quinta-feira, 31 de julho de 2014

Nada vai mudar

(Texto para fechar este mês histórico; pequenas divagações e outras compilações sobre o que vi, li e ouvi. Segue, sem foto.)

A volta de Dunga ao comando técnico da Seleção Brasileira de Futebol –o gaúcho comandou o time entre 2006 e 2010- foi um balde de água gelada na cabeça de quem imaginava novos rumos, ao menos para o time canarinho.

Após a humilhante derrota para os alemães nas semifinais da Copa, muitos (incluindo este inocente que vos escreve) imaginavam que os inapeláveis 7 a 1 marcariam o início de algumas mudanças no futebol do país, a começar por novos ares na comissão técnica da Seleção.

Pois bem. Na primeira aparição em público, ou seja, na primeira entrevista coletiva pós-vexame, o presidente da CBF, José Maria Marín, não estava lá para prestar contas da catástrofe, mas sim para a divulgação do novo coordenador técnico, o ex-goleiro e, até o dia anterior, empresário de jogadores, Gilmar Rinaldi.  

O mesmo que cedeu Adriano, então com 19 anos, e Reinaldo por Vampeta, esse mais lembrado por suas cambalhotas alcoólicas do que por seu futebol. Gilmar, em sua fala mais profunda, disse que com ele o time não usaria bonés incentivando Neymar, fora do jogo, e sim Bernard, que estava em campo (referindo-se ao fatídico Brasil x Alemanha). Sim, é esse sujeito com esse tipo de declaração que vai comandar a ‘revolução’ no nosso futebol. Já o coordenador das categorias de base é o novo guru de Zé das medalhas: Alexandre Gallo, medíocre como jogador e sem nenhum trabalho expressivo como técnico de futebol.

Entretanto, iludidos que somos, imaginávamos que o técnico, ao menos, poderia ser diferente, alguém como Tite, talvez Abel Braga, quem sabe Marcelo Oliveira, atual campeão brasileiro, líder do campeonato. Que nada. Nada poderia ser mais óbvio do que Dunga, companheiro de Gilmar na Seleção há vinte anos. O homem que se encaixa perfeitamente nos padrões reacionários cebeefianos. Estamos fadados –novamente- ao discurso ridículo de pátria de chuteiras, de ser competitivo é o que interessa, de que jogo bonito não ganha campeonato e outras asneiras aleatórias.

Quantas vezes esse discurso se repetiu e nada mudou? Continuamos com perda de memória recente, olhando para o futuro apenas em função da última derrota, rezando por uma boa safra que salve a lavoura.

A ferida está aberta e o sangramento ainda longe de ser estancado. A necessidade de mudanças urge, não podemos mais continuar dependentes do dinheiro das transmissões de TV para a sobrevivência de nossos clubes. Não cabe, nem jamais deveria caber seu uso como moeda de troca política, a irresponsabilidade fiscal tolerada... enfim, quando a utopia paira é melhor encerrar essas linhas.

Em tempo: o Grêmio demitiu o técnico Enderson Moreira após a derrota para o Coritiba pela 12ª rodada do Brasileirão. Mas Enderson não foi mal. Encarou o mais complicado grupo da Libertadores neste ano, passou em primeiro lugar, eliminando nada menos que Newells Old Boys, da Argentina, e Nacional, do Uruguai, classificando-se às oitavas. Invicto. Caiu, nos pênaltis, diante do San Lorenzo, finalista da competição. Para ‘renovar’ o futebol gremista, o presidente Fábio Koff chamou um velho conhecido: Luiz Felipe Scolari. É a regra dos cartolas brasileiros, esconder-se atrás de alguém com as costas largas. Assim fica mais fácil, quando der errado tem alguém que assuma a culpa.

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