quinta-feira, 25 de junho de 2015

Expulsões, atitudes desrespeitosas e jogo quente. Chile 1 x 0 Uruguai

A primeira fase da Copa América 2015 teve alguns bons jogos, outros excelentes, até. Como Argentina 2 x 2 Paraguai e Chile 3 x 3 México.

A boa seleção chilena, treinada pelo excêntrico Jorge Sampaoli, foi, de longe, o melhor time da fase de grupos. A melhor geração da 'Roja', aliada ao doping emocional - o mesmo que contagiava a seleção brasileira na Copa do Mundo no ano passado -, mostrou seus predicados contra seleções medianas, para não dizer fracas. Venceu o Equador, empatou com o México e goleou a Bolívia. O maior teste seria o Uruguai, nas quartas de final. E foi.

O experiente técnico uruguaio Óscar Tabárez armou La Celeste no tradicional 4-4-2 defensivo com o cão de guarda Arévalo Rios ao lado de González por dentro, na segunda linha; Carlos Sánchez aberto na direita e Cebola Rodríguez do lado inverso. Na frente, o fraco Rolán ao lado do emocionalmente abalado Cavani. Uma aula de disciplina tática. O problema é quando tinham a bola.

Sampaoli recuou o ótimo volante Marcelo Díaz para fazer a sobra e a saída de três quando tinham a posse de bola, nada menos do que 72% no primeiro tempo. Consequentemente, liberava as descidas dos laterais, Isla na direita, e Mena na esquerda. Vidal voltava pela direita e se alinhava a Aránguiz no meio, liberando Valdívia, o melhor em campo, para jogar solto e procurar os atacantes Sánchez e Vargas, que alternavam as posições na frente. O Chile girava, tocava, procurava espaços mas não conseguia ameaçar, de fato, a meta de Muslera.

                                        Valdívia, o homem do jogo

O segundo tempo começou quente. Quanto mais o tempo passava, mais o Chile sentia a pressão pelo resultado. Jogo tipicamente bom para a experiente e cascuda seleção uruguaia. Cavani se estranhou com Jara, o quarto beque chileno e levou o segundo amarelo. Sandro Meira Ricci não viu a infame provocação do zagueiro, apenas o revide do atacante. Assim, com a vantagem numérica, os donos da casa pressionaram ainda mais. Tabárez recuou as linhas, deixando apenas Abel Hernández, que tinha entrado no lugar de Rolán, isolado à frente. O jogo virou um festival de bolas chilenas levantadas na área adversária. 

Percebendo as variantes da partida, Sampaoli trocou Vargas por Pinilla e deu mais presença de área e força física para seu time. Trocou também Díaz por Fernández e soltou de vez o meio de campo. Encurralado, restava para o Uruguai apenas se defender. E defendeu-se o quanto pode. Até Muslera rebater mal uma saída de bola, que sobrou para Valdívia. O 10 chileno ajeitou para Isla, solto, chutar rasteiro e encaminhar a classificação. Festa contagiante dos mais de 50 mil torcedores no Estádio Nacional, em Santiago.

No fim, Ricci marcou falta de Fucile em Sánchez e deu o segundo amarelo para o lateral uruguaio. Mais uma expulsão. Como sempre, o péssimo árbitro brasileiro dá seu jeito de aparecer no espetáculo (é incompreensível a Conmebol escalá-lo para um jogo dessa importância). Faltavam poucos minutos, os donos da casa tinham um homem a mais e o jogo na mão, era possível ficar na conversa. Mas seu Sandro adora um cartão vermelho.

Após alguns minutos de muita confusão, partida retomada e cozinhada até o fim. Chile novamente em uma semifinal de Copa América após dezesseis anos de ausência. São favoritos contra Peru ou Bolívia. Mas terão de jogar mais e, principalmente, ter o controle emocional necessário para levantar a taça em casa. O que é bem possível.

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