terça-feira, 7 de julho de 2015

O triunfo chileno não foi por acaso

As expectativas chilenas eram as melhores possíveis antes do torneio sul-americano começar. A melhor geração de La Roja, treinada pelo excelente Jorge Sampaoli, vinha de boa campanha na Copa do Mundo do ano passado e de bons resultados em amistosos subsequentes.

Mas não foi nada fácil a construção do time que levaria, pela primeira vez em sua história, o título da Copa América. E derrotando, nos pênaltis, nada menos que a seleção mais talentosa do continente na atualidade: a Argentina, de Lionel Messi.

O Chile revelou ótimos atacantes na década de 1990. Em 1998, no Mundial disputado na França, contava com Marcelo Sallas e Ivan Zamorano no comando do ataque. Caiu nas oitavas de final diante do Brasil. Voltaria a disputar uma Copa do Mundo somente doze anos depois. Nesse hiato, tiveram mais decepções que alegrias, e ao perceber que poderiam ficar de fora de mais uma Copa foram atrás de Marcelo Bielsa, que vivia uma espécie de retiro sabático em sua fazenda, na Argentina. El Loco, como é conhecido, recolocou o Chile em um Mundial. Mas o mais importante: revolucionou o jeito de jogar da equipe. Em 2010, na África do Sul, La Roja caiu novamente nas oitavas de final contra o Brasil.

Bielsa não renovou seu contrato após aquela eliminação. Claudio Borghi, outro treinador argentino, foi chamado para dar continuidade no trabalho de El Loco. Porém, não foi tão bem sucedido como seu antecessor. Na Copa América de 2011, o Chile perdeu para a Venezuela nas quartas de final. Após o precoce tropeço no torneio Sul-americano e uma campanha com mais derrotas do que vitórias nas eliminatórias para o Mundial de 2014, a Federação chilena optou pela troca do comando técnico. Borghi foi substituído por seu compatriota Jorge Sampaoli - mais um argentino -, que vinha de brilhante campanha com a Universidad de Chile, campeão da Copa Sul-americana de 2011.

Discípulo de Loco Bielsa, Sampaoli assumiu a seleção chilena no returno das eliminatórias. Terminaria aquela campanha na terceira colocação, com 28 pontos e o segundo melhor ataque, com 29 gols. E com o passaporte carimbado para o Brasil.

O sorteio dos grupos não foi muito generoso. Espanha e Holanda, então atuais campeã e vice mundiais, na mesma chave. Estrearam com a obrigação da vitória contra a Austrália e não decepcionaram. O teste de fogo estaria por vir. Os espanhóis, que perderam o primeiro jogo contra os Laranjas, tinham a obrigação da vitória. Mas o Chile mostrou que o futuro daquele time era mesmo promissor. Vitória por 2 a 0 sobre os campeões mundiais e europeus em pleno Maracanã. E mais: eliminando-os precocemente daquela Copa. Fecharam a fase de grupos com uma derrota para a Holanda, que viria a ser semifinalista, o que fez com que o caminho chileno cruzasse com o do Brasil. Novamente nas oitavas de final. Jogo difícil, truncado, nada parecido com as tranquilas vitórias brasileiras em 1998 e 2010. Nos pênaltis, a eliminação diante dos donos da casa e a sensação de que poderiam ir mais longe. 



O Chile se preparou muito para a Copa América em casa. Chegou calejado, com o currículo cheio de grandes confrontos e experiência de sobra. Mostrou o melhor futebol, o jogo coletivo mais bem trabalhado e conquistou com méritos o inédito troféu. Um título que honra a história da seleção chilena, além de significar muito para o país. E que, sobretudo, acaba de vez com aquela pecha de jogamos como nunca, perdemos como sempre.

Viva Chile!

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