quinta-feira, 10 de julho de 2014

Sobre o vexame brasileiro na Copa e suas consequências

(Lamentáveis linhas...) Desde 2002, quando foi pentacampeão mundial, o Brasil não chegava a uma semifinal de Copa do Mundo. Nas seguintes, em 2006 e 2010, acabou parando nas quartas. Para quebrar a ingrata sequência, chegou às 'semis' no Brasil. Quase parou nas oitavas, é fato, jogando muito mal e sendo salvo por Júlio César nos penais. Avançou e, jogando bem no primeiro tempo, passou pela boa seleção colombiana.

Mesmo com todas os percalços, a Seleção avançava, aos trancos e barrancos, do jeito em que já conhecíamos, o estilo Felipão de futebol - analisar os fatos depois de ocorridos é sempre mais fácil do que criticar e opinar antes. Mas reconhecíamos, nós, meros torcedores, os pontos fracos do time brasileiro. Assistimos às classificações conseguidas sempre com muito suor e muitas dificuldades. Não com o futebol jogado de maneira convincente, digno da escola brasileira.

Contra a Alemanha era duelo de titãs. Oito títulos mundiais em campo. Pelo futebol jogado nessa Copa, os alemães eram favoritos. Felipão baseou-se na camisa pesada e no discurso incentivador para trabalhar o time. Não se preocupou como deveria com a qualidade adversária, apostou, apenas, nas suas convicções. Entretanto, ninguém imaginava o desastre. Nem o mais otimista torcedor alemão acreditava em um placar tão absurdo como esse. 7 a 1. 7 a 1!Placar único na história da Seleção Brasileira. Justamente em uma semifinal de Copa do Mundo. 

                                       
Quando se leva a pior derrota em cem anos, é hora de parar, pensar e rever alguns conceitos. Não adianta, porém, ser extremista e contratar um treinador estrangeiro para o time (mas Pep Guardiola seria ótimo, hein?) e achar que assim resolveríamos todos os nossos problemas. O buraco é mais embaixo. É necessário, ao menos, começar uma nova fase no futebol brasileiro. Desde as categorias de base. Na verdade, a parte fundamental de tudo isso é, não o investimento, mas a maneira de se conduzir o futebol na produção do jogador, é melhorar, atualizar o que a molecada de hoje está começando a jogar. Pensar a longo prazo. Não necessariamente para colher resultados já na próxima Copa, em 2018, na Rússia. Mesmo que isso nos custe 20 anos sem títulos mundiais.

A Copa do Mundo que trouxe jogos tão disputados e com resultados tão surpreendentes reservou o  mais improvável para a parte final. Uma Copa que revelou explicitamente como é a essência do futebol, algo que nos proporciona emoções tão espontâneas e angustiantes, como o sofrimento da decisão de pênaltis contra o Chile, ou tão explosivas como aquele gol de falta de David Luiz, contra a Colômbia, no segundo tempo, nas quartas de final, ou até mesmo a ansiedade antes da semifinal com a Alemanha – sensações, essas, tão distintas -, e que em pouco tempo nos trazem decepções e amarguras. E com requintes de crueldade! Não bastasse a tristeza e o nó entalado na garganta, nossa maior rival no futebol, a Argentina estará onde gostaríamos: na final da Copa do Mundo.

Se tudo isso não for um sinal de grandes mudanças à vista, só nos resta lamentar.

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