A primeira parte do campeonato de pontos corridos mais
imprevisível do mundo chegou ao fim. E teve sua liderança modificada apenas nas
duas últimas rodadas.
O Atlético Mineiro foi o time em que mais tempo
permaneceu no topo da tabela. E por méritos próprios. Foi o time que apresentou
o futebol mais bonito e, até a rodada #17, mais eficiente. Jogando no estádio
Independência ou no Mineirão, o Galo é um adversário difícil de ser batido. Em
seus domínios tinha perdido apenas o clássico para o Cruzeiro. Perdeu no
Mineirão para o bom time do Grêmio, na penúltima rodada do primeiro turno, o que,
somada à vitória do Corinthians diante do Sport, na mesma rodada, fez com que
os alvinegros de São Paulo assumissem a ponta da tabela e terminassem o turno
como campeões simbólicos.
Muito em função de Tite. O treinador corintiano é o
principal responsável pelo resgate do bom futebol do time e pela reformulação
da equipe. Após uma eliminação vexatória nas oitavas de final da Libertadores
da América, o Corinthians estava desacreditado. Além disso, dois de seus
principais jogadores e grandes ídolos da história do clube, Paolo Guerrero e
Emerson Sheik, deixaram o Parque São Jorge e rumaram à Gávea. Outros reforços
pontuais não disseram a que vieram – leia-se Edu Dracena e Vagner Love – e Tite
teve de se virar com o tinha. E o treinador gaúcho vem provando porque, há
tempos, é o melhor técnico do país. O Corinthians é líder com méritos. Não
encanta, mas é eficiente. Vence jogos difíceis, como a vitória já citada contra
o bom time do Sport, e consegue pontos importantes – talvez fundamentais, o
campeonato irá dizer -, como a vitória contra o Avaí, fora de casa, de virada. O
aproveitamento de 70% o credencia como grande favorito.
Porém, quem termina o primeiro turno em uma ascensão até
mais notável que a do Corinthians é o Grêmio. Os gaúchos trocaram a metodologia
arcaica de Felipão pelos modernos conceitos de Roger Machado, ex-jogador
gremista e recém-formado professor da bola. Roger tem mostrado serviço. Seu
time deixou de lado o futebol horroroso do começo do ano e agora joga de um
jeito técnico e eficaz – o gol que abriu o caminho da vitória do Grêmio diante
do Atlético, no Mineirão, é um primor, uma demonstração clara de que o futebol
atual é treinamento e disciplina tática. Aliás, é um dos favoritos ao título,
com 63% de aproveitamento, junto ao Galo, também com 63%, e ao Timão. (Tudo bem
que é meio óbvio falar isso agora. É só olhar a tabela, para perceber quem são
os três primeiros colocados, e palpitar. Mas o que sustenta essa tese – ou essa
constatação – é a qualidade desses três times, que ainda vão oscilar, mas que
são superiores aos demais.)
Outro ponto positivo desse bom campeonato é que temos mais
times para se prestar atenção além dos três já citados. Na cola dos favoritos
vem o Fluminense, de Fred, Ronaldinho Gaúcho e companhia, com 57% de
aproveitamento. O Flu deve brigar por Libertadores, assim como Palmeiras e São
Paulo. Os dois paulistas têm campanhas idênticas até aqui. Com 54% de
aproveitamento, nove vitórias, quatro empates e seis derrotas. São duas grandes
incógnitas. Pelas oscilações fica difícil prever resultados mais ambiciosos do
que uma vaga entre os quatro primeiros, mas ambas as equipes têm potencial para
incomodar os favoritos. Já o Sport, do ótimo treinador Eduardo Baptista, é uma
grata surpresa. Cheio de jogadores rodados e até mesmo renegados por vários
clubes é muito bem treinado. Ainda sofre com algumas deficiências, mas não
vende barato seus tropeços. É o time com menos derrotas no campeonato: apenas
duas. Assim como o Atlético PR, outra boa novidade e treinado por mais um
novato no hall dos treinadores, Milton Mendes. O Furacão tem um time forte,
coeso e é uma pedreira jogando em casa. Tem duas vitórias a mais que o Leão da
Ilha, que terminou à sua frente, mas perdeu cinco vezes mais. Uma vaga entre os
quatro primeiros seria como um título para essas duas equipes.
Dramas,
inconstâncias e erros de arbitragem
Gosto de título também terá o Vasco se escapar da degola
nesse ano. Com treze pontos conquistados e um aproveitamento de apenas 22% o
Gigante da Colina já está em seu terceiro técnico no campeonato e precisará de
uma campanha irretocável no segundo turno para não ir, pela terceira vez em
sete anos, para a série B do Brasileirão.
Além do Vasco, Joinville, Coritiba e Goiás precisarão
jogar mais do que jogaram até aqui para escapar do fantasma do rebaixamento.
Luiz Flávio de Oliveira explica pênalti(!) marcado para o Corinthians contra o Sport
O ponto negativo do primeiro turno do Brasileirão 2015 é
a arbitragem. Cada vez mais autoritários e quase sempre despreparados, os
senhores do apito deixaram a desejar. São raras as rodadas em que seus erros
não são colocados em evidência, quando não decisivos, infelizmente, em alguns
resultados. Enquanto o futebol brasileiro consegue alguns avanços, por menores
que sejam, dentro de campo, a arbitragem no Brasil anda pra trás. Mas nem
adianta reclamar, protestar e jogar a culpa na CBF, já que seu presidente não
tem muito tempo pra isso, ultimamente, pois está mais preocupado é com sua própria
liberdade.




