(Lamentáveis linhas...) Desde 2002,
quando foi pentacampeão mundial, o Brasil não chegava a uma semifinal de Copa
do Mundo. Nas seguintes, em 2006 e 2010, acabou parando nas quartas. Para
quebrar a ingrata sequência, chegou às 'semis' no Brasil. Quase parou nas
oitavas, é fato, jogando muito mal e sendo salvo por Júlio César nos penais.
Avançou e, jogando bem no primeiro tempo, passou pela boa seleção colombiana.
Mesmo com
todas os percalços, a Seleção avançava, aos trancos e barrancos, do jeito em
que já conhecíamos, o estilo Felipão de futebol - analisar os fatos depois de
ocorridos é sempre mais fácil do que criticar e opinar antes. Mas
reconhecíamos, nós, meros torcedores, os pontos fracos do time brasileiro.
Assistimos às classificações conseguidas sempre com muito suor e muitas
dificuldades. Não com o futebol jogado de maneira convincente, digno da escola
brasileira.
Contra a
Alemanha era duelo de titãs. Oito títulos mundiais em campo. Pelo futebol
jogado nessa Copa, os alemães eram favoritos. Felipão baseou-se na camisa
pesada e no discurso incentivador para trabalhar o time. Não se preocupou como
deveria com a qualidade adversária, apostou, apenas, nas suas convicções. Entretanto,
ninguém imaginava o desastre. Nem o mais otimista torcedor alemão acreditava em
um placar tão absurdo como esse. 7 a 1. 7 a 1!Placar único
na história da Seleção Brasileira. Justamente em uma semifinal de Copa do
Mundo.
Quando se leva a pior derrota em cem anos, é hora de parar, pensar e
rever alguns conceitos. Não adianta, porém, ser extremista e contratar um
treinador estrangeiro para o time (mas Pep Guardiola seria ótimo, hein?) e
achar que assim resolveríamos todos os nossos problemas. O buraco é mais
embaixo. É necessário, ao menos, começar uma nova fase no futebol brasileiro.
Desde as categorias de base. Na verdade, a parte fundamental de tudo isso é,
não o investimento, mas a maneira de se conduzir o futebol na produção do
jogador, é melhorar, atualizar o que a molecada de hoje está começando a jogar.
Pensar a longo prazo. Não necessariamente para colher resultados já na próxima
Copa, em 2018, na Rússia. Mesmo que isso nos custe 20 anos sem títulos
mundiais.
A Copa do
Mundo que trouxe jogos tão disputados e com resultados tão surpreendentes
reservou o mais improvável para a parte
final. Uma Copa que revelou
explicitamente como é a essência do futebol, algo que nos proporciona emoções
tão espontâneas e angustiantes, como o sofrimento da decisão de pênaltis contra
o Chile, ou tão explosivas como aquele gol de falta de David Luiz, contra a
Colômbia, no segundo tempo, nas quartas de final, ou até mesmo a ansiedade
antes da semifinal com a Alemanha – sensações, essas, tão distintas -, e que em
pouco tempo nos trazem decepções e amarguras. E com requintes de crueldade! Não
bastasse a tristeza e o nó entalado na garganta, nossa maior rival no futebol,
a Argentina estará onde gostaríamos: na final da Copa do Mundo.

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