terça-feira, 18 de agosto de 2015

O melhor e o pior do primeiro turno do Brasileirão 2015

A primeira parte do campeonato de pontos corridos mais imprevisível do mundo chegou ao fim. E teve sua liderança modificada apenas nas duas últimas rodadas.
O Atlético Mineiro foi o time em que mais tempo permaneceu no topo da tabela. E por méritos próprios. Foi o time que apresentou o futebol mais bonito e, até a rodada #17, mais eficiente. Jogando no estádio Independência ou no Mineirão, o Galo é um adversário difícil de ser batido. Em seus domínios tinha perdido apenas o clássico para o Cruzeiro. Perdeu no Mineirão para o bom time do Grêmio, na penúltima rodada do primeiro turno, o que, somada à vitória do Corinthians diante do Sport, na mesma rodada, fez com que os alvinegros de São Paulo assumissem a ponta da tabela e terminassem o turno como campeões simbólicos.

Muito em função de Tite. O treinador corintiano é o principal responsável pelo resgate do bom futebol do time e pela reformulação da equipe. Após uma eliminação vexatória nas oitavas de final da Libertadores da América, o Corinthians estava desacreditado. Além disso, dois de seus principais jogadores e grandes ídolos da história do clube, Paolo Guerrero e Emerson Sheik, deixaram o Parque São Jorge e rumaram à Gávea. Outros reforços pontuais não disseram a que vieram – leia-se Edu Dracena e Vagner Love – e Tite teve de se virar com o tinha. E o treinador gaúcho vem provando porque, há tempos, é o melhor técnico do país. O Corinthians é líder com méritos. Não encanta, mas é eficiente. Vence jogos difíceis, como a vitória já citada contra o bom time do Sport, e consegue pontos importantes – talvez fundamentais, o campeonato irá dizer -, como a vitória contra o Avaí, fora de casa, de virada. O aproveitamento de 70% o credencia como grande favorito.

Porém, quem termina o primeiro turno em uma ascensão até mais notável que a do Corinthians é o Grêmio. Os gaúchos trocaram a metodologia arcaica de Felipão pelos modernos conceitos de Roger Machado, ex-jogador gremista e recém-formado professor da bola. Roger tem mostrado serviço. Seu time deixou de lado o futebol horroroso do começo do ano e agora joga de um jeito técnico e eficaz – o gol que abriu o caminho da vitória do Grêmio diante do Atlético, no Mineirão, é um primor, uma demonstração clara de que o futebol atual é treinamento e disciplina tática. Aliás, é um dos favoritos ao título, com 63% de aproveitamento, junto ao Galo, também com 63%, e ao Timão. (Tudo bem que é meio óbvio falar isso agora. É só olhar a tabela, para perceber quem são os três primeiros colocados, e palpitar. Mas o que sustenta essa tese – ou essa constatação – é a qualidade desses três times, que ainda vão oscilar, mas que são superiores aos demais.)

Outro ponto positivo desse bom campeonato é que temos mais times para se prestar atenção além dos três já citados. Na cola dos favoritos vem o Fluminense, de Fred, Ronaldinho Gaúcho e companhia, com 57% de aproveitamento. O Flu deve brigar por Libertadores, assim como Palmeiras e São Paulo. Os dois paulistas têm campanhas idênticas até aqui. Com 54% de aproveitamento, nove vitórias, quatro empates e seis derrotas. São duas grandes incógnitas. Pelas oscilações fica difícil prever resultados mais ambiciosos do que uma vaga entre os quatro primeiros, mas ambas as equipes têm potencial para incomodar os favoritos. Já o Sport, do ótimo treinador Eduardo Baptista, é uma grata surpresa. Cheio de jogadores rodados e até mesmo renegados por vários clubes é muito bem treinado. Ainda sofre com algumas deficiências, mas não vende barato seus tropeços. É o time com menos derrotas no campeonato: apenas duas. Assim como o Atlético PR, outra boa novidade e treinado por mais um novato no hall dos treinadores, Milton Mendes. O Furacão tem um time forte, coeso e é uma pedreira jogando em casa. Tem duas vitórias a mais que o Leão da Ilha, que terminou à sua frente, mas perdeu cinco vezes mais. Uma vaga entre os quatro primeiros seria como um título para essas duas equipes.

Dramas, inconstâncias e erros de arbitragem

Gosto de título também terá o Vasco se escapar da degola nesse ano. Com treze pontos conquistados e um aproveitamento de apenas 22% o Gigante da Colina já está em seu terceiro técnico no campeonato e precisará de uma campanha irretocável no segundo turno para não ir, pela terceira vez em sete anos, para a série B do Brasileirão.

Além do Vasco, Joinville, Coritiba e Goiás precisarão jogar mais do que jogaram até aqui para escapar do fantasma do rebaixamento.


Luiz Flávio de Oliveira explica pênalti(!) marcado para o Corinthians contra o Sport

O ponto negativo do primeiro turno do Brasileirão 2015 é a arbitragem. Cada vez mais autoritários e quase sempre despreparados, os senhores do apito deixaram a desejar. São raras as rodadas em que seus erros não são colocados em evidência, quando não decisivos, infelizmente, em alguns resultados. Enquanto o futebol brasileiro consegue alguns avanços, por menores que sejam, dentro de campo, a arbitragem no Brasil anda pra trás. Mas nem adianta reclamar, protestar e jogar a culpa na CBF, já que seu presidente não tem muito tempo pra isso, ultimamente, pois está mais preocupado é com sua própria liberdade. 

quinta-feira, 16 de julho de 2015

Um técnico por rodada

*Coluna publicada no Jornal Sudoeste Paulista, em 17/07/2015

O primeiro turno do campeonato brasileiro 2015 vai chegando em sua reta final. O que pode não dizer muita coisa em termos de precisas projeções futuras, já que temos o segundo turno inteiro pela frente. Mas com treze rodadas disputadas (faltam ainda seis jogos para encerrar a primeira fase) é possível identificar aqueles times que brigarão pelo caneco e aqueles lutarão para não serem rebaixados.

O Atlético Mineiro, líder do certame, é quem joga o futebol mais agradável de se ver no país. Alia o bom conjunto com as qualidades individuais de seus ótimos jogadores, como o goleiro Vítor, volante Rafael Carioca e o atacante Lucas Pratto. Vencer o Galo quando mandante é tarefa quase impossível. O time é treinado pelo excelente técnico Levir Culpi, uma figura peculiar. Conhecedor da bola e sem papas na língua, Levir é fã do futebol ofensivo e tem conseguido imprimir suas ideias através de seus comandados. O bom momento vivido pelo seu time é fruto de um trabalho de mais de 15 meses. Sim, um ano e um trimestre à frente da equipe. O que, aqui no Brasil, não é para qualquer um.

Para se ter uma ideia, além do Galo, o único time brasileiro que possui um treinador com mais de um ano à frente de sua equipe é o Sport. Seu técnico, o promissor Eduardo Batista, está desde o começo de 2014 comandando os Leões da Ilha. Consequentemente, o Sport faz uma belíssima campanha nesse Brasileirão, com apenas uma derrota em 13 jogos disputados.

A rotatividade de professores da bola é algo tão comum no Brasil que, além dos dois já citados aqui, apenas mais cinco técnicos começaram o campeonato no comando de seus times. São eles: Guto Ferreira, na Ponte Preta; Diego Aguirre, no Internacional; Argel Fucks, no Figueirense; Gilson Kleina, no Avaí e Milton Mendes, no Atlético Paranaense. Ou seja: dos vinte clubes da série A, treze substituiram seus treinadores no decorrer do campeonato. Isso com apenas dois meses de bola rolando, em treze rodadas no Brasileirão.


Não precisa ser nenhum gênio da matemática para identificar que, na média, a cada rodada um time troca seu treinador. O que não é, convenhamos, nenhuma novidade para o torcedor. Faz parte da nossa cultura futebolística. Quando o time vai mal, tem uma sequência de resultados ruins ou não alcança os objetivos traçados, mesmo que a curto prazo, sempre sobra para o treinador. É mais fácil para o dirigente demitir alguém, e, sendo assim, é mais prático, também, demitir um só homem do que o time inteiro. Jamais os dirigentes assumem a bronca pelas contratações que não vingam, o ambiente tumultuado, quando não a crise financeira que prejudica vários clubes – devido suas péssimas administrações - fazendo com que o atraso nos salários dos jogadores seja algo recorrente. Mas quando a coisa vai mal, alguém paga a conta. Quase sempre é o treinador, nunca o presidente. 

terça-feira, 7 de julho de 2015

O triunfo chileno não foi por acaso

As expectativas chilenas eram as melhores possíveis antes do torneio sul-americano começar. A melhor geração de La Roja, treinada pelo excelente Jorge Sampaoli, vinha de boa campanha na Copa do Mundo do ano passado e de bons resultados em amistosos subsequentes.

Mas não foi nada fácil a construção do time que levaria, pela primeira vez em sua história, o título da Copa América. E derrotando, nos pênaltis, nada menos que a seleção mais talentosa do continente na atualidade: a Argentina, de Lionel Messi.

O Chile revelou ótimos atacantes na década de 1990. Em 1998, no Mundial disputado na França, contava com Marcelo Sallas e Ivan Zamorano no comando do ataque. Caiu nas oitavas de final diante do Brasil. Voltaria a disputar uma Copa do Mundo somente doze anos depois. Nesse hiato, tiveram mais decepções que alegrias, e ao perceber que poderiam ficar de fora de mais uma Copa foram atrás de Marcelo Bielsa, que vivia uma espécie de retiro sabático em sua fazenda, na Argentina. El Loco, como é conhecido, recolocou o Chile em um Mundial. Mas o mais importante: revolucionou o jeito de jogar da equipe. Em 2010, na África do Sul, La Roja caiu novamente nas oitavas de final contra o Brasil.

Bielsa não renovou seu contrato após aquela eliminação. Claudio Borghi, outro treinador argentino, foi chamado para dar continuidade no trabalho de El Loco. Porém, não foi tão bem sucedido como seu antecessor. Na Copa América de 2011, o Chile perdeu para a Venezuela nas quartas de final. Após o precoce tropeço no torneio Sul-americano e uma campanha com mais derrotas do que vitórias nas eliminatórias para o Mundial de 2014, a Federação chilena optou pela troca do comando técnico. Borghi foi substituído por seu compatriota Jorge Sampaoli - mais um argentino -, que vinha de brilhante campanha com a Universidad de Chile, campeão da Copa Sul-americana de 2011.

Discípulo de Loco Bielsa, Sampaoli assumiu a seleção chilena no returno das eliminatórias. Terminaria aquela campanha na terceira colocação, com 28 pontos e o segundo melhor ataque, com 29 gols. E com o passaporte carimbado para o Brasil.

O sorteio dos grupos não foi muito generoso. Espanha e Holanda, então atuais campeã e vice mundiais, na mesma chave. Estrearam com a obrigação da vitória contra a Austrália e não decepcionaram. O teste de fogo estaria por vir. Os espanhóis, que perderam o primeiro jogo contra os Laranjas, tinham a obrigação da vitória. Mas o Chile mostrou que o futuro daquele time era mesmo promissor. Vitória por 2 a 0 sobre os campeões mundiais e europeus em pleno Maracanã. E mais: eliminando-os precocemente daquela Copa. Fecharam a fase de grupos com uma derrota para a Holanda, que viria a ser semifinalista, o que fez com que o caminho chileno cruzasse com o do Brasil. Novamente nas oitavas de final. Jogo difícil, truncado, nada parecido com as tranquilas vitórias brasileiras em 1998 e 2010. Nos pênaltis, a eliminação diante dos donos da casa e a sensação de que poderiam ir mais longe. 



O Chile se preparou muito para a Copa América em casa. Chegou calejado, com o currículo cheio de grandes confrontos e experiência de sobra. Mostrou o melhor futebol, o jogo coletivo mais bem trabalhado e conquistou com méritos o inédito troféu. Um título que honra a história da seleção chilena, além de significar muito para o país. E que, sobretudo, acaba de vez com aquela pecha de jogamos como nunca, perdemos como sempre.

Viva Chile!

segunda-feira, 29 de junho de 2015

O Brasil de Dunga: uma tragédia anunciada


A eliminação do Brasil para o Paraguai nos pênaltis, novamente nas quartas de final de uma Copa América, é só mais um capítulo do triste caminho que trilha o futebol tupiniquim. 

Um ano depois do maior vexame protagonizado por uma seleção em uma Copa do Mundo, outra desclassificação não é nada perto do precipício para o qual se encaminha o esporte mais querido, e pelo qual o Brasil era sinal de reverência no mundo inteiro. Infelizmente, não é mais.

Oito de julho de 2014 foi o capítulo mais triste da história do futebol brasileiro. A ferida ainda está longe de ser cicatrizada. Porém, nada mais propício que a tragédia anunciada para servir de alerta para repensarmos nossos erros. Nada como um cenário difícil para buscarmos outras saídas e soluções.

Mas não. É mais fácil botar a culpa em alguém. O 'apagão' foi a desculpa dos 7 a 1. Na época, Felipão, Parreira e Marin (aquele que está preso por corrupção) não reconheceram o tamanho do abismo técnico, tático e até de talento da Alemanha sobre nós. Scolari insistiu que o trabalho foi bem feito, Parreira leu a carta da dona Lúcia (risos!) e Marin... bem, Marin sabia que tinha de tomar uma atitude. E tomou. Tomou a atitude mais fácil quando se é quem manda: demitiu toda a comissão técnica. Todos nos enchemos de esperança. Era a chance de tentarmos algo novo, diferente. Buscar novas visões de futebol, conceitos de jogo, conhecimento tático, fazer uma proposta ousada a Pep Guardiola, sondar José Mourinho, conversar com Carlo Ancelotti, ou apostar em Tite, que vinha de grandes conquistas, assumiria com moral a Seleção. Ledo engano. Na verdade, pura utopia. 

Não é racional esperar atitudes ousadas e inovadoras de gente (e aqui incluo exclusivamente José Maria Marin) que apoiou a ditadura militar. Marin foi Marin, apostou no conservadorismo, quis resgatar o discurso batido de que a Seleção é a pátria de chuteiras, de que tem de vestir a camisa, dar o sangue em campo e, para isso, nada melhor do que a lamentável figura de Dunga, um líder fantástico quando jogador, mas de conhecimento técnico, tático e científico próximo do zero - sem contar suas infelizes declarações. 

Onze vitórias consecutivas em jogos que de nada valem são capazes de iludir o torcedor. O resultado na Copa América foi o mais próximo da realidade do nosso futebol atual. Marcação forte, compactada, volantes presos frente à zaga, com meias mais preocupados em defender do que atacar, laterais sendo a válvula de escape e, quando a coisa aperta, chutão pra frente na esperança de sobrar pro craque decidir. Craque que virou capitão sem ter a maturidade necessária para liderar um time que ora teve a camisa mais pesada do mundo. Hoje, o varal já não entorta mais.

É necessária - e urgente - uma revolução no futebol brasileiro. Pra ontem. Mas que não nos iludamos com a gestão de Marco Polo Del Nero, uma figura exponencial do retrocesso em que vivemos. O atual manda-chuvas da CBF é mais do mesmo de Marin e Ricardo Teixeira. E, só pra não encerrar essas linhas com tom esperançoso, que fique claro que Del Nero garantiu Dunga no cargo. Afinal, a (des)culpa da eliminação foi uma virose.

Respira por aparelhos (superfaturados?) o futebol brasileiro. Triste, muito triste.

quinta-feira, 25 de junho de 2015

Expulsões, atitudes desrespeitosas e jogo quente. Chile 1 x 0 Uruguai

A primeira fase da Copa América 2015 teve alguns bons jogos, outros excelentes, até. Como Argentina 2 x 2 Paraguai e Chile 3 x 3 México.

A boa seleção chilena, treinada pelo excêntrico Jorge Sampaoli, foi, de longe, o melhor time da fase de grupos. A melhor geração da 'Roja', aliada ao doping emocional - o mesmo que contagiava a seleção brasileira na Copa do Mundo no ano passado -, mostrou seus predicados contra seleções medianas, para não dizer fracas. Venceu o Equador, empatou com o México e goleou a Bolívia. O maior teste seria o Uruguai, nas quartas de final. E foi.

O experiente técnico uruguaio Óscar Tabárez armou La Celeste no tradicional 4-4-2 defensivo com o cão de guarda Arévalo Rios ao lado de González por dentro, na segunda linha; Carlos Sánchez aberto na direita e Cebola Rodríguez do lado inverso. Na frente, o fraco Rolán ao lado do emocionalmente abalado Cavani. Uma aula de disciplina tática. O problema é quando tinham a bola.

Sampaoli recuou o ótimo volante Marcelo Díaz para fazer a sobra e a saída de três quando tinham a posse de bola, nada menos do que 72% no primeiro tempo. Consequentemente, liberava as descidas dos laterais, Isla na direita, e Mena na esquerda. Vidal voltava pela direita e se alinhava a Aránguiz no meio, liberando Valdívia, o melhor em campo, para jogar solto e procurar os atacantes Sánchez e Vargas, que alternavam as posições na frente. O Chile girava, tocava, procurava espaços mas não conseguia ameaçar, de fato, a meta de Muslera.

                                        Valdívia, o homem do jogo

O segundo tempo começou quente. Quanto mais o tempo passava, mais o Chile sentia a pressão pelo resultado. Jogo tipicamente bom para a experiente e cascuda seleção uruguaia. Cavani se estranhou com Jara, o quarto beque chileno e levou o segundo amarelo. Sandro Meira Ricci não viu a infame provocação do zagueiro, apenas o revide do atacante. Assim, com a vantagem numérica, os donos da casa pressionaram ainda mais. Tabárez recuou as linhas, deixando apenas Abel Hernández, que tinha entrado no lugar de Rolán, isolado à frente. O jogo virou um festival de bolas chilenas levantadas na área adversária. 

Percebendo as variantes da partida, Sampaoli trocou Vargas por Pinilla e deu mais presença de área e força física para seu time. Trocou também Díaz por Fernández e soltou de vez o meio de campo. Encurralado, restava para o Uruguai apenas se defender. E defendeu-se o quanto pode. Até Muslera rebater mal uma saída de bola, que sobrou para Valdívia. O 10 chileno ajeitou para Isla, solto, chutar rasteiro e encaminhar a classificação. Festa contagiante dos mais de 50 mil torcedores no Estádio Nacional, em Santiago.

No fim, Ricci marcou falta de Fucile em Sánchez e deu o segundo amarelo para o lateral uruguaio. Mais uma expulsão. Como sempre, o péssimo árbitro brasileiro dá seu jeito de aparecer no espetáculo (é incompreensível a Conmebol escalá-lo para um jogo dessa importância). Faltavam poucos minutos, os donos da casa tinham um homem a mais e o jogo na mão, era possível ficar na conversa. Mas seu Sandro adora um cartão vermelho.

Após alguns minutos de muita confusão, partida retomada e cozinhada até o fim. Chile novamente em uma semifinal de Copa América após dezesseis anos de ausência. São favoritos contra Peru ou Bolívia. Mas terão de jogar mais e, principalmente, ter o controle emocional necessário para levantar a taça em casa. O que é bem possível.

terça-feira, 28 de abril de 2015

Atestado de despreparo e incompetência

O São Paulo Futebol Clube, ex soberano do futebol brasileiro, perdeu seu treinador, Muricy Ramalho, no dia 6 de abril, após uma sequência de resultados ruins e péssimo futebol apresentado. Muricy saiu em comum acordo com a diretoria, que, diga-se, não tinha a intenção em demiti-lo. Porém, como além dos objetivos prévios longe de serem alcançados o técnico alegou que necessitava de um tempo para tratar de problemas de saúde.

Em tempos nos quais critica-se tanto a alternância dos professores da bola no comando dos times, é louvável a atitude da diretoria são-paulina ter bancado o treinador até quando pode. Por mais paradoxo que seja, a sequência de erros de Carlos Miguel Aidar, o presidente, e seus subordinados começaram aí.


Muricy não conseguiu fazer um time competitivo em 2015. Teve tempo pra isso, conhecia os jogadores, tinha peças de qualidade à disposição. Mas a coisa não andou. Era necessário trocar. A diretoria não tomou nenhuma decisão. Inclusive, fez o possível para manter o técnico, ídolo de qualquer torcedor tricolor, é fato, mas visivelmente esgotado.


A imprensa em geral achou que foi uma atitude acertada a saída do homem. A especulação sobre o nome do novo professor era iminente. Três semanas se passaram e ninguém faz ideia de quem assumirá em definitivo o apito nos treinos na Barra funda. Por ora, Milton Cruz, há quase vinte anos como funcionário do clube, comanda as atividades. Milton faz bem seu papel, mas jamais demonstrou a intenção de ser treinador, mesmo tendo alguns bons resultados.


Na semana da saída de Muricy, alguns nomes foram citados. Entre eles, o nome de Alejandro Sabella, ex-treinador da seleção argentina, vice-campeão mundial em 2014. Sabella, ao ser procurado pela diretoria tricolor, disse que seu interesse era seguir rumo ao velho continente, agradeceu o convite e não fechou as portas para, quem sabe no futuro, assumir o Tricolor. Ataíde Gil Guerreiro, vice-presidente de futebol, deu a entender que o São Paulo esperaria pelo argentino até ele não conseguir fechar com nenhum clube europeu para assumir o São Paulo. Algo tão absurdo como os rumores da procura da diretoria por Abel Braga. Não pela qualidade do técnico. Abel ganhou tudo na carreira, mas a conversa que vazou era na seguinte linha: "Olha, seu Abel, estamos tentando o Sabella, que está difícil, tentamos também o Luxemburgo, que parece que está prestigiado no Flamengo, e nosso sonho é Jorge Sampaoli, que é indispensável na seleção chilena; se não fecharmos com nenhum dos três, o senhor topa vir pra cá?". Surreal, não?


Abel, rodado que só, chegou a dizer que seria muito bom dirigir o São Paulo, mas estava apalavrado com um clube do 'mundo árabe', onde é rei. Duvido que tenha ficado feliz com a postura dos dirigentes são-paulinos. 


Mas a cena mais absurda de todas foi a declaração de Carlos Miguel dizendo que ligou para Luxemburgo, conversou bastante com o técnico rubronegro, que deixou claro que não sai da Gávea. Quando o torcedor esperava o anúncio do novo treinador, o presidente aparece com essa. É inacreditável!


A situação só não ficou pior para o manda-chuva são-paulino porque o time venceu o Corinthians pela Libertadores e classificou-se à segunda fase da competição, dando uma pequena trégua à diretoria. O São Paulo ganhou com isso duas semanas de folga até o primeiro duelo das oitavas de final contra o Cruzeiro, no Morumbi. Tempo suficiente para um novo técnico chegar, conhecer bem o elenco e preparar o time para o jogo mais importante do ano. Mas... 


Mas uma semana se passou e nada de novidades em relação ao novo treinador. O que dá a impressão de que a diretoria vai levando com a barriga, do jeito que dá, no velho e batido discurso de que já que não tem tu, vai tu mesmo. Ou seja, passando a limpo o atestado de despreparo e incompetência de uma pífia diretoria de futebol. Profissional, por mais incrível que pareça.

terça-feira, 7 de abril de 2015

Muricy, eterno tricolor


Depois de Telê Santana, pela importância das conquistas e pelo período de grande felicidade para o torcedor tricolor, Muricy é o maior treinador da história do São Paulo. Cresceu jogando bola pelos corredores do Morumbi. De 1973 a 1979 foi um camisa 8 talentoso e cabeludo. Ainda jovem, fez carreira futebolística jogando no México. Voltou para o clube no começo da década de 1990 para virar discípulo de ‘Seu Telê’, expressão que ainda usa quando se refere ao ilustre professor.

Chegou para treinar o time infantil. Logo, foi promovido a auxiliar técnico. Venceu a Copa Conmebol em 1994 com a equipe reserva do São Paulo e assumia os treinos quando Telê se ausentava. Quando o mestre afastou-se de vez do time, Muricy comandou os trabalhos por algumas vezes entre outras trocas de treinadores são-paulinos. Saiu do clube em 1997 para assumir o Guarani, prometendo voltar um dia para fazer história. Dito e feito.

Retornou ao clube de coração em 2006, logo após a histórica conquista do Mundial de clubes frente ao Liverpool. De cara, foi finalista da Copa Libertadores, mas perdeu a decisão justamente para o Internacional, seu ex-clube. Não se abateu. Ao contrário, deu a volta por cima e foi tricampeão brasileiro, em 2006, 2007 e 2008, algo inédito no futebol brasileiro. Entrou de vez para a galeria dos grandes treinadores do São Paulo e do Brasil.

Em 2009, após uma eliminação nas quartas de final da Libertadores, saiu do clube em comum acordo com o então presidente Juvenal Juvêncio. Treinou o Palmeiras, depois o Fluminense, onde foi campeão brasileiro – mais uma vez. Chegou a recusar um convite para assumir a Seleção Brasileira após a Copa do Mundo de 2010 devido a sua palavra ao presidente do clube das Laranjeiras de que não deixaria o cargo.

Em 2011 transferiu- se ao Santos onde junto com Neymar, Ganso e companhia venceu, finalmente, Libertadores. Título inédito para Muricy e qual o Peixe não ganhava desde quando Pelé ainda jogava. Dois anos depois voltou ao São Paulo para salvar o clube do iminente rebaixamento do campeonato brasileiro. Pegou o time na antepenúltima colocação. Terminou o Brasileirão na parte de cima da tabela. Um feito e tanto.

No ano seguinte, 2014, o São Paulo foi vice-campeão brasileiro jogando um futebol por vezes bonito e eficiente, como na vitória contra o Cruzeiro, o melhor time do país, no Morumbi. Porém, em 2015 a coisa azedou. Muricy começou a temporada ausente devido a problemas de saúde. O futebol nem de longe lembrou os bons momentos do ano anterior. Os resultados não apareceram e, para piorar, o time perdeu os clássicos contra Corinthians e Palmeiras. A gota d’água foi a derrota para o Botafogo de Ribeirão Preto por 2 a 0, quando o time andou em campo.

Novamente em comum acordo, Muricy pega seu boné. Além dos resultados ruins e do futebol que não aconteceu, os problemas de saúde pesaram. Mas deixa o clube pela porta da frente, prometendo voltar, um dia quem sabe.

Que ele siga a vida, cuide de sua saúde e seja feliz. Deixa o São Paulo mas levará consigo o carinho do torcedor que o tem e sempre o terá como um ídolo eterno. Valeu, Muricy!