sexta-feira, 25 de outubro de 2013

O retorno de Kaká


A atuação de Kaká diante do Barcelona, pela fase de grupos da UEFA Champions Legue, foi animadora. Era a primeira participação do brasileiro na competição desde que voltou a jogar pelo Milan. E o camisa 22 foi muito bem.

Há tempos não se via o futebol que Kaká mostrou ao mundo nos seus melhores dias. Não digo que foi brilhante, porém o ex são-paulino provou que talento ainda tem de sobra. Se já não possui o mesmo vigor físico que demonstrava quando foi o melhor jogador do mundo, em 2007, Kaká deixou claro que ainda pode ajudar muito o Milan e - por que não? - a seleção brasileira.

O jogo de terça-feira terminou empatado pelo placar mínimo, mas valeu mais pelos lances protagonizados pelo meio-campista, que jogou mais aberto pela esquerda, e por Robinho, autor do belo gol rossonero, após excelente tabela entre ambos, relembrando os bons tempos em que jogaram juntos na Seleção.

E por falar em Seleção, Luis Felipe Scolari ainda não encontrou – se é que realmente procura - um reserva para Oscar. Felipão, quando não tem o meia do Chelsea à disposição, como nos amistosos contra Austrália, Portugal e no primeiro tempo do jogo contra Zâmbia, improvisa Ramires no setor. Excelente jogador, também, mas longe de ser o meia-de-ligação clássico que o Brasil cansou de produzir. É fato que Kaká também não seja exatamente esse jogador, mas, tecnicamente, atributos não lhe faltam.

A concorrência nessa posição existe, mas não há, no momento, nenhum jogador que encha os olhos de Felipão, nem da crítica esportiva. Ganso, em constante evolução no São Paulo, pode ser esse jogador. É diferente de Oscar, mas capaz de ser o meia-armador ideal para suprir uma possível ausência de Oscar. Contudo, o camisa 8 tricolor não agrada muito o treinador brasileiro.

Analisando dessa maneira, talvez Kaká tenha alguma chance, mesmo que remota, de encontrar um espaço no grupo dos vinte e três convocados para a Copa do Mundo de 2014.

Por fim, e contrapondo tudo isso, não creio que o objetivo principal no atual momento da carreira de Kaká deva ser esse. O mais importante, agora, é manter um bom nível de atuações com a camisa do Milan, jogar com regularidade e buscar títulos para seu clube. Aí, então, o retorno à Seleção será inevitável.

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Tite fica

(Até quando, não sei) Após mais uma derrota do Corinthians, dessa vez para o Grêmio, a diretoria alvinegra reuniu-se no CT do Parque Ecológico, na última quinta-feira, para discutir a permanência de Tite no comando técnico do time.

A pressão de conselheiros pela saída do treinador era grande, mas o presidente Mário Gobbi não cedeu, devido ao enorme respeito pelo gaúcho, responsável pelas maiores conquistas da história do Corinthians.

Sair, no atual momento, seria pela porta dos fundos, e isso Tite não merece. O técnico tem sua parcela de culpa pelo péssimo momento do time no campeonato, cada vez mais perto da zona incômoda da tabela. Mas não é o único responsável. Jogadores, outrora fundamentais, como Danilo e Emerson Sheik, principalmente, caíram muito de produção, sem contar com a saída de Paulinho, vendido ao Tottenham no meio do ano.

Além disso, jogadores que chegaram com a missão de renovação técnica não contribuem, casos de Pato, que não é nem sombra do que se espera, e Renato Augusto, frequentador assíduo do departamento médico – nem vamos citar as contratações inexplicáveis de Íbson e Maldonado.

É claro que Tite teria de achar um novo jeito para o time jogar, mas até agora isso não aconteceu. Porém, o técnico conhece bem o elenco e tem o carinho dos jogadores. A crise é puramente técnica e passa diretamente pelo desempenho dos atletas. Contratar um novo treinador a essa altura do campeonato seria arriscado demais. Em 2007, Nelsinho Batista chegou para salvar o time da degola faltando 11 jogos para o fim e o Corinthians caiu.

Talvez, pensando nesse caso e na própria permanência de Tite, quando toda a torcida pedia a cabeça do técnico após a fatídica eliminação diante do Tolima, na Libertadores de 2011, Mário Gobbi tenha decidido por mantê-lo no comando.

A atitude merece respeito e reverência, devido a nossa ultrapassada cultura de futebol de resultados. No entanto, se o presidente acertou ou não, somente os 27 pontos em disputa dirão.


-Em tempo: Tite pode sair pela porta da frente ou até mesmo renovar seu contrato que se encerra em 31 de dezembro desse ano. Basta manter o time na elite. Ou, ainda, vencer a Copa do Brasil e colocar o Corinthians na Libertadores do ano que vem.

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

O risco Paulista

(Atualizando aqui com a coluna esportiva feita especialmente para o jornal...)

Frequentadores costumeiros da Champions League das Américas, as equipes paulistas correm sério risco de, pela primeira vez em quinze anos, ficarem de fora da próxima edição da Libertadores.
Existem várias vias de acesso para se chegar a principal competição futebolística de nosso continente. A que mais atrai os clubes é a via-Brasileirão, pela disponibilidade de vagas: os quatro primeiro colocados do campeonato nacional de pontos corridos estão automaticamente na Libertadores do ano seguinte. É fato que o quarto colocado ainda tem de torcer para que nenhum clube brasileiro conquiste a Copa Sul-americana, competição paralela que premia o campeão com uma chance entre os melhores da América. Porém, nesse caso, excluindo o último classificado conterrâneo, ou seja, o quarto colocado do Brasileirão.

E entre os quatro melhores times do certame tupiniquim das vitórias que valem três pontos, nenhum clube paulista passa perto. O que mais se aproxima, no momento, é o Santos, que parece mais torcer para que 2013 acabe o quanto antes. Sem muito alarde, os praianos parecem cumprir tabela e não dão muitas declarações entusiasmadas nem demonstram, principalmente, um futebol empolgante que faça a torcida sonhar, tampouco almejar uma vaga no torneio continental de 2014.
A Portuguesa, que faz uma campanha de recuperação nesse segundo turno, caminha próxima ao Santos, mas em franca ascensão. Dada como provável candidata ao rebaixamento, a Lusa contratou o técnico Guto Ferreira, ex-Ponte Preta, no decorrer do campeonato, e o novo treinador mudou os planos do clube, traçando o caminho das vitórias e o bom futebol do time. O cenário mais previsível é que, assim como o Peixe, a Portuguesa fique onde está: no meio da tabela.

Já o Corinthians era tido como candidato natural ao título antes mesmo de começar o campeonato. Time experiente, atual campeão mundial e com um treinador querido e respeitado pelos jogadores – além de competente. O Timão começou oscilante, perdia uns jogos, ganhava outros, e logo estava entre os quatro. Era questão de tempo, a liderança. Mas uma sequência incrível de resultados negativos, atribuídos, com razão, aos muitos desfalques do time, minaram qualquer possibilidade de caneco alvinegro. O título passou de sonho a devaneio, e a vaga na Libertadores, via-Brasileiro, fica mais distante a cada rodada. A preocupação agora é mais com a parte debaixo da tabela do que com o topo, embora o discurso seja outro. A única possibilidade plausível de estar na elite das Américas é vencer a Copa do Brasil.

Assim como o arquirrival, quem olha mais para baixo do que pra cima na tabela é o São Paulo. Hoje, sob o comando de Muricy Ramalho, os tricolores se encontram em posição nada confortável, lutando rodada à rodada para fugir da zona da degola. Não por acaso. A posição atual é consequência de equivocadas decisões da conturbada diretoria, que trocou Ney Franco por Paulo Autuori e, em menos de dois meses, o demitiu e contratou Muricy para salvar o time do que poderia (ainda pode) ser o pior ano da história do clube. Curioso é que, mesmo lutando para não ser rebaixado, o São Paulo ainda pode sonhar com a Libertadores do ano que vem. Basta vencer a Copa Sul-americana, torneio no qual é o atual campeão.


Da série A para a série B, a Ponte Preta tem o caminho já pavimentado. É o pior paulista do campeonato e candidato provável para disputar a segundona, no ano que vem.
Da série B para a série A, o Palmeiras caminha tranquilo, sem muitas preocupações, embora tropece de vez em quando. Mas o acesso é inevitável. Porém, Libertadores no ano do centenário é inviável, pois a única porta de entrada, para os palestrinos, nesse ano , já foi fechada, com a eliminação nas oitavas de final da Copa do Brasil.

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

O dia em que a Júlia nasceu

(Entrar no corredor da maternidade e não lembrar de quando o Gabriel nasceu é impossível. Foi o dia mais importante pra mim. Lembro como se fosse hoje, mesmo há quase cinco anos.)

A consulta no médico era às quatro da tarde, já marcada na semana anterior. Corri do trabalho pra casa, buscar a patroa, que já estava pronta há umas 48 horas. Fazia calor naquela sexta-feira. Cheguei com muita sede, abri uma cerveja e tomei como quem bebe um copo d’água no deserto. Minha vontade era de embriagar-me naquela mesma hora, só para conter a ansiedade, mas tinha de estar sóbrio.

Esperamos um tempão, no consultório, até chegar a nossa vez. E foi tudo como previsto, a hora chegara, a Júlia estava pronta e a Rosana estava bem. O doutor disse que poderíamos ir direto para o hospital: seríamos pais, novamente, naquela noite. Nessa hora, mesmo com toda aquela expectativa e a experiência já vivida, bate uma sensação de euforia, tensão e felicidade.

Entramos pelo mesmo corredor. Não há como não passar aquele mesmo filme em sua mente. Mas dessa vez era diferente, além de um pouco mais velhos (mas não tão mais experientes assim), seríamos pais de uma menininha. Sim, uma menininha. Para um pai, isso faz toda a diferença. No quarto, nos acomodamos e esperamos, tranquilamente, a chamada para a sala de cirurgia. Minha sogra querida estava conosco e, para distrair a emoção, lembramos da última vez em estivemos ali e pelos bons momentos em que passamos até voltarmos àquela mesma situação.

Não demorou muito e fomos chamados. Assim como na primeira vez, estava pronto para assistir o parto. E fui. Antes, passamos por uma espécie de vestiário, o médico e eu, para colocarmos as vestimentas necessárias para adentrar na sala de cirurgia. No caminho, uma das enfermeiras avisou ao doutor que não tinha conseguido o contato com o pediatra que solicitamos - o mesmo de nosso filho. O doutor perguntou se a enfermeira tinha ligado na casa do médico, e ela disse que sim, mas ninguém atendia. Sem se importar com minha presença e muito menos com minha reação, soltou um bem soletrado puta-que-o-pariu ao saber que o pediatra de plantão não era de seu agrado. Tentei ficar tranquilo, afinal, confiava naquele homem de jaleco, apesar dos palavrões. E ao perceber minha preocupação diante da sua tentou me acalmar dizendo que estava tudo bem.
A tensão em relação ao médico pediatra durou pouco, já que alguns minutos antes de começar, a mesma enfermeira disse que tinha conseguido entrar em contato com uma pediatra amiga, mais chegada ao doutor, e que já estaria a caminho. Senti um certo alívio da parte da equipe médica (curioso, isso; relações de parcerias profissionais há em todos os meios).

Eram oito e pouco da noite quando me chamaram para entrar na sala. A mesma sala de antes. Olhei as horas. Gravei em mente o primeiro corte do bisturi; tentei ficar calmo, me concentrar e, apesar do barulho dos instrumentos cirúrgicos e da conversa no ambiente, ouvia os ponteiros do relógio ao lado de fora, cuja visão se dava através de um vidro na parede onde fiquei encostado.

O primeiro choro é inesquecível. O comentário do doutor também: "nossa, grandona ela, hein?" "É, não puxou o pai", disse outra enfermeira sem-graça, com um ligeiro ar de deboche perante minha estatura não muito avantajada. Logo, a médica pediatra já pegou a Júlia no colo e a levou para uma sala ao lado. Pela primeira vez muito próximo a minha filha, chorei. Chorei de emoção, de alegria. Perguntei à pediatra se estava tudo bem, ela disse que sim, "a menina é perfeita". Era tudo o que eu queria ouvir.

A troca de ‘salas’continuou e, após levarem rapidamente a menina para a mãe ‘dar a benção’, fomos para outro lugar onde se tiram as medidas, o peso, fazem o teste auditivo e o pai pega o bebê no colo antes de entrar na fila da família babona que espera ao lado de fora.

Ao voltar pelo corredor da maternidade, todos que já esperavam debruçados na parede transparente da salinha dos recém-nascidos vieram me abraçar e saber como era a pequenina. Disse que era moreninha, diferente do irmão, loirinho, e que era muita linda e parecida com ele. A curiosidade da família só aumentou, mas durou pouco, pois logo a nova integrante estaria ali, perante todos.Os flashs começaram logo que a enfermeira posicionou, estrategicamente, a garotinha para a primeira e talvez mais importante sessão de fotos de sua vida. A babação era grande. O momento é único. A alegria, incomparável.
Não vou dizer que passa um filme de toda a sua vida naquele momento. Não dá tempo. É tudo rápido demais. Da euforia pela nova vida entre nós, vem uma calma quase que budista quando todos se vão e ficamos a sós embaçando o vidro do berçário, venerando aquele presente de Deus e, ao mesmo tempo, carregando toneladas de responsabilidades futuras em mente.

Dormir em hospital nunca é confortável, mesmo quando a causa é nobre. Nosso ‘plano de parto’ não permitia acompanhantes para passar a noite, mas como a maternidade estava tranquila naquela sexta-feira fiquei por ali mesmo. Para minha sorte, havia um pequeno sofá no quarto e, como não sou muito alto, ainda pude esticar as pernas (nós, os baixinhos, somos ecologicamente viáveis para o planeta, já que consumimos menos e ocupamos pouco espaço). Peguei no sono logo, antes mesmo de acabar o ‘Globo Repórter’ - apesar de simples, havia uma TV 14 polegadas. A Rosana só relaxou na hora em que levaram a Júlia para o quarto (devido ao excesso de sono, não lembro a hora, apesar de ter olhado no relógio). A menina estaria pronta para a primeira mamada, e a mãe, apesar da dor, respirava aliviada por ter, pela primeira vez, a filha em seus braços.


Logo pela manhã, e após uma grande sessão de olhares apaixonados e a contemplação por minha garotinha, tive de partir para o trabalho. Despedi-me de minhas meninas e saí. Saí carregando as noites mal dormidas que estariam por vir, as preocupações naturais que só os filhos nos proporcionam e, principalmente, a responsabilidade de zelar por um novo ser nesse mundo um tanto confuso em que vivemos. Mas com um sorriso inevitável e muito mais feliz de quando entrara.

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

As chances de Pato

A Seleção brasileira convocada para os amistosos contra Austrália e Portugal, respectivamente, perdeu, devido a uma contusão muscular, o centroavante Fred, do Fluminense, artilheiro do Brasil, desde que Felipão reassumiu o comando técnico do time. Fred, ainda em recuperação, ficou fora das convocações paras os amistosos seguintes, contra Zâmbia e Coreia do Sul.

De contestável na ‘Era Mano Menezes´, a jogador imprescindível com Luis Felipe Scolari, Fred é o melhor camisa 9 do Brasil. Experiente, técnico e goleador, ganhou pontos com o treinador – e com a torcida – devido a sua excelente Copa das Confederações. Seu substituto natural é Jô, centroavante do Atlético Mineiro, campeão da Libertadores e que também fez uma boa Copa das Confederações, sempre substituindo Fred e dando conta do recado.
Mas a aposta e outra alternativa para o ataque é Alexandre Pato. O camisa 7 corintiano entrou na partida contra a Austrália e deixou sua marca. Contra Portugal também começou no banco de reservas, entrou no segundo tempo mas quase não foi notado em campo. Outrora alento e natural herdeiro da ‘9’ brasileira, Pato sequer é titular em seu clube.
O talento de Pato é e sempre foi indiscutível. Jogador técnico e de fino trato com a bola, o atacante de 24 anos oscila demais. Não mantém uma sequência de jogos no mesmo nível e, por isso, não é o jogador inquestionável que, teoricamente, teria de ser. O rótulo de eterna promessa sempre vem à tona quando a fase não é boa. Mesmo assim, Felipão resolveu dar chances a ele. E chances, na carreira de Pato, é o que nunca faltaram.

O garoto apareceu para o futebol quando tinha 17 anos, jogando pelo Internacional, e logo foi campeão do mundo com o Colorado, vencendo o Barcelona de Ronaldinho Gaúcho. Após seu sucesso repentino e meteórico, foi vendido ao Milan e lá alternou bons e maus momentos. Por vezes, aparecia mais na mídia devido aos seus romances com atriz global ou filha de ministro, do que pelo que fazia dentro de campo. Os italianos, então, resolveram abrir mão de seu futebol – por uma boa quantia financeira, é fato.
De volta ao Brasil, Pato ganha nova oportunidade para se firmar com a camisa da Seleção. Contudo, o que fica evidente com suas recentes convocações é que Felipão aposta em Alexandre não apenas pelo seu talento, mas, sim, pela falta de melhores alternativas no momento.

Há uma opção melhor do que Pato? Quem? Leandro Damião, inconstante no Internacional? Diego Tardelli, que vem muito bem no Galo, porém jogando pelos lados do campo? ou Wálter, o gordinho matador do Goiás?
Talvez, Felipão esteja mesmo certo.

                                                                                   (Será?)