Depois de Telê Santana, pela importância das conquistas e pelo período de grande felicidade para o torcedor tricolor, Muricy é o maior treinador da história do São Paulo. Cresceu jogando bola pelos corredores do Morumbi. De 1973 a 1979 foi um camisa 8 talentoso e cabeludo. Ainda jovem, fez carreira futebolística jogando no México. Voltou para o clube no começo da década de 1990 para virar discípulo de ‘Seu Telê’, expressão que ainda usa quando se refere ao ilustre professor.
Chegou para treinar o time infantil. Logo, foi promovido
a auxiliar técnico. Venceu a Copa Conmebol em 1994 com a equipe reserva do São
Paulo e assumia os treinos quando Telê se ausentava. Quando o mestre afastou-se
de vez do time, Muricy comandou os trabalhos por algumas vezes entre outras
trocas de treinadores são-paulinos. Saiu do clube em 1997 para assumir o
Guarani, prometendo voltar um dia para fazer história. Dito e feito.
Retornou ao clube de coração em
2006, logo após a histórica conquista do Mundial de clubes frente ao Liverpool.
De cara, foi finalista da Copa Libertadores, mas perdeu a decisão justamente
para o Internacional, seu ex-clube. Não se abateu. Ao contrário, deu a volta
por cima e foi tricampeão brasileiro, em 2006, 2007 e 2008, algo inédito no
futebol brasileiro. Entrou de vez para a galeria dos grandes treinadores do São
Paulo e do Brasil.
Em 2009, após uma eliminação nas quartas de final da Libertadores,
saiu do clube em comum acordo com o então presidente Juvenal Juvêncio. Treinou
o Palmeiras, depois o Fluminense, onde foi campeão brasileiro – mais uma vez.
Chegou a recusar um convite para assumir a Seleção Brasileira após a Copa do
Mundo de 2010 devido a sua palavra ao presidente do clube das Laranjeiras de
que não deixaria o cargo.
Em 2011 transferiu- se ao Santos onde junto com Neymar,
Ganso e companhia venceu, finalmente, Libertadores. Título inédito para Muricy
e qual o Peixe não ganhava desde quando Pelé ainda jogava. Dois anos depois voltou ao São Paulo para salvar o clube
do iminente rebaixamento do campeonato brasileiro. Pegou o time na
antepenúltima colocação. Terminou o Brasileirão na parte de cima da tabela. Um
feito e tanto.
No ano seguinte, 2014, o São Paulo foi vice-campeão brasileiro jogando um futebol por
vezes bonito e eficiente, como na vitória contra o Cruzeiro, o melhor time do
país, no Morumbi. Porém, em 2015 a coisa azedou. Muricy começou a temporada ausente devido a problemas de
saúde. O futebol nem de longe lembrou os bons momentos do ano anterior. Os
resultados não apareceram e, para piorar, o time perdeu os clássicos contra
Corinthians e Palmeiras. A gota d’água foi a derrota para o Botafogo de
Ribeirão Preto por 2 a 0, quando o time andou em campo.
Novamente em comum acordo, Muricy pega seu boné. Além dos
resultados ruins e do futebol que não aconteceu, os problemas de saúde pesaram.
Mas deixa o clube pela porta da frente, prometendo voltar, um dia quem sabe.

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