terça-feira, 18 de agosto de 2015

O melhor e o pior do primeiro turno do Brasileirão 2015

A primeira parte do campeonato de pontos corridos mais imprevisível do mundo chegou ao fim. E teve sua liderança modificada apenas nas duas últimas rodadas.
O Atlético Mineiro foi o time em que mais tempo permaneceu no topo da tabela. E por méritos próprios. Foi o time que apresentou o futebol mais bonito e, até a rodada #17, mais eficiente. Jogando no estádio Independência ou no Mineirão, o Galo é um adversário difícil de ser batido. Em seus domínios tinha perdido apenas o clássico para o Cruzeiro. Perdeu no Mineirão para o bom time do Grêmio, na penúltima rodada do primeiro turno, o que, somada à vitória do Corinthians diante do Sport, na mesma rodada, fez com que os alvinegros de São Paulo assumissem a ponta da tabela e terminassem o turno como campeões simbólicos.

Muito em função de Tite. O treinador corintiano é o principal responsável pelo resgate do bom futebol do time e pela reformulação da equipe. Após uma eliminação vexatória nas oitavas de final da Libertadores da América, o Corinthians estava desacreditado. Além disso, dois de seus principais jogadores e grandes ídolos da história do clube, Paolo Guerrero e Emerson Sheik, deixaram o Parque São Jorge e rumaram à Gávea. Outros reforços pontuais não disseram a que vieram – leia-se Edu Dracena e Vagner Love – e Tite teve de se virar com o tinha. E o treinador gaúcho vem provando porque, há tempos, é o melhor técnico do país. O Corinthians é líder com méritos. Não encanta, mas é eficiente. Vence jogos difíceis, como a vitória já citada contra o bom time do Sport, e consegue pontos importantes – talvez fundamentais, o campeonato irá dizer -, como a vitória contra o Avaí, fora de casa, de virada. O aproveitamento de 70% o credencia como grande favorito.

Porém, quem termina o primeiro turno em uma ascensão até mais notável que a do Corinthians é o Grêmio. Os gaúchos trocaram a metodologia arcaica de Felipão pelos modernos conceitos de Roger Machado, ex-jogador gremista e recém-formado professor da bola. Roger tem mostrado serviço. Seu time deixou de lado o futebol horroroso do começo do ano e agora joga de um jeito técnico e eficaz – o gol que abriu o caminho da vitória do Grêmio diante do Atlético, no Mineirão, é um primor, uma demonstração clara de que o futebol atual é treinamento e disciplina tática. Aliás, é um dos favoritos ao título, com 63% de aproveitamento, junto ao Galo, também com 63%, e ao Timão. (Tudo bem que é meio óbvio falar isso agora. É só olhar a tabela, para perceber quem são os três primeiros colocados, e palpitar. Mas o que sustenta essa tese – ou essa constatação – é a qualidade desses três times, que ainda vão oscilar, mas que são superiores aos demais.)

Outro ponto positivo desse bom campeonato é que temos mais times para se prestar atenção além dos três já citados. Na cola dos favoritos vem o Fluminense, de Fred, Ronaldinho Gaúcho e companhia, com 57% de aproveitamento. O Flu deve brigar por Libertadores, assim como Palmeiras e São Paulo. Os dois paulistas têm campanhas idênticas até aqui. Com 54% de aproveitamento, nove vitórias, quatro empates e seis derrotas. São duas grandes incógnitas. Pelas oscilações fica difícil prever resultados mais ambiciosos do que uma vaga entre os quatro primeiros, mas ambas as equipes têm potencial para incomodar os favoritos. Já o Sport, do ótimo treinador Eduardo Baptista, é uma grata surpresa. Cheio de jogadores rodados e até mesmo renegados por vários clubes é muito bem treinado. Ainda sofre com algumas deficiências, mas não vende barato seus tropeços. É o time com menos derrotas no campeonato: apenas duas. Assim como o Atlético PR, outra boa novidade e treinado por mais um novato no hall dos treinadores, Milton Mendes. O Furacão tem um time forte, coeso e é uma pedreira jogando em casa. Tem duas vitórias a mais que o Leão da Ilha, que terminou à sua frente, mas perdeu cinco vezes mais. Uma vaga entre os quatro primeiros seria como um título para essas duas equipes.

Dramas, inconstâncias e erros de arbitragem

Gosto de título também terá o Vasco se escapar da degola nesse ano. Com treze pontos conquistados e um aproveitamento de apenas 22% o Gigante da Colina já está em seu terceiro técnico no campeonato e precisará de uma campanha irretocável no segundo turno para não ir, pela terceira vez em sete anos, para a série B do Brasileirão.

Além do Vasco, Joinville, Coritiba e Goiás precisarão jogar mais do que jogaram até aqui para escapar do fantasma do rebaixamento.


Luiz Flávio de Oliveira explica pênalti(!) marcado para o Corinthians contra o Sport

O ponto negativo do primeiro turno do Brasileirão 2015 é a arbitragem. Cada vez mais autoritários e quase sempre despreparados, os senhores do apito deixaram a desejar. São raras as rodadas em que seus erros não são colocados em evidência, quando não decisivos, infelizmente, em alguns resultados. Enquanto o futebol brasileiro consegue alguns avanços, por menores que sejam, dentro de campo, a arbitragem no Brasil anda pra trás. Mas nem adianta reclamar, protestar e jogar a culpa na CBF, já que seu presidente não tem muito tempo pra isso, ultimamente, pois está mais preocupado é com sua própria liberdade. 

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