campeão do mundo dois anos antes, e decidiu apostar em outro grande ex-jogador: Jürgen Klinsmann assumiu o comando da equipe, auxiliado por Joachim Löw, o homem que, oito anos mais tarde, tiraria os alemães de uma fila de vinte e quatro anos à espera do mais cobiçado troféu futebolístico de seleções.

O que mais chama a atenção nessa história de troca de comando técnico é que a Alemanha sediaria uma Copa do Mundo em 2006, ou seja, seria natural necessitarem de um resultado a curto prazo. Porém, o que se diz é que os frutos viriam com o tempo e que vencer em casa, naquele ano, não era obrigação. Algo que, para nós, brasileiros, tão imediatistas e ansiosos por resultados em pouco tempo, soa um tanto estranho.

O futebol jogado pela Seleção Brasileira nessa Copa do Mundo reflete a situação do esporte no país, nivelado por baixo, se comparado ao futebol jogado nos grandes centros europeus da bola. Ou, talvez, mais comparado àquele que os alemães jogavam antes da mudança de filosofia no esporte, onde a força física se sobressai em relação à qualidade técnica.

Voltando à Copa de 2006, na Alemanha, os donos da casa não venceram, chegaram apenas às semifinais –algo que é visto como pouco, para os torcedores de uma seleção tão rica historicamente. Entretanto, a Federação Alemã de Futebol deu continuidade ao trabalho da comissão técnica, que perdeu o treinador Klinsmann, mas manteve seu auxiliar, Löw, e apostou na sequência. De 2006 pra cá foram duas Eurocopas perdidas pela Alemanha, em 2008 e 2012, e uma eliminação nas semifinais, novamente, na Copa do Mundo da África do Sul, em 2010. Derrotas que não foram o suficiente para minar o trabalho de Joachim. Pelo contrário, os pontos positivos e a renovação no time credenciavam a manutenção da comissão técnica. Uma aposta que, após 13 de julho de 2014, nenhum alemão e nenhum outro torcedor de qualquer lugar do mundo contesta.

A Copa que deu certo. Se dentro de campo o resultado foi desastroso para o Brasil, fora dos gramados o Mundial foi um sucesso. Dada como possível grande mico pela imprensa/oposição -algo tão nítido no país-, a Copa do Mundo de 2014 superou as expectativas.

Antes, os profetas do apocalipse, colunistas prestigiados de revistas elitistas e jornais claramentes antigovernistas, cravavam que a Copa seria uma decepção, revelaria as mazelas e a incompetência do país em realizar um evento gigantesco como esse.

Pensamento comprado por boa parte da juventude coxinha, criada à base de cereais e iogurtes gregos, incapazes de ler uma linha sequer sobre política, mas tão dispostos a compartilharem ‘hashtags’ como o #NãoVaiterCopa ou atribuírem a culpa de qualquer coisa que não concordem à presidenta.

O fato é que a Copa do Mundo foi extremamente bem vista por toda a imprensa mundial e por aqueles que tiveram o privilégio de participar, seja trabalhando nela ou apenas prestigiando esse evento único.

Que o sucesso do Mundial de 2014 nos sirva de exemplo quando alguém bradar o velho complexo de vira-latas. Que não nos esqueçamos os inúmeros problemas sociais que possuímos, mas que nos lembremos que somos capazes de melhorar sempre. Dentro e, principalmente, fora de campo.