sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Sobre a crise política no São Paulo FC

Nos últimos dias algumas notícias trouxeram à tona uma queda de braço nos bastidores Tricolor. Carlos Miguel Aidar e Juvenal Juvêncio, atual e ex-presidente do São Paulo, trocaram farpas via imprensa.

Aidar, em entrevista à Folha de S. Paulo, disse que não esperava encontrar o clube da maneira como Juvenal o deixou. Suas críticas eram em relação à gestão “ultrapassada” de JJ.

Entre outras críticas, o atual presidente disse, também, que paga mensalmente R$2,3 milhões de juros de dívidas bancárias e que está “fazendo milagre”.

A declaração teve grande repercussão, não só pelo conteúdo, mas, principalmente, porque Aidar e Juvenal eram aliados. Há dez meses, JJ não tinha candidato de consenso para a sua sucessão. Apostou durante um tempo em Adalberto Baptista, mas o fracasso do futebol provocou sua demissão. O candidato natural seria Carlos Augusto de Barros e Silva, o Leco, que não parecia ter o preparo para o cargo naquele momento. Não tanto quanto Aidar, apesar de afastado da vida política do clube há 25 anos. Pelo apoio prestado e pelas brigas que comprou, Juvenal se sentiu traído.

Aidar foi presidente da OAB e afastou-se do futebol. Seu retorno é derivado do esforço político de JJ. O ex-presidente vem sofrendo graves problemas de saúde nos últimos anos, esteve um tanto afastado do dia-a-dia do clube em seu último mandato, mas pela proximidade com Aidar e pela sua força política manteve-se como integrante da diretoria. Porém, no último dia 16, Aidar o demitiu. Estava escancarada a crise nos bastidores.

Juvenal Juvêncio conquistou muitos títulos pelo São Paulo, entre eles o três campeonatos brasileiros de 2006/07/08, foi reeleito e chegou a mudar o estatuto do clube para conseguir um terceiro mandato, que foi muito ruim. Apesar dos últimos anos não muito proveitosos e sem boas recordações, a torcida são-paulina gosta muito de JJ, principalmente pelo seu lado folclórico, suas declarações inusitadas e por não ser um ‘cordeirinho’ da CBF.

                                       Antigos aliados, atuais inimigos

No dia de sua demissão, o ex-presidente foi ao canal por assinatura FOX Sports e concedeu um entrevista épica, ao vivo. Sem papas na língua, JJ disse estar amargamente arrependido pelo apoio prestado a Aidar, entre outras conversas e ‘causos’ de bastidores normalmente não revelados. Infelizmente, no fim do programa, Juvenal passou mal e chegou a vomitar. As câmeras logos cortaram a imagem para o apresentador Benjamin Back, que, assustado e preocupado com estado de saúde do senhor de mais de oitenta anos, acabou se enrolando – televisão ao vivo tem dessas coisas.

Juvenal Juvêncio logo se recuperou do mal estar, agradeceu o espaço e se despediu, como se nada de mais grave tivesse acontecido. O mais triste disso foi que a entrevista memorável ganhou repercussão não pelo seu conteúdo, mas pelo mal súbito de JJ. Apenas um reflexo dos dias de hoje nas redes sociais. A falta de bom senso quase todos compartilham.

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