*Coluna publicada no Jornal Sudoeste Paulista, em 17/07/2015
O primeiro turno do campeonato brasileiro 2015 vai
chegando em sua reta final. O que pode não dizer muita coisa em termos de
precisas projeções futuras, já que temos o segundo turno inteiro pela frente.
Mas com treze rodadas disputadas (faltam ainda seis jogos para encerrar a
primeira fase) é possível identificar aqueles times que brigarão pelo caneco e
aqueles lutarão para não serem rebaixados.
O Atlético Mineiro, líder do certame, é quem joga o
futebol mais agradável de se ver no país. Alia o bom conjunto com as qualidades
individuais de seus ótimos jogadores, como o goleiro Vítor, volante Rafael
Carioca e o atacante Lucas Pratto. Vencer o Galo quando mandante é tarefa quase
impossível. O time é treinado pelo excelente técnico Levir Culpi, uma figura
peculiar. Conhecedor da bola e sem papas na língua, Levir é fã do futebol
ofensivo e tem conseguido imprimir suas ideias através de seus comandados. O
bom momento vivido pelo seu time é fruto de um trabalho de mais de 15 meses.
Sim, um ano e um trimestre à frente da equipe. O que, aqui no Brasil, não é
para qualquer um.
Para se ter uma ideia, além do Galo, o único time
brasileiro que possui um treinador com mais de um ano à frente de sua equipe é
o Sport. Seu técnico, o promissor Eduardo Batista, está desde o começo de 2014
comandando os Leões da Ilha. Consequentemente, o Sport faz uma belíssima
campanha nesse Brasileirão, com apenas uma derrota em 13 jogos disputados.
A rotatividade de professores da bola é algo tão comum no
Brasil que, além dos dois já citados aqui, apenas mais cinco técnicos começaram
o campeonato no comando de seus times. São eles: Guto Ferreira, na Ponte Preta;
Diego Aguirre, no Internacional; Argel Fucks, no Figueirense; Gilson Kleina, no
Avaí e Milton Mendes, no Atlético Paranaense. Ou seja: dos vinte clubes da série
A, treze substituiram seus treinadores no decorrer do campeonato. Isso com
apenas dois meses de bola rolando, em treze rodadas no Brasileirão.
Não precisa ser nenhum gênio da matemática para
identificar que, na média, a cada rodada um time troca seu treinador. O que não
é, convenhamos, nenhuma novidade para o torcedor. Faz parte da nossa cultura
futebolística. Quando o time vai mal, tem uma sequência de resultados ruins ou
não alcança os objetivos traçados, mesmo que a curto prazo, sempre sobra para o
treinador. É mais fácil para o dirigente demitir alguém, e, sendo assim, é mais
prático, também, demitir um só homem do que o time inteiro. Jamais os
dirigentes assumem a bronca pelas contratações que não vingam, o ambiente
tumultuado, quando não a crise financeira que prejudica vários clubes – devido
suas péssimas administrações - fazendo com que o atraso nos salários dos
jogadores seja algo recorrente. Mas quando a coisa vai mal, alguém paga a
conta. Quase sempre é o treinador, nunca o presidente.
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