(Texto para fechar este mês histórico; pequenas divagações e outras compilações sobre o que vi, li e ouvi. Segue, sem foto.)
A volta de
Dunga ao comando técnico da Seleção Brasileira de Futebol –o gaúcho comandou o
time entre 2006 e 2010- foi um balde de água gelada na cabeça de quem imaginava
novos rumos, ao menos para o time canarinho.
Após a
humilhante derrota para os alemães nas semifinais da Copa, muitos (incluindo
este inocente que vos escreve) imaginavam que os inapeláveis 7 a 1 marcariam o
início de algumas mudanças no futebol do país, a começar por novos ares na
comissão técnica da Seleção.
Pois bem. Na
primeira aparição em público, ou seja, na primeira entrevista coletiva
pós-vexame, o presidente da CBF, José Maria Marín, não estava lá para prestar
contas da catástrofe, mas sim para a divulgação do novo coordenador técnico, o
ex-goleiro e, até o dia anterior, empresário de jogadores, Gilmar Rinaldi.
O mesmo que
cedeu Adriano, então com 19 anos, e Reinaldo por Vampeta, esse mais lembrado
por suas cambalhotas alcoólicas do que por seu futebol. Gilmar, em sua fala
mais profunda, disse que com ele o time não usaria bonés incentivando Neymar,
fora do jogo, e sim Bernard, que estava em campo (referindo-se ao fatídico
Brasil x Alemanha). Sim, é esse sujeito com esse tipo de declaração que vai
comandar a ‘revolução’ no nosso futebol. Já o coordenador das categorias de
base é o novo guru de Zé das medalhas: Alexandre Gallo, medíocre como jogador e
sem nenhum trabalho expressivo como técnico de futebol.
Entretanto,
iludidos que somos, imaginávamos que o técnico, ao menos, poderia ser diferente,
alguém como Tite, talvez Abel Braga, quem sabe Marcelo Oliveira, atual campeão
brasileiro, líder do campeonato. Que nada. Nada poderia ser mais óbvio do que
Dunga, companheiro de Gilmar na Seleção há vinte anos. O homem que se encaixa
perfeitamente nos padrões reacionários cebeefianos. Estamos fadados –novamente-
ao discurso ridículo de pátria de chuteiras, de ser competitivo é o que
interessa, de que jogo bonito não ganha campeonato e outras asneiras
aleatórias.
Quantas
vezes esse discurso se repetiu e nada mudou? Continuamos com perda de memória
recente, olhando para o futuro apenas em função da última derrota, rezando por
uma boa safra que salve a lavoura.
A ferida
está aberta e o sangramento ainda longe de ser estancado. A necessidade de
mudanças urge, não podemos mais continuar dependentes do dinheiro das
transmissões de TV para a sobrevivência de nossos clubes. Não cabe, nem jamais
deveria caber seu uso como moeda de troca política, a irresponsabilidade fiscal
tolerada... enfim, quando a utopia paira é melhor encerrar essas linhas.
Em tempo: o
Grêmio demitiu o técnico Enderson Moreira após a derrota para o Coritiba pela
12ª rodada do Brasileirão. Mas Enderson não foi mal. Encarou o mais complicado
grupo da Libertadores neste ano, passou em primeiro lugar, eliminando nada
menos que Newells Old Boys, da Argentina, e Nacional, do Uruguai,
classificando-se às oitavas. Invicto. Caiu, nos pênaltis, diante do San
Lorenzo, finalista da competição. Para ‘renovar’ o futebol gremista, o
presidente Fábio Koff chamou um velho conhecido: Luiz Felipe Scolari. É a regra
dos cartolas brasileiros, esconder-se atrás de alguém com as costas largas.
Assim fica mais fácil, quando der errado tem alguém que assuma a culpa.

