Não era
surpresa pra ninguém a conquista da Copa do Mundo pelos alemães, aqui no
Brasil, principalmente depois da humilhante goleada imposta aos donos da casa,
nas semifinais. Antes disso, os germânicos já haviam feito uma boa primeira
fase, tendo dificuldades, apenas, nas oitavas de final, contra a boa equipe da
Argélia, vencendo na prorrogação, e, na sequência, derrotando o forte time
francês pelo placar mínimo.
Dificuldades
que, em nenhum momento, colocou em dúvidas o potencial do grande time comandado
por Joachim Löw, desde 2006. Isso mesmo, 2006! Os alemães, após seguidos
insucessos em Eurocopas e Mundiais, reviram seus conceitos de futebol e
decidiram mudar sua tradicional filosofia de jogo, marcado, historicamente, por
mais força física do que qualidade técnica.
Em 2004,
depois de uma Eurocopa ruim, a Federação Alemã de Futebol demitiu o então
treinador Rudi Völler, vice-campeão do mundo dois anos antes, e decidiu apostar
em outro grande ex-jogador: Jürgen Klinsmann assumiu o comando da equipe,
auxiliado por Joachim Löw, o homem que, oito anos mais tarde, tiraria os
alemães de uma fila de vinte e quatro anos à espera do mais cobiçado troféu
futebolístico de seleções.
O que mais
chama a atenção nessa história de troca de comando técnico é que a Alemanha
sediaria uma Copa do Mundo em 2006, ou seja, seria natural necessitarem de um
resultado a curto prazo. Porém, o que se diz é que os frutos viriam com o tempo
e que vencer em casa, naquele ano, não era obrigação. Algo que, para nós,
brasileiros, tão imediatistas e ansiosos por resultados em pouco tempo, soa um
tanto estranho.
O futebol
jogado pela Seleção Brasileira nessa Copa do Mundo reflete a situação do
esporte no país, nivelado por baixo, se comparado ao futebol jogado nos grandes
centros europeus da bola. Ou, talvez, mais comparado àquele que os alemães
jogavam antes da mudança de filosofia no esporte, onde a força física se sobressai
em relação à qualidade técnica.
Voltando à
Copa de 2006, na Alemanha, os donos da casa não venceram, chegaram apenas às
semifinais –algo que é visto como pouco, para os torcedores de uma seleção tão
rica historicamente. Entretanto, a Federação Alemã de Futebol deu continuidade
ao trabalho da comissão técnica, que perdeu o treinador Klinsmann, mas
manteve seu auxiliar, Löw, e apostou na sequência. De 2006 pra cá foram duas
Eurocopas perdidas pela Alemanha, em 2008 e 2012, e uma eliminação nas
semifinais, novamente, na Copa do Mundo da África do Sul, em 2010. Derrotas que
não foram o suficiente para minar o trabalho de Joachim. Pelo contrário, os
pontos positivos e a renovação no time credenciavam a manutenção da comissão
técnica. Uma aposta que, após 13 de julho de 2014, nenhum alemão e nenhum outro
torcedor de qualquer lugar do mundo contesta.
A Copa que deu certo. Se dentro de campo o resultado foi
desastroso para o Brasil, fora dos gramados o Mundial foi um sucesso. Dada como
possível grande mico pela imprensa/oposição -algo tão nítido no país-, a Copa
do Mundo de 2014 superou as expectativas.
Antes, os
profetas do apocalipse, colunistas prestigiados de revistas elitistas e jornais
claramentes antigovernistas, cravavam que a Copa seria uma decepção, revelaria
as mazelas e a incompetência do país em realizar um evento gigantesco como
esse.
Pensamento
comprado por boa parte da juventude coxinha, criada à base de cereais e
iogurtes gregos, incapazes de ler uma linha sequer sobre política, mas tão
dispostos a compartilharem ‘hashtags’ como o #NãoVaiterCopa ou atribuírem a
culpa de qualquer coisa que não concordem à presidenta.
O fato é que
a Copa do Mundo foi extremamente bem vista por toda a imprensa mundial e por
aqueles que tiveram o privilégio de participar, seja trabalhando nela ou apenas
prestigiando esse evento único.
Que o
sucesso do Mundial de 2014 nos sirva de exemplo quando alguém bradar o velho
complexo de vira-latas. Que não nos esqueçamos os inúmeros problemas sociais
que possuímos, mas que nos lembremos que somos capazes de melhorar sempre.
Dentro e, principalmente, fora de campo.

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