sábado, 23 de novembro de 2013

Os oito campeões

A semana futebolística foi de definições sobre as últimas seleções classificadas para a Copa do Mundo de 2014, que será, como todos sabemos, aqui no Brasil.

                                               Cristiano comemora vaga

As maiores expectativas estavam sobre Portugal, França e Uruguai. Os dois últimos, por serem campeões do mundo, e os ‘patrícios’, por terem, hoje, o melhor jogador do planeta, Cristiano Ronaldo. E essas três seleções não decepcionaram.
França vence a Ucrânia e se classifica ao Mundial
França vence a Ucrânia e se classifica ao Mundial                                                   

Portugal eliminou a Suécia em dois jogos, pela repescagem europeia, com quatro gols do gajo mais famoso. A França, que corria sério risco de ficar de fora do Mundial, venceu a Ucrânia por 3 a 0 após perder o jogo de ida por 2 a 0. E o Uruguai apenas carimbou o passaporte ao empatar com a modesta seleção jordaniana, em Montevidéu, depois de vencê-la por 5 a 0, fora de casa.

                                 Uruguaios estarão presentes no Brasil

Teremos, então, os oito campeões mundiais na Copa do Mundo do ano que vem, que tem tudo para ser uma das mais legais da história, sobretudo pelo atual nível técnico dos times. São eles: Brasil, Argentina, Uruguai, Itália, Alemanha, Espanha, Inglaterra e França.
Desse grupo, os três países sul-americanos serão cabeças-de-chave. Já do grupo europeu, apenas Alemanha e Espanha – os outros três ‘cabeças’ serão Colômbia, Bélgica e Suíça. Ou seja, é possível que o Brasil enfrente alguns gigantes da bola já na fase de grupos, como Itália ou França ou Inglaterra. Isso porque o critério usado pela FIFA para a escolha desses times é referente à posição atual de cada equipe no contestável ranking da entidade.


                      Hulk marcou em amistoso contra o Chile
                                            
Das equipes sul-americanas, o Brasil é quem chega mais forte. Não apenas por jogar em casa, mas pelo crescimento técnico do time. Poucas são as dúvidas em relação ao time na cabeça de Felipão. Dentre elas, o terceiro goleiro (Cavalieri ou Vítor), um zagueiro (Dedé, Réver ou Marquinhos?), um reserva para Oscar (Willian ou Lucas) e um atacante (Nesse caso, o treinador pode optar por Robinho como terceira opção para o ataque e incluí-lo na vaga de alguém do meio-campo, já que Fred e Jô, se estiverem à disposição, na época da convocação final, são nomes certos).

                                                Lahm, o capitão alemão

Das equipes europeias, a Alemanha é quem atravessa o melhor momento. Além de contarem com trabalho de longa data do bom técnico Joachim Low, possuem jogadores do mais alto nível técnico. Os ‘germânicos’ estão, hoje, um degrau acima das sempre perigosas Itália e França e, até mesmo, da atual campeã mundial e europeia, a Espanha.

Portanto, a Copa do Mundo no Brasil tem tudo para oferecer grandes jogos. Quem sabe, Argentina e Portugal: Lionel Messi vs Cristiano Ronaldo logo na fase de grupos?

                                               Seria uma boa, não?

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Robinho, o agregador

A Seleção Brasileira jogou suas últimas partidas no ano nos dois amistosos, agora em novembro, contra Honduras e Chile, respectivamente.
 
Na lista dos últimos convocados, as novidades foram o zagueiro Marquinhos, da Roma, o meia Willian, do Chelsea – esses dois, debutando na Seleção - e Robinho, do Milan, esse, sendo destaque por ser chamado para o grupo de Luiz Felipe Scolari pela primeira vez desde o retorno do comandante. Não por acaso.

Robinho voltou a jogar bem pelo clube italiano, tem atuado com regularidade e mais perto do gol adversário, quase como um centroavante, o que nunca foi na carreira. Não fosse a carência de bons atacantes brasileiros no momento, a convocação do ex- santista seria contestável. Robinho nunca correspondeu às expectativas geradas por ele após encantar o país, em 2002, brilhando no campeonato brasileiro daquele ano e dando o primeiro título nacional ao Peixe desde que Pelé pendurou as chuteiras.
 
Após deixar a Vila Belmiro, em 2005, o atual camisa 7 milanista teve uma passagem de altos e baixos pelo Real Madrid, foi vendido por um caminhão de dinheiro para o milionário Manchester City, onde nunca justificou a fortuna investida. Em 2010, teve um breve retorno ao Santos, onde apresentou lampejos de seu futebol-moleque, foi campeão paulista e grande nome do Brasil na Copa daquele ano. Porém, sucumbiu junto aos comandados de Dunga. Já no Milan, Robinho deixou de ser a estrela para se tornar um mero coadjuvante. Na Seleção, o menino nascido em Cubatão andava esquecido, mas Felipão resolveu lhe dar uma chance.

Robinho chega em um momento de definições para a lista de observações finais para a Copa do Mundo de 2014. Tem à seu favor o bom relacionamento com os jogadores, é visto como um cara de grupo, agregador ao bom ambiente desejado pela atual comissão técnica, que sabe que é um risco contar com Fred, costumeiro frequentador do departamento médico do Fluminense, e Alexandre Pato, que ainda não decidiu se casa ou compra uma bicicleta.

Chances, na vida de Robinho, nunca faltaram. Talvez a melhor delas esteja aí. Basta o atacante saber aproveitá-la.
 
                                                        Próximo da Copa?

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Fora do Eixo


                           Everton Ribeiro: o melhor jogador do campeonato

O ano de 2013 marcou a décima primeira edição do campeonato brasileiro disputado na fórmula de pontos corridos. Até o ano de 2002, nenhum Brasileirão tinha sido conquistado sem que o campeão fizesse ao menos uma partida decisiva, passasse por uma fase de mata-mata, ou, até mesmo, disputasse até três jogos na decisão – como era costume nos anos 1970 – para levantar a taça. Porém, de 2003 pra cá, isso mudou.

Nas primeiras edições da atual fórmula, o sistema era contestado por muitos torcedores, diversos comentaristas esportivos e, sobretudo, pelos inúmeros corneteiros de plantão. A mudança provocava controvérsias e discussões interessantes. Os defensores do antigo formato diziam que, sem mata-mata, o campeonato não tinha emoção. E, de fato, na primeira edição, o Cruzeiro ganhou com uma certa tranquilidade, sem parecer fazer muito esforço. Como agora.
Dez anos depois, a história parece se repetir. Os mineiros azuis só precisam vencer o Grêmio, em casa, e torcerem para o Atlético Paranaense – o vice-líder – não derrotar o São Paulo para levantarem o troféu, faltando, ainda, cinco rodadas para acabar o torneio. Seria o campeão mais rápido da era dos pontos corridos. Contudo, dizer que esse modelo de disputa não proporciona emoção é o mesmo que não acompanhar o campeonato.

A luta pelas vagas de acesso à Libertadores do ano que vem é extremamente disputada, não há previsões claras sobre quem estará entre os melhores no fim. Assim como a disputa rodada a rodada para fugir das últimas fatídicas quatro posições, aquelas que rebaixam os times para a segunda divisão.
Não há como não enxergar emoção. Não há também como não enaltecer o Cruzeiro, do bom técnico Marcelo Oliveira, que cresceu durante o Brasileirão, venceu jogos difíceis e mostrou, quase sempre, um bom futebol – outro ponto à favor é que esse modelo premia sempre o melhor time, algo que, às vezes, não acontece em copas - . Além disso, leva o título para Minas Gerais, algo que não acontece há dez anos. Aliás, nas dez edições das vitórias que valem três pontos na tabela, apenas na primeira o caneco não foi parar em São Paulo ou no Rio de Janeiro, o que é até compreensível devido ao poder econômico desses estados, mas que não é muito interessante para o campeonato.

O fato é que o Cruzeiro se preparou para ser campeão. Montou, praticamente, um time inteiro, fez contratações pontuais, apostou em jogadores talentosos e em peças de reposição à altura. Gastou quase 40 milhões de dinheiros nacionais para construir o time inteiro. Curiosamente, o mesmo valor que um certo time gastou para contratar um único jogador.
Por planejamento, investimento correto e futebol de qualidade, o título cruzeirense é mais do que merecido.

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Palmeiras Série A

Rebaixado à Série B do campeonato brasileiro pela segunda vez em uma década, o Palmeiras cumpriu o seu dever de time grande, na segunda divisão, e conseguiu, antecipadamente, o acesso de volta à série A.

“O Palmeiras é um time de série A, que disputou, esse ano, a série B”, disse o presidente Paulo Nobre. Se formos analisar os números da tranquila campanha atual, evidenciaremos o desnível técnico entre o Palmeiras e seus concorrentes nessa tortuosa saga de volta à elite do futebol. Mas, no fundo, o torcedor não quer se apegar aos números, quer mais é comemorar a volta ao lugar de onde nunca queria ter saído.
O Palmeiras retorna ao nicho em que lhe cabe. E em ano especial, o do primeiro centenário da imponente Società Sportiva Palestra Itália, fundada por imigrantes italianos e seus descendentes em 1914. O regresso, porém, ganhará relevância se significar, também, o ressurgimento de um time forte, competitivo, para desempenhar papel de protagonista, como foi a vocação ao longo do tempo, e não a de coadjuvante ou humilde figurante.
A definição da comissão técnica também se torna fundamental para traçar os planos do ano que vem. A torcida quer saber se Gilson Kleina continua no comando do time ou se a diretoria irá atrás de um técnico de ‘grife’ – o atual treinador está longe de ser unanimidade no clube e na arquibancada.

O Palmeiras continua jogando a Série B, por ora, mas com a cabeça e os planos voltados para 2014. A espinha-dorsal do time deve ser aproveitada, é boa: Fernando Prass, Henrique, Wesley, Valdívia e Alan Kardec formam a base de uma equipe que deve ser remontada para a disputa de um campeonato bem mais difícil e muito mais interessante.
Comemorar o acesso é legítimo. O título é questão de tempo, virá em algumas rodadas. Talvez com o gosto amargo de quem já provou dissabores e anda um tanto quanto calejado. Contudo, o que mais importa para o torcedor alviverde é que o time, no ano que vem, não mais jogará as terças, sextas e sábados. Jogará às quartas-feiras, depois da novela, fará clássicos com Corinthians, São Paulo e Santos, aos domingos, e, principalmente, deixará de ser chacota no papo entre amigos.

Bem-vindos de volta, Palestrinos!