quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

O vexame do Galo e o aval a Felipão

(Acabou mais cedo) A derrota do Atlético Mineiro na semifinal do Mundial de Clubes para o modesto Raja Casablanca, do Marrocos, foi sintomática.

O Galo chegou com méritos ao Mundial devido a campanha irretocável na Libertadores. Todos esperavam, no mínimo, que os mineiros chegassem ao jogo decisivo, contra o Bayern de Munique. Perder para os alemães seria natural. Uma vitória sobre o atual time de Pep Guardiola seria mais surpreendente do que uma hipotética vitória do Santos sobre o Barcelona do mesmo Pep, dois anos atrás. Porém, a surpresa ficou com a precoce eliminação do Atlético.
Atlético que se preparou para fazer história. Chegou ao Mundial com praticamente o mesmo time que venceu a Libertadores. As duas únicas mudanças no time foram o lateral-esquerdo Lucas Cândido, que ganhou a posição Junior César na bola, e Fernandinho, que foi contratado no meio do ano para suprir a ausência de Bernard.

O garoto foi um dos destaques no time na conquista da América e foi vendido ao Shaktar Donetsk, da Ucrânia. É nome certo na lista de convocados para a Copa no ano que vem. Seu substituto no Galo, Fernandinho, fez um bom campeonato brasileiro, encaixou no sistema de Cuca. Mas quando tinha de aparecer, a diferença técnica entra os dois foi reveladora. Bernard era a válvula de escape desse time. Time que jogava em função de Jô, outro nome certo na Copa.
O centroavante atleticano fez uma boa Copa das Confederações, chegou à Seleção devido suas boas apresentações no Galo, foi artilheiro da Libertadores, é o atual atacante de referência do Brasil, já que Fred vive no ‘estaleiro’. Mas quando o Atlético mais precisava de Jô, ele não correspondeu. Perdeu dois gols feitos em terras marroquinas, gols que poderiam levar o Galo à decisão. Sucumbiu com o time. Deixou o técnico da Seleção, Luiz Felipe Scolari, certamente preocupado. Felipão que, pela falta de melhores opções, conta com Jô.

Não conta, porém, com Ronaldinho nem com Diego Tardelli, dois jogadores sempre reivindicados pela imprensa na lista de convocados. A desistência por Ronaldinho já tinha se mostrado acertada. R10 não desaprendeu a jogar, se reinventou. É importante para o Galo, resolve, às vezes, na bola parada, acerta alguns passes e só. Não dá para esperar mais de Ronaldinho. Já Tardelli jogou muito bem no Brasileirão, mas foi praticamente invisível quando mais se esperava por ele. Se contava com o Mundial como vitrine para uma eventual convocação, é praticamente peça descartada na Seleção.
Para Felipão, poucas são as dúvidas na lista final. Que, na época da Copa, Oscar esteja bem, Hulk esteja forte; que Fred faça as pazes com o departamento médico e que Neymar esteja iluminado. Só assim teremos alguma chance.

sábado, 14 de dezembro de 2013

De olho na Libertadores 2014

Mesmo rebaixada à série B do campeonato brasileiro, a Ponte Preta esteve a um passo de fazer história. Os campineiros, pela primeira vez em mais de cem anos de existência, chegaram à final da Copa Sul-Americana mas foram derrotados pelo Lanús, na Argentina.

A campanha da Macaca foi digna. Eliminaram Vélez Sarsfield e São Paulo, vencendo ambos em seus respectivos domínios. Porém, após o derradeiro apito, o título ficou para o mais consistente time do torneio: em dez jogos, o Lanús venceu sete, empatou dois e perdeu apenas um. Título merecido.


Mas quem também comemorou muito foi o Botafogo. Depois de 18 anos, volta à Libertadores com a quarta colocação no Brasileirão. Mesmo na etapa classificatória para a fase de grupos é feito histórico.

Libertadores que, após 15 anos, não contará com nenhuma equipe paulista. Os representantes brasileiros são: Atlético Mineiro, atual campeão do torneio, Cruzeiro, campeão brasileiro – esses, previamente escolhidos pela Conmebol como cabeças-de-chave -, Grêmio, vice-campeão brasileiro, Atlético Paranaense e Botafogo, terceiro e quarto colocados no Nacional, entrando na perigosa primeira fase, tendo de disputar um mata-mata antes da fase de grupos. E, por fim, o Flamengo, campeão da Copa do Brasil.
Os outros seis cabeças-de-chave da Champions League das Américas são: Vélez Sarsfield e Newell’s Old Boys, da Argentina, Cerro Porteño, do Paraguai, Peñarol, do Uruguai, Bolívar, da Bolívia e Uniõn Española, do Chile.

Novos chefes. Para a próxima temporada, Corinthians e Santos anunciaram, oficialmente seus novos treinadores. Assumem os alvinegros Mano Menezes e Oswaldo Oliveira, respectivamente.

Protagonista. Ainda sem Messi, em fase de recuperação muscular, o Barcelona goleou o Celtic, pela fase de grupos da Copa dos Campeões, com show de Neymar. O brasileiro marcou três gols. Desencantou na Champions.

Supremo Tapetão. A Portuguesa corre sério risco de ser rebaixada a série B por ter escalado um jogador de maneira irregular na derradeira partida do Brasileirão. Caso o STJD confirme a queda lusitana, o Fluminense sobrevive na elite.

Decote padrão FIFA. A apresentadora global Fernanda Lima é a nova musa da entidade. Após grande sucesso no sorteio de grupos da Copa do Mundo, a ex modelo apresentará também o prêmio ‘Bola de Ouro FIFA’, em janeiro.


Em tempo: o Galo é o Brasil no Mundial de Clubes?

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

As surpresas e decepções do Brasileirão

Com o campeonato futebolístico mais importante do País chegando ao fim, balanços sobre o desempenho de nossos queridos times tornam-se necessários. Faremos, então, uma pequena análise sobre as grandes equipes paulistas nesse Brasileirão 2013.

O Santos, dentre os grandes clubes de nosso Estado, foi quem teve, surpreendentemente, o melhor desempenho. Surpreendentemente porque vendeu Neymar, o melhor jogador do time – e melhor do continente, diga-se – e ninguém fica impune a isso. E mesmo assim conseguiu fazer uma campanha digna. Era impossível suprir a falta do atacante que foi para o Barcelona. Para piorar a situação, a diretoria demitiu o técnico Muricy Ramalho e não contratou outro treinador, efetivando o interino Claudinei Oliveira, que conseguiu organizar o time e dar um padrão de jogo à equipe. O grande destaque foi o meia Cícero, que, depois de marcar 15 gols e ser o segundo melhor em números de assistências no campeonato, pede 100% de aumento salarial para continuar em Santos, em 2014. O Peixe termina o Brasileirão na sétima colocação, com 57 pontos; 15 vitórias, 12 empates e 11 derrotas.

O São Paulo viveu momentos de agonia em 2013. Após ser eliminado pelo arquirrival na semifinal do Paulistão e perder a Recopa para o mesmo time, além de ser massacrado pelo Atlético Mineiro nas oitavas de final da Libertadores, o Tricolor tinha o Brasileirão para se redimir. O presidente trocou o técnico Ney Franco por Paulo Autuori, que só durou dois meses no comando da equipe. Juvenal Juvêncio recorreu, então, a outro velho conhecido e o mais querido treinador: Muricy Ramalho, que pegou o time em 18º na tabela de classificação, correndo grande risco de rebaixamento. Como Muricy conhece bem os corredores do Morumbi, conseguiu salvar a equipe da catástrofe anunciada. Pelo contexto, terminar o campeonato no meio da tabela é para ser comemorado pelos são-paulinos – foram 14 vitórias, 8 empates e 16 derrotas.

Já o Corinthians começou o Brasileirão como franco favorito ao título. Atual campeão Mundial, Paulista e da Recopa, era óbvio ver a equipe do Parque São Jorge como o time a ser batido, mas não foi isso o que aconteceu. Foram, ao todo, 10 derrotas. Porém, foi o time que mais empatou (17) e somou apenas 11 vitórias, o mesmo número de jogos ganhos que o Vasco, rebaixado à série B. Até o Fluminense, que também irá disputar a segunda divisão no ano que vem, venceu um jogo a mais que o Corinthians. Ou seja, retrospecto pífio para time de tamanho investimento. Sem contar o fracasso no desempenho dos principais reforços do time; Renato Augusto ficou muitos jogos de fora, devido as suas muitas lesões, e Alexandre Pato nunca correspondeu ao milionário investimento feito em seu futebol. O que manteve o alvinegro na elite do futebol foi o forte setor defensivo, que sofreu apenas 22 gols, 15 a menos que o campeão Cruzeiro. Mas nem isso foi capaz de manter Tite no comando do time em 2014.

Após 15 anos, a Libertadores não contará com nenhuma equipe paulista. A não ser que a Ponte Preta, que foi rebaixada à série B, vença o Lanús, da Argentina, na decisão da Copa Sul-Americana e se classifique ao torneio mais importante do continente.

Menção honrosa ao Cruzeiro, campeão incontestável, 77 gols marcados e 76 pontos conquistados. Trabalho impecável do bom técnico Marcelo Oliveira.

O craque: Everton Ribeiro, meia do Cruzeiro. Melhor driblador, líder em assitências (11), sete gols e o armador que desequilibra partindo da direita no 4-2-3-1 cruzeirense. Destaque absoluto.

Maior surpresa: Atlético Paranaense. O Furacão veio da série B e a expectativa era a luta para permanecer na elite. Resultado final: Terceiro colocado e garantido na Libertadores 2014.

Maiores decepções: Sem contar os supracitados São Paulo e Corinthians, destacamos Internacional, time de enorme investimento e desempenho pífio (48 pontos e apenas 11 vitórias), e Fluminense. Foi a primeira vez na história do Brasileirão que o campeão foi rebaixado na edição seguinte.

Homem Gol: Éderson, do Atlético Paranaense, com 21 gols.

Curiosidade: É a primeira vez em todos os tempos que o primeiro, o segundo e o terceiro colocados são de estados que não Rio de Janeiro e São Paulo. Um mineiro, um gaúcho e um paranaense, como jamais havia acontecido.

A Seleção do campeonato, na visão de quem vos escreve:

Fábio (Cruzeiro): Jéfferson, Cavalieri e Vítor estão à frente na disputa por vaga na Seleção. Mas Fábio é tão bom ou melhor. No campeonato, sobrou.

Léo (Atlético Paranaense): seguro na marcação e bem no apoio.

Dedé (Cruzeiro): Eficiente nas jogadas aéreas, seguro por baixo. Foi o melhor central.

Dória (Botafogo): Boa colocação e senso de cobertura. Essencial a campanha que leva o Botafogo à zona da Libertadores depois de dezoito anos.

Egídio (Cruzeiro): Alex Telles, do Grêmio, joga mais. Mas o números do lateral celeste falam por si: segundo que mais acertou cruzamentos, sexto em desarmes e passes certos; quatro assistências.

Nílton (Cruzeiro): Forte na marcação, contribuiu com gols importantes. Titular em toda a vitoriosa campanha.

Elias (Flamengo): Rápido, técnico e líder do meio-campo rubronegro.

Everton Ribeiro (Cruzeiro): O craque. Disparado o melhor jogador.

Ricardo Goulart (Cruzeiro): Meia central e ponta-de-lança, deixou Julio Batista no banco e, por vezes, ainda supria a ausência de Borges no comando do ataque. Muito eficiente.

Éderson (Atlético Paranaense): Impossível deixar de fora da lista o artilheiro da competição.

Walter (Goiás): As chacotas sobre o visível sobrepeso foram diminuindo conforme os gols marcados. Foram 13 no total e 6 assistências. A qualidade para bater na bola impressiona.

E você, qual a sua seleção do campeonato?


terça-feira, 3 de dezembro de 2013

As últimas impressões (sobre as primeiras)

Lá pelo fim do primeiro turno do Brasileirão, entre agosto e setembro, escrevi uma pequena análise para a coluna em que assinava no jornal 'Folha de Avaré', que agora está agregado ao maior jornal da região, o 'Sudoeste Paulista'. A coluna falava sobre as primeiras impressões sobre o potencial dos times, sobretudo visando o desempenho até então. 

Como, por algum motivo que não me lembro agora, não publiquei-a nesse deserto virtual, reproduzirei minhas previsões aqui, fazendo um paralelo, em parêntese, com a atual situações dos times . Duas apostas foram certeiras; já as outras, bem, segue o jogo...



Primeiras impressões

Passada a primeira metade do primeiro turno do campeonato brasileiro de 2013, algumas equipes começam a despontar na ponta da tabela enquanto outras demonstram suas instabilidades. Talvez ainda seja cedo para apontarmos favoritos ao título, times que vão lutar por uma vaga na Libertadores, ou aqueles que lutarão para sobreviver na elite futebolística do Brasil.

Mas fazer apostas, simular prognósticos ou simplesmente arriscar quem chega e quem cai faz parte da cultura do torcedor. Para este que vos escreve, a briga pelo caneco já está restrita a apenas três times. Sim, apenas três. Explico (ou tento).

Não vejo, por exemplo, o Botafogo com gás o suficiente para chegar ao fim brigando pelas primeiras posições, quiçá pelo título. A equipe do técnico Oswaldo de Oliveira vem jogando um bom futebol, apresenta uma certa regularidade, tem bom jogadores e um meio-campista excepcional: o holandês Clarence Seedorf. Porém, quando as atenções forem divididas com a Copa do Brasil – este ano, o torneio tem suas fases decisivas paralelas com o Brasileirão - , o Botafogo deve sofrer com a reposição no time principal, que é bom, diga-se. Mas o elenco é carente. Ao contrário do Cruzeiro.


O time da capital mineira foi um dos que mais se reforçaram para esse Nacional. Jogadores muito bons, alguns ótimos, foram contratados. É o caso de Dedé, Nílton, Éverton Ribeiro, Ricardo Goulart, Dagoberto, Borges e o repatriado Júlio Batista, que nem chegou a estrear. Ou seja, a Raposa tem um elenco recheado de opções e vem fazendo um bom campeoanto até a aqui, sempre brigando pela liderança. Pela força do conjunto, a diversidade de atletas à disposição e pelo bom trabalho do excelente técnico Marcelo Oliveira, pode-se dizer que o Cruzeiro é uma aposta real para o título desse ano, mesmo disputando, paralelamente, as fases decisivas da Copa do Brasil.

(Até aqui, acertei na mosca. O Botafogo perdeu o gás na reta final e corre o risco de ficar fora até da zona classificatória à Libertadores. Tem de vencer a derradeira partida, contra o Criciúma, que luta contra o rebaixamento, além de torcer contra Goiás e Vitória, seus concorrentes diretos na última vaga para o torneio continental.)

Assim como o Internacional. Os comandados de Dunga tem oscilado bastante, é verdade, mas as diversas opções de qualidade no elenco colorado, a base dos últimos anos mantida e contratações pontuais, como Jorge Henrique, Alex e Scocco, dão credibilidade para apostas mais altas. Isso se a diretoria der sequência no trabalho e não trocar o comando técnico no decorrer da disputa, o que tem sido frequente no Internacional, nos últimos anos – o que explica, talvez, a falta de títulos dos vermelhos no campeonato brasileiro.

(Os Colorados fazem campanha pífia nesse Brasileirão. Faltando três pontos em disputa, ainda correm o risco, mesmo que matemático, de serem rebaixados. Algo que pareceria improvável na época de minha insignificante análise, devido ao investimento feito pelo clube. Dunga, o técnico, caiu faz tempo. Na ocasião, a demissão até pareceu justa, porém, Clemer, o substituto, não deu conta do recado, e o Internacional tem 2013 como um ano para ser esquecido.)

Já o Coritiba, assim como o Vitória, são times que fazem um belo começo de Brasileirão, tem bons jogadores e dois técnicos bem atualizados. Porém, a meu ver, o que pesa contra essas equipes é falta de elenco para se manter no topo, principalmente quando ambos os times entrarem na disputa da Copa Sul-americana. Talvez, uma disputa por vaga na Libertadores, via Brasileirão, seja mesmo um grande triunfo.

(Vejam bem. Nesse parágrafo, fui bem em partes. O Vitória tem chances de se classificar à Libertadores. Precisa vencer sua partida contra um Atlético Mineiro, pensando no Mundial de Clubes, além de torcer contra Botafogo e Goiás, seus respectivos concorrentes. Já minhas previsões sobre o Coritiba foram totalmente furadas. O Coxa, após um início promissor, despencou a ladeira. A diretoria mandou o técnico Marquinhos Santos embora, contratou Péricles Chamusca, que nada resolveu e o dispensou. Tcheco, ex jogador do time, assumiu o comando e tenta salvar o time da degola. Basta vencer o São Paulo fora de casa para se salvar. Ou torcer para tropeços de Vasco e Fluminense.)

Fechando minha lista de candidatos ao título, destaco o Corinthians. Talvez o mais ameaçador dos times que, hoje, disputam a parte de cima da tabela. O time do técnico Tite joga junto há três anos, perdeu seu principal jogador – Paulinho foi vendido ao Tottenham – mas manteve a base. Seus dois principais reforços para a temporada, Alexandre Pato e Renato Augusto, são reservas de luxo. Edenílson vem, aos poucos, tomando o lugar do capitão do Mundial, Alessandro. Guilherme vem suprindo a carência no meio deixado pelo ex-camisa 8 e Romarinho não deixa Tite tirá-lo da equipe. A força do conjunto corintiano é a principal arma para a conquista do caneco.

(Pensei em deixar esse parêntese em branco. Mas, pensando bem, quem não apostaria no campeão mundial? Pois é, muitos, assim como eu, apostaram errado. O Corinthians decepcionou, não chegou nem perto da zona da Libertadores e protagonizou os jogos mais chatos do campeonato. Com isso, nem Tite se mantém no cargo para a próxima temporada.)

Há, ainda, outras boas equipes que não devem ser menosprezadas, como o Atlético Mineiro, campeão da Libertadores, mas que, ao que tudo indica, deve focar no Mundial de clubes da FIFA e abdicar da disputa do campeonato nacional, o que é uma pena. E, só para fazer justiça, não nos esqueçamos do Bahia, de Cristóvão Borges, que vem fazendo um ótimo trabalho, mas que já será classificado como santo se levar o time a disputa da Libertadores do ano que vem. É isso: Corinthians, Cruzeiro e Internacional, pra mim, os potenciais campeões nacionais de 2013.

(Bem, é isso. Prognósticos à parte, o Brasileirão foi de um nível técnico bem abaixo das expectativas. Mas fazer previsões fazem parte do futebol, e em um campeonato tão cheio de grandes times como o nosso, acertar todas as previsões é praticamente impossível. O que de melhor nos resta agora é acompanhar a última rodada, que trará alegrias para alguns, e decepções para outros.)

                               Everton Ribeiro, o melhor do Brasileirão

sábado, 23 de novembro de 2013

Os oito campeões

A semana futebolística foi de definições sobre as últimas seleções classificadas para a Copa do Mundo de 2014, que será, como todos sabemos, aqui no Brasil.

                                               Cristiano comemora vaga

As maiores expectativas estavam sobre Portugal, França e Uruguai. Os dois últimos, por serem campeões do mundo, e os ‘patrícios’, por terem, hoje, o melhor jogador do planeta, Cristiano Ronaldo. E essas três seleções não decepcionaram.
França vence a Ucrânia e se classifica ao Mundial
França vence a Ucrânia e se classifica ao Mundial                                                   

Portugal eliminou a Suécia em dois jogos, pela repescagem europeia, com quatro gols do gajo mais famoso. A França, que corria sério risco de ficar de fora do Mundial, venceu a Ucrânia por 3 a 0 após perder o jogo de ida por 2 a 0. E o Uruguai apenas carimbou o passaporte ao empatar com a modesta seleção jordaniana, em Montevidéu, depois de vencê-la por 5 a 0, fora de casa.

                                 Uruguaios estarão presentes no Brasil

Teremos, então, os oito campeões mundiais na Copa do Mundo do ano que vem, que tem tudo para ser uma das mais legais da história, sobretudo pelo atual nível técnico dos times. São eles: Brasil, Argentina, Uruguai, Itália, Alemanha, Espanha, Inglaterra e França.
Desse grupo, os três países sul-americanos serão cabeças-de-chave. Já do grupo europeu, apenas Alemanha e Espanha – os outros três ‘cabeças’ serão Colômbia, Bélgica e Suíça. Ou seja, é possível que o Brasil enfrente alguns gigantes da bola já na fase de grupos, como Itália ou França ou Inglaterra. Isso porque o critério usado pela FIFA para a escolha desses times é referente à posição atual de cada equipe no contestável ranking da entidade.


                      Hulk marcou em amistoso contra o Chile
                                            
Das equipes sul-americanas, o Brasil é quem chega mais forte. Não apenas por jogar em casa, mas pelo crescimento técnico do time. Poucas são as dúvidas em relação ao time na cabeça de Felipão. Dentre elas, o terceiro goleiro (Cavalieri ou Vítor), um zagueiro (Dedé, Réver ou Marquinhos?), um reserva para Oscar (Willian ou Lucas) e um atacante (Nesse caso, o treinador pode optar por Robinho como terceira opção para o ataque e incluí-lo na vaga de alguém do meio-campo, já que Fred e Jô, se estiverem à disposição, na época da convocação final, são nomes certos).

                                                Lahm, o capitão alemão

Das equipes europeias, a Alemanha é quem atravessa o melhor momento. Além de contarem com trabalho de longa data do bom técnico Joachim Low, possuem jogadores do mais alto nível técnico. Os ‘germânicos’ estão, hoje, um degrau acima das sempre perigosas Itália e França e, até mesmo, da atual campeã mundial e europeia, a Espanha.

Portanto, a Copa do Mundo no Brasil tem tudo para oferecer grandes jogos. Quem sabe, Argentina e Portugal: Lionel Messi vs Cristiano Ronaldo logo na fase de grupos?

                                               Seria uma boa, não?

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Robinho, o agregador

A Seleção Brasileira jogou suas últimas partidas no ano nos dois amistosos, agora em novembro, contra Honduras e Chile, respectivamente.
 
Na lista dos últimos convocados, as novidades foram o zagueiro Marquinhos, da Roma, o meia Willian, do Chelsea – esses dois, debutando na Seleção - e Robinho, do Milan, esse, sendo destaque por ser chamado para o grupo de Luiz Felipe Scolari pela primeira vez desde o retorno do comandante. Não por acaso.

Robinho voltou a jogar bem pelo clube italiano, tem atuado com regularidade e mais perto do gol adversário, quase como um centroavante, o que nunca foi na carreira. Não fosse a carência de bons atacantes brasileiros no momento, a convocação do ex- santista seria contestável. Robinho nunca correspondeu às expectativas geradas por ele após encantar o país, em 2002, brilhando no campeonato brasileiro daquele ano e dando o primeiro título nacional ao Peixe desde que Pelé pendurou as chuteiras.
 
Após deixar a Vila Belmiro, em 2005, o atual camisa 7 milanista teve uma passagem de altos e baixos pelo Real Madrid, foi vendido por um caminhão de dinheiro para o milionário Manchester City, onde nunca justificou a fortuna investida. Em 2010, teve um breve retorno ao Santos, onde apresentou lampejos de seu futebol-moleque, foi campeão paulista e grande nome do Brasil na Copa daquele ano. Porém, sucumbiu junto aos comandados de Dunga. Já no Milan, Robinho deixou de ser a estrela para se tornar um mero coadjuvante. Na Seleção, o menino nascido em Cubatão andava esquecido, mas Felipão resolveu lhe dar uma chance.

Robinho chega em um momento de definições para a lista de observações finais para a Copa do Mundo de 2014. Tem à seu favor o bom relacionamento com os jogadores, é visto como um cara de grupo, agregador ao bom ambiente desejado pela atual comissão técnica, que sabe que é um risco contar com Fred, costumeiro frequentador do departamento médico do Fluminense, e Alexandre Pato, que ainda não decidiu se casa ou compra uma bicicleta.

Chances, na vida de Robinho, nunca faltaram. Talvez a melhor delas esteja aí. Basta o atacante saber aproveitá-la.
 
                                                        Próximo da Copa?

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Fora do Eixo


                           Everton Ribeiro: o melhor jogador do campeonato

O ano de 2013 marcou a décima primeira edição do campeonato brasileiro disputado na fórmula de pontos corridos. Até o ano de 2002, nenhum Brasileirão tinha sido conquistado sem que o campeão fizesse ao menos uma partida decisiva, passasse por uma fase de mata-mata, ou, até mesmo, disputasse até três jogos na decisão – como era costume nos anos 1970 – para levantar a taça. Porém, de 2003 pra cá, isso mudou.

Nas primeiras edições da atual fórmula, o sistema era contestado por muitos torcedores, diversos comentaristas esportivos e, sobretudo, pelos inúmeros corneteiros de plantão. A mudança provocava controvérsias e discussões interessantes. Os defensores do antigo formato diziam que, sem mata-mata, o campeonato não tinha emoção. E, de fato, na primeira edição, o Cruzeiro ganhou com uma certa tranquilidade, sem parecer fazer muito esforço. Como agora.
Dez anos depois, a história parece se repetir. Os mineiros azuis só precisam vencer o Grêmio, em casa, e torcerem para o Atlético Paranaense – o vice-líder – não derrotar o São Paulo para levantarem o troféu, faltando, ainda, cinco rodadas para acabar o torneio. Seria o campeão mais rápido da era dos pontos corridos. Contudo, dizer que esse modelo de disputa não proporciona emoção é o mesmo que não acompanhar o campeonato.

A luta pelas vagas de acesso à Libertadores do ano que vem é extremamente disputada, não há previsões claras sobre quem estará entre os melhores no fim. Assim como a disputa rodada a rodada para fugir das últimas fatídicas quatro posições, aquelas que rebaixam os times para a segunda divisão.
Não há como não enxergar emoção. Não há também como não enaltecer o Cruzeiro, do bom técnico Marcelo Oliveira, que cresceu durante o Brasileirão, venceu jogos difíceis e mostrou, quase sempre, um bom futebol – outro ponto à favor é que esse modelo premia sempre o melhor time, algo que, às vezes, não acontece em copas - . Além disso, leva o título para Minas Gerais, algo que não acontece há dez anos. Aliás, nas dez edições das vitórias que valem três pontos na tabela, apenas na primeira o caneco não foi parar em São Paulo ou no Rio de Janeiro, o que é até compreensível devido ao poder econômico desses estados, mas que não é muito interessante para o campeonato.

O fato é que o Cruzeiro se preparou para ser campeão. Montou, praticamente, um time inteiro, fez contratações pontuais, apostou em jogadores talentosos e em peças de reposição à altura. Gastou quase 40 milhões de dinheiros nacionais para construir o time inteiro. Curiosamente, o mesmo valor que um certo time gastou para contratar um único jogador.
Por planejamento, investimento correto e futebol de qualidade, o título cruzeirense é mais do que merecido.

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Palmeiras Série A

Rebaixado à Série B do campeonato brasileiro pela segunda vez em uma década, o Palmeiras cumpriu o seu dever de time grande, na segunda divisão, e conseguiu, antecipadamente, o acesso de volta à série A.

“O Palmeiras é um time de série A, que disputou, esse ano, a série B”, disse o presidente Paulo Nobre. Se formos analisar os números da tranquila campanha atual, evidenciaremos o desnível técnico entre o Palmeiras e seus concorrentes nessa tortuosa saga de volta à elite do futebol. Mas, no fundo, o torcedor não quer se apegar aos números, quer mais é comemorar a volta ao lugar de onde nunca queria ter saído.
O Palmeiras retorna ao nicho em que lhe cabe. E em ano especial, o do primeiro centenário da imponente Società Sportiva Palestra Itália, fundada por imigrantes italianos e seus descendentes em 1914. O regresso, porém, ganhará relevância se significar, também, o ressurgimento de um time forte, competitivo, para desempenhar papel de protagonista, como foi a vocação ao longo do tempo, e não a de coadjuvante ou humilde figurante.
A definição da comissão técnica também se torna fundamental para traçar os planos do ano que vem. A torcida quer saber se Gilson Kleina continua no comando do time ou se a diretoria irá atrás de um técnico de ‘grife’ – o atual treinador está longe de ser unanimidade no clube e na arquibancada.

O Palmeiras continua jogando a Série B, por ora, mas com a cabeça e os planos voltados para 2014. A espinha-dorsal do time deve ser aproveitada, é boa: Fernando Prass, Henrique, Wesley, Valdívia e Alan Kardec formam a base de uma equipe que deve ser remontada para a disputa de um campeonato bem mais difícil e muito mais interessante.
Comemorar o acesso é legítimo. O título é questão de tempo, virá em algumas rodadas. Talvez com o gosto amargo de quem já provou dissabores e anda um tanto quanto calejado. Contudo, o que mais importa para o torcedor alviverde é que o time, no ano que vem, não mais jogará as terças, sextas e sábados. Jogará às quartas-feiras, depois da novela, fará clássicos com Corinthians, São Paulo e Santos, aos domingos, e, principalmente, deixará de ser chacota no papo entre amigos.

Bem-vindos de volta, Palestrinos!

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

O retorno de Kaká


A atuação de Kaká diante do Barcelona, pela fase de grupos da UEFA Champions Legue, foi animadora. Era a primeira participação do brasileiro na competição desde que voltou a jogar pelo Milan. E o camisa 22 foi muito bem.

Há tempos não se via o futebol que Kaká mostrou ao mundo nos seus melhores dias. Não digo que foi brilhante, porém o ex são-paulino provou que talento ainda tem de sobra. Se já não possui o mesmo vigor físico que demonstrava quando foi o melhor jogador do mundo, em 2007, Kaká deixou claro que ainda pode ajudar muito o Milan e - por que não? - a seleção brasileira.

O jogo de terça-feira terminou empatado pelo placar mínimo, mas valeu mais pelos lances protagonizados pelo meio-campista, que jogou mais aberto pela esquerda, e por Robinho, autor do belo gol rossonero, após excelente tabela entre ambos, relembrando os bons tempos em que jogaram juntos na Seleção.

E por falar em Seleção, Luis Felipe Scolari ainda não encontrou – se é que realmente procura - um reserva para Oscar. Felipão, quando não tem o meia do Chelsea à disposição, como nos amistosos contra Austrália, Portugal e no primeiro tempo do jogo contra Zâmbia, improvisa Ramires no setor. Excelente jogador, também, mas longe de ser o meia-de-ligação clássico que o Brasil cansou de produzir. É fato que Kaká também não seja exatamente esse jogador, mas, tecnicamente, atributos não lhe faltam.

A concorrência nessa posição existe, mas não há, no momento, nenhum jogador que encha os olhos de Felipão, nem da crítica esportiva. Ganso, em constante evolução no São Paulo, pode ser esse jogador. É diferente de Oscar, mas capaz de ser o meia-armador ideal para suprir uma possível ausência de Oscar. Contudo, o camisa 8 tricolor não agrada muito o treinador brasileiro.

Analisando dessa maneira, talvez Kaká tenha alguma chance, mesmo que remota, de encontrar um espaço no grupo dos vinte e três convocados para a Copa do Mundo de 2014.

Por fim, e contrapondo tudo isso, não creio que o objetivo principal no atual momento da carreira de Kaká deva ser esse. O mais importante, agora, é manter um bom nível de atuações com a camisa do Milan, jogar com regularidade e buscar títulos para seu clube. Aí, então, o retorno à Seleção será inevitável.

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Tite fica

(Até quando, não sei) Após mais uma derrota do Corinthians, dessa vez para o Grêmio, a diretoria alvinegra reuniu-se no CT do Parque Ecológico, na última quinta-feira, para discutir a permanência de Tite no comando técnico do time.

A pressão de conselheiros pela saída do treinador era grande, mas o presidente Mário Gobbi não cedeu, devido ao enorme respeito pelo gaúcho, responsável pelas maiores conquistas da história do Corinthians.

Sair, no atual momento, seria pela porta dos fundos, e isso Tite não merece. O técnico tem sua parcela de culpa pelo péssimo momento do time no campeonato, cada vez mais perto da zona incômoda da tabela. Mas não é o único responsável. Jogadores, outrora fundamentais, como Danilo e Emerson Sheik, principalmente, caíram muito de produção, sem contar com a saída de Paulinho, vendido ao Tottenham no meio do ano.

Além disso, jogadores que chegaram com a missão de renovação técnica não contribuem, casos de Pato, que não é nem sombra do que se espera, e Renato Augusto, frequentador assíduo do departamento médico – nem vamos citar as contratações inexplicáveis de Íbson e Maldonado.

É claro que Tite teria de achar um novo jeito para o time jogar, mas até agora isso não aconteceu. Porém, o técnico conhece bem o elenco e tem o carinho dos jogadores. A crise é puramente técnica e passa diretamente pelo desempenho dos atletas. Contratar um novo treinador a essa altura do campeonato seria arriscado demais. Em 2007, Nelsinho Batista chegou para salvar o time da degola faltando 11 jogos para o fim e o Corinthians caiu.

Talvez, pensando nesse caso e na própria permanência de Tite, quando toda a torcida pedia a cabeça do técnico após a fatídica eliminação diante do Tolima, na Libertadores de 2011, Mário Gobbi tenha decidido por mantê-lo no comando.

A atitude merece respeito e reverência, devido a nossa ultrapassada cultura de futebol de resultados. No entanto, se o presidente acertou ou não, somente os 27 pontos em disputa dirão.


-Em tempo: Tite pode sair pela porta da frente ou até mesmo renovar seu contrato que se encerra em 31 de dezembro desse ano. Basta manter o time na elite. Ou, ainda, vencer a Copa do Brasil e colocar o Corinthians na Libertadores do ano que vem.

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

O risco Paulista

(Atualizando aqui com a coluna esportiva feita especialmente para o jornal...)

Frequentadores costumeiros da Champions League das Américas, as equipes paulistas correm sério risco de, pela primeira vez em quinze anos, ficarem de fora da próxima edição da Libertadores.
Existem várias vias de acesso para se chegar a principal competição futebolística de nosso continente. A que mais atrai os clubes é a via-Brasileirão, pela disponibilidade de vagas: os quatro primeiro colocados do campeonato nacional de pontos corridos estão automaticamente na Libertadores do ano seguinte. É fato que o quarto colocado ainda tem de torcer para que nenhum clube brasileiro conquiste a Copa Sul-americana, competição paralela que premia o campeão com uma chance entre os melhores da América. Porém, nesse caso, excluindo o último classificado conterrâneo, ou seja, o quarto colocado do Brasileirão.

E entre os quatro melhores times do certame tupiniquim das vitórias que valem três pontos, nenhum clube paulista passa perto. O que mais se aproxima, no momento, é o Santos, que parece mais torcer para que 2013 acabe o quanto antes. Sem muito alarde, os praianos parecem cumprir tabela e não dão muitas declarações entusiasmadas nem demonstram, principalmente, um futebol empolgante que faça a torcida sonhar, tampouco almejar uma vaga no torneio continental de 2014.
A Portuguesa, que faz uma campanha de recuperação nesse segundo turno, caminha próxima ao Santos, mas em franca ascensão. Dada como provável candidata ao rebaixamento, a Lusa contratou o técnico Guto Ferreira, ex-Ponte Preta, no decorrer do campeonato, e o novo treinador mudou os planos do clube, traçando o caminho das vitórias e o bom futebol do time. O cenário mais previsível é que, assim como o Peixe, a Portuguesa fique onde está: no meio da tabela.

Já o Corinthians era tido como candidato natural ao título antes mesmo de começar o campeonato. Time experiente, atual campeão mundial e com um treinador querido e respeitado pelos jogadores – além de competente. O Timão começou oscilante, perdia uns jogos, ganhava outros, e logo estava entre os quatro. Era questão de tempo, a liderança. Mas uma sequência incrível de resultados negativos, atribuídos, com razão, aos muitos desfalques do time, minaram qualquer possibilidade de caneco alvinegro. O título passou de sonho a devaneio, e a vaga na Libertadores, via-Brasileiro, fica mais distante a cada rodada. A preocupação agora é mais com a parte debaixo da tabela do que com o topo, embora o discurso seja outro. A única possibilidade plausível de estar na elite das Américas é vencer a Copa do Brasil.

Assim como o arquirrival, quem olha mais para baixo do que pra cima na tabela é o São Paulo. Hoje, sob o comando de Muricy Ramalho, os tricolores se encontram em posição nada confortável, lutando rodada à rodada para fugir da zona da degola. Não por acaso. A posição atual é consequência de equivocadas decisões da conturbada diretoria, que trocou Ney Franco por Paulo Autuori e, em menos de dois meses, o demitiu e contratou Muricy para salvar o time do que poderia (ainda pode) ser o pior ano da história do clube. Curioso é que, mesmo lutando para não ser rebaixado, o São Paulo ainda pode sonhar com a Libertadores do ano que vem. Basta vencer a Copa Sul-americana, torneio no qual é o atual campeão.


Da série A para a série B, a Ponte Preta tem o caminho já pavimentado. É o pior paulista do campeonato e candidato provável para disputar a segundona, no ano que vem.
Da série B para a série A, o Palmeiras caminha tranquilo, sem muitas preocupações, embora tropece de vez em quando. Mas o acesso é inevitável. Porém, Libertadores no ano do centenário é inviável, pois a única porta de entrada, para os palestrinos, nesse ano , já foi fechada, com a eliminação nas oitavas de final da Copa do Brasil.

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

O dia em que a Júlia nasceu

(Entrar no corredor da maternidade e não lembrar de quando o Gabriel nasceu é impossível. Foi o dia mais importante pra mim. Lembro como se fosse hoje, mesmo há quase cinco anos.)

A consulta no médico era às quatro da tarde, já marcada na semana anterior. Corri do trabalho pra casa, buscar a patroa, que já estava pronta há umas 48 horas. Fazia calor naquela sexta-feira. Cheguei com muita sede, abri uma cerveja e tomei como quem bebe um copo d’água no deserto. Minha vontade era de embriagar-me naquela mesma hora, só para conter a ansiedade, mas tinha de estar sóbrio.

Esperamos um tempão, no consultório, até chegar a nossa vez. E foi tudo como previsto, a hora chegara, a Júlia estava pronta e a Rosana estava bem. O doutor disse que poderíamos ir direto para o hospital: seríamos pais, novamente, naquela noite. Nessa hora, mesmo com toda aquela expectativa e a experiência já vivida, bate uma sensação de euforia, tensão e felicidade.

Entramos pelo mesmo corredor. Não há como não passar aquele mesmo filme em sua mente. Mas dessa vez era diferente, além de um pouco mais velhos (mas não tão mais experientes assim), seríamos pais de uma menininha. Sim, uma menininha. Para um pai, isso faz toda a diferença. No quarto, nos acomodamos e esperamos, tranquilamente, a chamada para a sala de cirurgia. Minha sogra querida estava conosco e, para distrair a emoção, lembramos da última vez em estivemos ali e pelos bons momentos em que passamos até voltarmos àquela mesma situação.

Não demorou muito e fomos chamados. Assim como na primeira vez, estava pronto para assistir o parto. E fui. Antes, passamos por uma espécie de vestiário, o médico e eu, para colocarmos as vestimentas necessárias para adentrar na sala de cirurgia. No caminho, uma das enfermeiras avisou ao doutor que não tinha conseguido o contato com o pediatra que solicitamos - o mesmo de nosso filho. O doutor perguntou se a enfermeira tinha ligado na casa do médico, e ela disse que sim, mas ninguém atendia. Sem se importar com minha presença e muito menos com minha reação, soltou um bem soletrado puta-que-o-pariu ao saber que o pediatra de plantão não era de seu agrado. Tentei ficar tranquilo, afinal, confiava naquele homem de jaleco, apesar dos palavrões. E ao perceber minha preocupação diante da sua tentou me acalmar dizendo que estava tudo bem.
A tensão em relação ao médico pediatra durou pouco, já que alguns minutos antes de começar, a mesma enfermeira disse que tinha conseguido entrar em contato com uma pediatra amiga, mais chegada ao doutor, e que já estaria a caminho. Senti um certo alívio da parte da equipe médica (curioso, isso; relações de parcerias profissionais há em todos os meios).

Eram oito e pouco da noite quando me chamaram para entrar na sala. A mesma sala de antes. Olhei as horas. Gravei em mente o primeiro corte do bisturi; tentei ficar calmo, me concentrar e, apesar do barulho dos instrumentos cirúrgicos e da conversa no ambiente, ouvia os ponteiros do relógio ao lado de fora, cuja visão se dava através de um vidro na parede onde fiquei encostado.

O primeiro choro é inesquecível. O comentário do doutor também: "nossa, grandona ela, hein?" "É, não puxou o pai", disse outra enfermeira sem-graça, com um ligeiro ar de deboche perante minha estatura não muito avantajada. Logo, a médica pediatra já pegou a Júlia no colo e a levou para uma sala ao lado. Pela primeira vez muito próximo a minha filha, chorei. Chorei de emoção, de alegria. Perguntei à pediatra se estava tudo bem, ela disse que sim, "a menina é perfeita". Era tudo o que eu queria ouvir.

A troca de ‘salas’continuou e, após levarem rapidamente a menina para a mãe ‘dar a benção’, fomos para outro lugar onde se tiram as medidas, o peso, fazem o teste auditivo e o pai pega o bebê no colo antes de entrar na fila da família babona que espera ao lado de fora.

Ao voltar pelo corredor da maternidade, todos que já esperavam debruçados na parede transparente da salinha dos recém-nascidos vieram me abraçar e saber como era a pequenina. Disse que era moreninha, diferente do irmão, loirinho, e que era muita linda e parecida com ele. A curiosidade da família só aumentou, mas durou pouco, pois logo a nova integrante estaria ali, perante todos.Os flashs começaram logo que a enfermeira posicionou, estrategicamente, a garotinha para a primeira e talvez mais importante sessão de fotos de sua vida. A babação era grande. O momento é único. A alegria, incomparável.
Não vou dizer que passa um filme de toda a sua vida naquele momento. Não dá tempo. É tudo rápido demais. Da euforia pela nova vida entre nós, vem uma calma quase que budista quando todos se vão e ficamos a sós embaçando o vidro do berçário, venerando aquele presente de Deus e, ao mesmo tempo, carregando toneladas de responsabilidades futuras em mente.

Dormir em hospital nunca é confortável, mesmo quando a causa é nobre. Nosso ‘plano de parto’ não permitia acompanhantes para passar a noite, mas como a maternidade estava tranquila naquela sexta-feira fiquei por ali mesmo. Para minha sorte, havia um pequeno sofá no quarto e, como não sou muito alto, ainda pude esticar as pernas (nós, os baixinhos, somos ecologicamente viáveis para o planeta, já que consumimos menos e ocupamos pouco espaço). Peguei no sono logo, antes mesmo de acabar o ‘Globo Repórter’ - apesar de simples, havia uma TV 14 polegadas. A Rosana só relaxou na hora em que levaram a Júlia para o quarto (devido ao excesso de sono, não lembro a hora, apesar de ter olhado no relógio). A menina estaria pronta para a primeira mamada, e a mãe, apesar da dor, respirava aliviada por ter, pela primeira vez, a filha em seus braços.


Logo pela manhã, e após uma grande sessão de olhares apaixonados e a contemplação por minha garotinha, tive de partir para o trabalho. Despedi-me de minhas meninas e saí. Saí carregando as noites mal dormidas que estariam por vir, as preocupações naturais que só os filhos nos proporcionam e, principalmente, a responsabilidade de zelar por um novo ser nesse mundo um tanto confuso em que vivemos. Mas com um sorriso inevitável e muito mais feliz de quando entrara.

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

As chances de Pato

A Seleção brasileira convocada para os amistosos contra Austrália e Portugal, respectivamente, perdeu, devido a uma contusão muscular, o centroavante Fred, do Fluminense, artilheiro do Brasil, desde que Felipão reassumiu o comando técnico do time. Fred, ainda em recuperação, ficou fora das convocações paras os amistosos seguintes, contra Zâmbia e Coreia do Sul.

De contestável na ‘Era Mano Menezes´, a jogador imprescindível com Luis Felipe Scolari, Fred é o melhor camisa 9 do Brasil. Experiente, técnico e goleador, ganhou pontos com o treinador – e com a torcida – devido a sua excelente Copa das Confederações. Seu substituto natural é Jô, centroavante do Atlético Mineiro, campeão da Libertadores e que também fez uma boa Copa das Confederações, sempre substituindo Fred e dando conta do recado.
Mas a aposta e outra alternativa para o ataque é Alexandre Pato. O camisa 7 corintiano entrou na partida contra a Austrália e deixou sua marca. Contra Portugal também começou no banco de reservas, entrou no segundo tempo mas quase não foi notado em campo. Outrora alento e natural herdeiro da ‘9’ brasileira, Pato sequer é titular em seu clube.
O talento de Pato é e sempre foi indiscutível. Jogador técnico e de fino trato com a bola, o atacante de 24 anos oscila demais. Não mantém uma sequência de jogos no mesmo nível e, por isso, não é o jogador inquestionável que, teoricamente, teria de ser. O rótulo de eterna promessa sempre vem à tona quando a fase não é boa. Mesmo assim, Felipão resolveu dar chances a ele. E chances, na carreira de Pato, é o que nunca faltaram.

O garoto apareceu para o futebol quando tinha 17 anos, jogando pelo Internacional, e logo foi campeão do mundo com o Colorado, vencendo o Barcelona de Ronaldinho Gaúcho. Após seu sucesso repentino e meteórico, foi vendido ao Milan e lá alternou bons e maus momentos. Por vezes, aparecia mais na mídia devido aos seus romances com atriz global ou filha de ministro, do que pelo que fazia dentro de campo. Os italianos, então, resolveram abrir mão de seu futebol – por uma boa quantia financeira, é fato.
De volta ao Brasil, Pato ganha nova oportunidade para se firmar com a camisa da Seleção. Contudo, o que fica evidente com suas recentes convocações é que Felipão aposta em Alexandre não apenas pelo seu talento, mas, sim, pela falta de melhores alternativas no momento.

Há uma opção melhor do que Pato? Quem? Leandro Damião, inconstante no Internacional? Diego Tardelli, que vem muito bem no Galo, porém jogando pelos lados do campo? ou Wálter, o gordinho matador do Goiás?
Talvez, Felipão esteja mesmo certo.

                                                                                   (Será?)