sexta-feira, 5 de setembro de 2014

Alta rotatividade

A constante troca de técnicos no futebol brasileiro não é uma novidade. Nem para nós, torcedores, nem para os próprios treinadores e todos aqueles que envolvem o mundo da bola.

Sempre foi assim. Faz parte da nossa cultura futebolística. Estamos acostumados a certas peculiaridades, já que essa alternância de ‘professores` é algo não muito comum nos outros grandes campeonatos do mundo. Mas gostamos de ver jogos quartas e domingos. Todas as quartas e todos os domingos! Assistir ao jogo do seu time, para quem realmente gosta de futebol, faz parte de um evento semanal, um compromisso obrigatório. Compramos. Torcemos. Reclamamos muito mais do que apoiamos. Alimentamos esse ciclo deteriorador da qualidade do que tanto gostamos.

É impossível manter um produto – caríssimo, diga-se – no mais alto nível de qualidade se o calendário atual do futebol brasileiro age contra, não oferecendo um tempo sequer digno para o necessário descanso, treinamento e aperfeiçoamento técnico dos protagonistas do espetáculo. (O Bom Senso Futebol Clube luta por melhorias nesse sentido, um controle mais rigoroso e defensor dos direitos dos atletas, mais a favor da melhor organização do calendário.)

Sendo assim, com tão pouco tempo disponível de treinamento, os técnicos tem seus trabalhos diretamente prejudicados. E aí, meu amigo, vai explicar para um torcedor decepcionado que o pífio desempenho de seu time não é culpa do treinador, mas do calendário mal feito pela CBF. Não tem papo. Tem que dar o braço a torcer, tomar alguma decisão. Botar a culpa em alguém, para ser mais direto.

Esta semana, três técnicos de três gigantes clubes brasileiros levaram essa culpa. Ricardo Gareca foi demitido do Palmeiras. O argentino era uma aposta inovadora do presidente palestrino, um projeto diferente, bem visto por quase todos. Enfim, um técnico com a proposta de mudança, um investimento a longo prazo. Deram-lhe tempo para treinar o time, com a paralisação do campeonato para a Copa do Mundo. Só que o time não engrenou, não deu liga. A diretoria então resolveu agir. Passar o aniversário centenário muito próximo à zona de rebaixamento pesou contra o professor cabeludo. Foi-se embora as chances de Gareca.


Esqueçam o discurso. É fato que o desempenho não foi dos melhores, longe disso. Mas mandaram o cara embora com treze jogos a frente do time. Como é possível avaliar um trabalho, principalmente se você pensa a longo prazo, em treze jogos? Aqui, avalia-se por resultado. Ou seja, se realmente houvesse a convicção de que Gareca era o homem certo, morreriam abraçados Paulo Nobre e seu treinador. Eliminaram-no a curto prazo.

Surpreendentemente, Oswaldo de Oliveira foi demitido pelo Santos. Ao contrário do rival da capital, o Peixe não estava nadando tão mal (trocadilho ruim, desculpe) quanto o Palmeiras. O que se diz é que situações ocorridas nos bastidores derrubaram Oswaldo. Como assim? Treinador experiente que é, deve ter ficado chateado, talvez não devia esperar. Mas duvido que ache isso estranho. Fato é que Oswaldo durou apenas oito meses no Santos.

Outro que foi embora, esse com pouco tempo a mais de trabalho, foi Adílson Batista, quase um ano a frente do Vasco. Não resistiu a uma goleada sofrida em casa, pela série B do Brasileirão. Entre os três técnicos referidos, talvez é o que tenha a demissão mais fácil de ser digerida.


Em três dias, foram três técnicos de três gigantes no olho da rua. Hoje, há apenas dois treinadores com um ano de trabalho ou mais a frente de seus times. Os dois estão na parte de cima da tabela. Um é o líder.

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