sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Fora do Eixo


                           Everton Ribeiro: o melhor jogador do campeonato

O ano de 2013 marcou a décima primeira edição do campeonato brasileiro disputado na fórmula de pontos corridos. Até o ano de 2002, nenhum Brasileirão tinha sido conquistado sem que o campeão fizesse ao menos uma partida decisiva, passasse por uma fase de mata-mata, ou, até mesmo, disputasse até três jogos na decisão – como era costume nos anos 1970 – para levantar a taça. Porém, de 2003 pra cá, isso mudou.

Nas primeiras edições da atual fórmula, o sistema era contestado por muitos torcedores, diversos comentaristas esportivos e, sobretudo, pelos inúmeros corneteiros de plantão. A mudança provocava controvérsias e discussões interessantes. Os defensores do antigo formato diziam que, sem mata-mata, o campeonato não tinha emoção. E, de fato, na primeira edição, o Cruzeiro ganhou com uma certa tranquilidade, sem parecer fazer muito esforço. Como agora.
Dez anos depois, a história parece se repetir. Os mineiros azuis só precisam vencer o Grêmio, em casa, e torcerem para o Atlético Paranaense – o vice-líder – não derrotar o São Paulo para levantarem o troféu, faltando, ainda, cinco rodadas para acabar o torneio. Seria o campeão mais rápido da era dos pontos corridos. Contudo, dizer que esse modelo de disputa não proporciona emoção é o mesmo que não acompanhar o campeonato.

A luta pelas vagas de acesso à Libertadores do ano que vem é extremamente disputada, não há previsões claras sobre quem estará entre os melhores no fim. Assim como a disputa rodada a rodada para fugir das últimas fatídicas quatro posições, aquelas que rebaixam os times para a segunda divisão.
Não há como não enxergar emoção. Não há também como não enaltecer o Cruzeiro, do bom técnico Marcelo Oliveira, que cresceu durante o Brasileirão, venceu jogos difíceis e mostrou, quase sempre, um bom futebol – outro ponto à favor é que esse modelo premia sempre o melhor time, algo que, às vezes, não acontece em copas - . Além disso, leva o título para Minas Gerais, algo que não acontece há dez anos. Aliás, nas dez edições das vitórias que valem três pontos na tabela, apenas na primeira o caneco não foi parar em São Paulo ou no Rio de Janeiro, o que é até compreensível devido ao poder econômico desses estados, mas que não é muito interessante para o campeonato.

O fato é que o Cruzeiro se preparou para ser campeão. Montou, praticamente, um time inteiro, fez contratações pontuais, apostou em jogadores talentosos e em peças de reposição à altura. Gastou quase 40 milhões de dinheiros nacionais para construir o time inteiro. Curiosamente, o mesmo valor que um certo time gastou para contratar um único jogador.
Por planejamento, investimento correto e futebol de qualidade, o título cruzeirense é mais do que merecido.

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