O São Paulo Futebol Clube, ex soberano do futebol brasileiro, perdeu seu treinador, Muricy Ramalho, no dia 6 de abril, após uma sequência de resultados ruins e péssimo futebol apresentado. Muricy saiu em comum acordo com a diretoria, que, diga-se, não tinha a intenção em demiti-lo. Porém, como além dos objetivos prévios longe de serem alcançados o técnico alegou que necessitava de um tempo para tratar de problemas de saúde.
Em tempos nos quais critica-se tanto a alternância dos professores da bola no comando dos times, é louvável a atitude da diretoria são-paulina ter bancado o treinador até quando pode. Por mais paradoxo que seja, a sequência de erros de Carlos Miguel Aidar, o presidente, e seus subordinados começaram aí.
Muricy não conseguiu fazer um time competitivo em 2015. Teve tempo pra isso, conhecia os jogadores, tinha peças de qualidade à disposição. Mas a coisa não andou. Era necessário trocar. A diretoria não tomou nenhuma decisão. Inclusive, fez o possível para manter o técnico, ídolo de qualquer torcedor tricolor, é fato, mas visivelmente esgotado.
A imprensa em geral achou que foi uma atitude acertada a saída do homem. A especulação sobre o nome do novo professor era iminente. Três semanas se passaram e ninguém faz ideia de quem assumirá em definitivo o apito nos treinos na Barra funda. Por ora, Milton Cruz, há quase vinte anos como funcionário do clube, comanda as atividades. Milton faz bem seu papel, mas jamais demonstrou a intenção de ser treinador, mesmo tendo alguns bons resultados.
Na semana da saída de Muricy, alguns nomes foram citados. Entre eles, o nome de Alejandro Sabella, ex-treinador da seleção argentina, vice-campeão mundial em 2014. Sabella, ao ser procurado pela diretoria tricolor, disse que seu interesse era seguir rumo ao velho continente, agradeceu o convite e não fechou as portas para, quem sabe no futuro, assumir o Tricolor. Ataíde Gil Guerreiro, vice-presidente de futebol, deu a entender que o São Paulo esperaria pelo argentino até ele não conseguir fechar com nenhum clube europeu para assumir o São Paulo. Algo tão absurdo como os rumores da procura da diretoria por Abel Braga. Não pela qualidade do técnico. Abel ganhou tudo na carreira, mas a conversa que vazou era na seguinte linha: "Olha, seu Abel, estamos tentando o Sabella, que está difícil, tentamos também o Luxemburgo, que parece que está prestigiado no Flamengo, e nosso sonho é Jorge Sampaoli, que é indispensável na seleção chilena; se não fecharmos com nenhum dos três, o senhor topa vir pra cá?". Surreal, não?
Abel, rodado que só, chegou a dizer que seria muito bom dirigir o São Paulo, mas estava apalavrado com um clube do 'mundo árabe', onde é rei. Duvido que tenha ficado feliz com a postura dos dirigentes são-paulinos.
Mas a cena mais absurda de todas foi a declaração de Carlos Miguel dizendo que ligou para Luxemburgo, conversou bastante com o técnico rubronegro, que deixou claro que não sai da Gávea. Quando o torcedor esperava o anúncio do novo treinador, o presidente aparece com essa. É inacreditável!
A situação só não ficou pior para o manda-chuva são-paulino porque o time venceu o Corinthians pela Libertadores e classificou-se à segunda fase da competição, dando uma pequena trégua à diretoria. O São Paulo ganhou com isso duas semanas de folga até o primeiro duelo das oitavas de final contra o Cruzeiro, no Morumbi. Tempo suficiente para um novo técnico chegar, conhecer bem o elenco e preparar o time para o jogo mais importante do ano. Mas...
Mas uma semana se passou e nada de novidades em relação ao novo treinador. O que dá a impressão de que a diretoria vai levando com a barriga, do jeito que dá, no velho e batido discurso de que já que não tem tu, vai tu mesmo. Ou seja, passando a limpo o atestado de despreparo e incompetência de uma pífia diretoria de futebol. Profissional, por mais incrível que pareça.
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