segunda-feira, 14 de julho de 2014

O tetra da Alemanha e a Copa que o Brasil venceu - fora de campo


Não era surpresa pra ninguém a conquista da Copa do Mundo pelos alemães, aqui no Brasil, principalmente depois da humilhante goleada imposta aos donos da casa, nas semifinais. Antes disso, os germânicos já haviam feito uma boa primeira fase, tendo dificuldades, apenas, nas oitavas de final, contra a boa equipe da Argélia, vencendo na prorrogação, e, na sequência, derrotando o forte time francês pelo placar mínimo.

Dificuldades que, em nenhum momento, colocou em dúvidas o potencial do grande time comandado por Joachim Löw, desde 2006. Isso mesmo, 2006! Os alemães, após seguidos insucessos em Eurocopas e Mundiais, reviram seus conceitos de futebol e decidiram mudar sua tradicional filosofia de jogo, marcado, historicamente, por mais força física do que qualidade técnica.

Em 2004, depois de uma Eurocopa ruim, a Federação Alemã de Futebol demitiu o então treinador Rudi Völler, vice-campeão do mundo dois anos antes, e decidiu apostar em outro grande ex-jogador: Jürgen Klinsmann assumiu o comando da equipe, auxiliado por Joachim Löw, o homem que, oito anos mais tarde, tiraria os alemães de uma fila de vinte e quatro anos à espera do mais cobiçado troféu futebolístico de seleções.

O que mais chama a atenção nessa história de troca de comando técnico é que a Alemanha sediaria uma Copa do Mundo em 2006, ou seja, seria natural necessitarem de um resultado a curto prazo. Porém, o que se diz é que os frutos viriam com o tempo e que vencer em casa, naquele ano, não era obrigação. Algo que, para nós, brasileiros, tão imediatistas e ansiosos por resultados em pouco tempo, soa um tanto estranho.

O futebol jogado pela Seleção Brasileira nessa Copa do Mundo reflete a situação do esporte no país, nivelado por baixo, se comparado ao futebol jogado nos grandes centros europeus da bola. Ou, talvez, mais comparado àquele que os alemães jogavam antes da mudança de filosofia no esporte, onde a força física se sobressai em relação à qualidade técnica.

Voltando à Copa de 2006, na Alemanha, os donos da casa não venceram, chegaram apenas às semifinais –algo que é visto como pouco, para os torcedores de uma seleção tão rica historicamente. Entretanto, a Federação Alemã de Futebol deu continuidade ao trabalho da comissão técnica, que perdeu o treinador Klinsmann, mas manteve seu auxiliar, Löw, e apostou na sequência. De 2006 pra cá foram duas Eurocopas perdidas pela Alemanha, em 2008 e 2012, e uma eliminação nas semifinais, novamente, na Copa do Mundo da África do Sul, em 2010. Derrotas que não foram o suficiente para minar o trabalho de Joachim. Pelo contrário, os pontos positivos e a renovação no time credenciavam a manutenção da comissão técnica. Uma aposta que, após 13 de julho de 2014, nenhum alemão e nenhum outro torcedor de qualquer lugar do mundo contesta.

A Copa que deu certo. Se dentro de campo o resultado foi desastroso para o Brasil, fora dos gramados o Mundial foi um sucesso. Dada como possível grande mico pela imprensa/oposição -algo tão nítido no país-, a Copa do Mundo de 2014 superou as expectativas.

Antes, os profetas do apocalipse, colunistas prestigiados de revistas elitistas e jornais claramentes antigovernistas, cravavam que a Copa seria uma decepção, revelaria as mazelas e a incompetência do país em realizar um evento gigantesco como esse.

Pensamento comprado por boa parte da juventude coxinha, criada à base de cereais e iogurtes gregos, incapazes de ler uma linha sequer sobre política, mas tão dispostos a compartilharem ‘hashtags’ como o #NãoVaiterCopa ou atribuírem a culpa de qualquer coisa que não concordem à presidenta.

O fato é que a Copa do Mundo foi extremamente bem vista por toda a imprensa mundial e por aqueles que tiveram o privilégio de participar, seja trabalhando nela ou apenas prestigiando esse evento único.

Que o sucesso do Mundial de 2014 nos sirva de exemplo quando alguém bradar o velho complexo de vira-latas. Que não nos esqueçamos os inúmeros problemas sociais que possuímos, mas que nos lembremos que somos capazes de melhorar sempre. Dentro e, principalmente, fora de campo.

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