A constante troca de técnicos no futebol brasileiro não é
uma novidade. Nem para nós, torcedores, nem para os próprios treinadores e
todos aqueles que envolvem o mundo da bola.
Sempre foi assim. Faz parte da nossa cultura
futebolística. Estamos acostumados a certas peculiaridades, já que essa
alternância de ‘professores` é algo não muito comum nos outros grandes
campeonatos do mundo. Mas gostamos de ver jogos quartas e domingos. Todas as
quartas e todos os domingos! Assistir ao jogo do seu time, para quem realmente
gosta de futebol, faz parte de um evento semanal, um compromisso obrigatório.
Compramos. Torcemos. Reclamamos muito mais do que apoiamos. Alimentamos esse
ciclo deteriorador da qualidade do que tanto gostamos.
É impossível manter um produto – caríssimo, diga-se – no
mais alto nível de qualidade se o calendário atual do futebol brasileiro age
contra, não oferecendo um tempo sequer digno para o necessário descanso,
treinamento e aperfeiçoamento técnico dos protagonistas do espetáculo. (O Bom
Senso Futebol Clube luta por melhorias nesse sentido, um controle mais rigoroso
e defensor dos direitos dos atletas, mais a favor da melhor organização do
calendário.)
Sendo assim, com tão pouco tempo disponível de treinamento,
os técnicos tem seus trabalhos diretamente prejudicados. E aí, meu amigo, vai
explicar para um torcedor decepcionado que o pífio desempenho de seu time não é
culpa do treinador, mas do calendário mal feito pela CBF. Não tem papo. Tem que
dar o braço a torcer, tomar alguma decisão. Botar a culpa em alguém, para ser
mais direto.
Esta semana, três técnicos de três gigantes clubes
brasileiros levaram essa culpa. Ricardo Gareca foi demitido do Palmeiras. O
argentino era uma aposta inovadora do presidente palestrino, um projeto diferente,
bem visto por quase todos. Enfim, um técnico com a proposta de mudança, um
investimento a longo prazo. Deram-lhe tempo para treinar o time, com a
paralisação do campeonato para a Copa do Mundo. Só que o time não engrenou, não
deu liga. A diretoria então resolveu agir. Passar o aniversário centenário
muito próximo à zona de rebaixamento pesou contra o professor cabeludo. Foi-se
embora as chances de Gareca.
Esqueçam o discurso. É fato que o desempenho não foi dos
melhores, longe disso. Mas mandaram o cara embora com treze jogos a frente do
time. Como é possível avaliar um trabalho, principalmente se você pensa a longo
prazo, em treze jogos? Aqui, avalia-se por resultado. Ou seja, se realmente
houvesse a convicção de que Gareca era o homem certo, morreriam abraçados Paulo
Nobre e seu treinador. Eliminaram-no a curto prazo.
Surpreendentemente, Oswaldo de Oliveira foi demitido pelo
Santos. Ao contrário do rival da capital, o Peixe não estava nadando tão mal
(trocadilho ruim, desculpe) quanto o Palmeiras. O que se diz é que situações
ocorridas nos bastidores derrubaram Oswaldo. Como assim? Treinador experiente
que é, deve ter ficado chateado, talvez não devia esperar. Mas duvido que ache
isso estranho. Fato é que Oswaldo durou apenas oito meses no Santos.
Outro que foi embora, esse com pouco tempo a mais de
trabalho, foi Adílson Batista, quase um ano a frente do Vasco. Não resistiu a uma
goleada sofrida em casa, pela série B do Brasileirão. Entre os três técnicos
referidos, talvez é o que tenha a demissão mais fácil de ser digerida.
Em três dias, foram três técnicos de três gigantes no
olho da rua. Hoje, há apenas dois treinadores com um ano de trabalho ou mais a
frente de seus times. Os dois estão na parte de cima da tabela. Um é o líder.

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