terça-feira, 28 de abril de 2015

Atestado de despreparo e incompetência

O São Paulo Futebol Clube, ex soberano do futebol brasileiro, perdeu seu treinador, Muricy Ramalho, no dia 6 de abril, após uma sequência de resultados ruins e péssimo futebol apresentado. Muricy saiu em comum acordo com a diretoria, que, diga-se, não tinha a intenção em demiti-lo. Porém, como além dos objetivos prévios longe de serem alcançados o técnico alegou que necessitava de um tempo para tratar de problemas de saúde.

Em tempos nos quais critica-se tanto a alternância dos professores da bola no comando dos times, é louvável a atitude da diretoria são-paulina ter bancado o treinador até quando pode. Por mais paradoxo que seja, a sequência de erros de Carlos Miguel Aidar, o presidente, e seus subordinados começaram aí.


Muricy não conseguiu fazer um time competitivo em 2015. Teve tempo pra isso, conhecia os jogadores, tinha peças de qualidade à disposição. Mas a coisa não andou. Era necessário trocar. A diretoria não tomou nenhuma decisão. Inclusive, fez o possível para manter o técnico, ídolo de qualquer torcedor tricolor, é fato, mas visivelmente esgotado.


A imprensa em geral achou que foi uma atitude acertada a saída do homem. A especulação sobre o nome do novo professor era iminente. Três semanas se passaram e ninguém faz ideia de quem assumirá em definitivo o apito nos treinos na Barra funda. Por ora, Milton Cruz, há quase vinte anos como funcionário do clube, comanda as atividades. Milton faz bem seu papel, mas jamais demonstrou a intenção de ser treinador, mesmo tendo alguns bons resultados.


Na semana da saída de Muricy, alguns nomes foram citados. Entre eles, o nome de Alejandro Sabella, ex-treinador da seleção argentina, vice-campeão mundial em 2014. Sabella, ao ser procurado pela diretoria tricolor, disse que seu interesse era seguir rumo ao velho continente, agradeceu o convite e não fechou as portas para, quem sabe no futuro, assumir o Tricolor. Ataíde Gil Guerreiro, vice-presidente de futebol, deu a entender que o São Paulo esperaria pelo argentino até ele não conseguir fechar com nenhum clube europeu para assumir o São Paulo. Algo tão absurdo como os rumores da procura da diretoria por Abel Braga. Não pela qualidade do técnico. Abel ganhou tudo na carreira, mas a conversa que vazou era na seguinte linha: "Olha, seu Abel, estamos tentando o Sabella, que está difícil, tentamos também o Luxemburgo, que parece que está prestigiado no Flamengo, e nosso sonho é Jorge Sampaoli, que é indispensável na seleção chilena; se não fecharmos com nenhum dos três, o senhor topa vir pra cá?". Surreal, não?


Abel, rodado que só, chegou a dizer que seria muito bom dirigir o São Paulo, mas estava apalavrado com um clube do 'mundo árabe', onde é rei. Duvido que tenha ficado feliz com a postura dos dirigentes são-paulinos. 


Mas a cena mais absurda de todas foi a declaração de Carlos Miguel dizendo que ligou para Luxemburgo, conversou bastante com o técnico rubronegro, que deixou claro que não sai da Gávea. Quando o torcedor esperava o anúncio do novo treinador, o presidente aparece com essa. É inacreditável!


A situação só não ficou pior para o manda-chuva são-paulino porque o time venceu o Corinthians pela Libertadores e classificou-se à segunda fase da competição, dando uma pequena trégua à diretoria. O São Paulo ganhou com isso duas semanas de folga até o primeiro duelo das oitavas de final contra o Cruzeiro, no Morumbi. Tempo suficiente para um novo técnico chegar, conhecer bem o elenco e preparar o time para o jogo mais importante do ano. Mas... 


Mas uma semana se passou e nada de novidades em relação ao novo treinador. O que dá a impressão de que a diretoria vai levando com a barriga, do jeito que dá, no velho e batido discurso de que já que não tem tu, vai tu mesmo. Ou seja, passando a limpo o atestado de despreparo e incompetência de uma pífia diretoria de futebol. Profissional, por mais incrível que pareça.

terça-feira, 7 de abril de 2015

Muricy, eterno tricolor


Depois de Telê Santana, pela importância das conquistas e pelo período de grande felicidade para o torcedor tricolor, Muricy é o maior treinador da história do São Paulo. Cresceu jogando bola pelos corredores do Morumbi. De 1973 a 1979 foi um camisa 8 talentoso e cabeludo. Ainda jovem, fez carreira futebolística jogando no México. Voltou para o clube no começo da década de 1990 para virar discípulo de ‘Seu Telê’, expressão que ainda usa quando se refere ao ilustre professor.

Chegou para treinar o time infantil. Logo, foi promovido a auxiliar técnico. Venceu a Copa Conmebol em 1994 com a equipe reserva do São Paulo e assumia os treinos quando Telê se ausentava. Quando o mestre afastou-se de vez do time, Muricy comandou os trabalhos por algumas vezes entre outras trocas de treinadores são-paulinos. Saiu do clube em 1997 para assumir o Guarani, prometendo voltar um dia para fazer história. Dito e feito.

Retornou ao clube de coração em 2006, logo após a histórica conquista do Mundial de clubes frente ao Liverpool. De cara, foi finalista da Copa Libertadores, mas perdeu a decisão justamente para o Internacional, seu ex-clube. Não se abateu. Ao contrário, deu a volta por cima e foi tricampeão brasileiro, em 2006, 2007 e 2008, algo inédito no futebol brasileiro. Entrou de vez para a galeria dos grandes treinadores do São Paulo e do Brasil.

Em 2009, após uma eliminação nas quartas de final da Libertadores, saiu do clube em comum acordo com o então presidente Juvenal Juvêncio. Treinou o Palmeiras, depois o Fluminense, onde foi campeão brasileiro – mais uma vez. Chegou a recusar um convite para assumir a Seleção Brasileira após a Copa do Mundo de 2010 devido a sua palavra ao presidente do clube das Laranjeiras de que não deixaria o cargo.

Em 2011 transferiu- se ao Santos onde junto com Neymar, Ganso e companhia venceu, finalmente, Libertadores. Título inédito para Muricy e qual o Peixe não ganhava desde quando Pelé ainda jogava. Dois anos depois voltou ao São Paulo para salvar o clube do iminente rebaixamento do campeonato brasileiro. Pegou o time na antepenúltima colocação. Terminou o Brasileirão na parte de cima da tabela. Um feito e tanto.

No ano seguinte, 2014, o São Paulo foi vice-campeão brasileiro jogando um futebol por vezes bonito e eficiente, como na vitória contra o Cruzeiro, o melhor time do país, no Morumbi. Porém, em 2015 a coisa azedou. Muricy começou a temporada ausente devido a problemas de saúde. O futebol nem de longe lembrou os bons momentos do ano anterior. Os resultados não apareceram e, para piorar, o time perdeu os clássicos contra Corinthians e Palmeiras. A gota d’água foi a derrota para o Botafogo de Ribeirão Preto por 2 a 0, quando o time andou em campo.

Novamente em comum acordo, Muricy pega seu boné. Além dos resultados ruins e do futebol que não aconteceu, os problemas de saúde pesaram. Mas deixa o clube pela porta da frente, prometendo voltar, um dia quem sabe.

Que ele siga a vida, cuide de sua saúde e seja feliz. Deixa o São Paulo mas levará consigo o carinho do torcedor que o tem e sempre o terá como um ídolo eterno. Valeu, Muricy!