Lá pelo fim do primeiro turno do Brasileirão, entre agosto e setembro, escrevi uma pequena análise para a coluna em que assinava no jornal 'Folha de Avaré', que agora está agregado ao maior jornal da região, o 'Sudoeste Paulista'. A coluna falava sobre as primeiras impressões sobre o potencial dos times, sobretudo visando o desempenho até então.
Como, por algum motivo que não me lembro agora, não publiquei-a nesse deserto virtual, reproduzirei minhas previsões aqui, fazendo um paralelo, em parêntese, com a atual situações dos times . Duas apostas foram certeiras; já as outras, bem, segue o jogo...
Primeiras impressões
Passada a
primeira metade do primeiro turno do campeonato brasileiro de 2013, algumas
equipes começam a despontar na ponta da tabela enquanto outras demonstram suas
instabilidades. Talvez ainda seja cedo para apontarmos favoritos ao título,
times que vão lutar por uma vaga na Libertadores, ou aqueles que lutarão para
sobreviver na elite futebolística do Brasil.
Mas fazer
apostas, simular prognósticos ou simplesmente arriscar quem chega e quem cai
faz parte da cultura do torcedor. Para este que vos escreve, a briga pelo
caneco já está restrita a apenas três times. Sim, apenas três. Explico (ou
tento).
Não vejo,
por exemplo, o Botafogo com gás o suficiente para chegar ao fim brigando pelas
primeiras posições, quiçá pelo título. A equipe do técnico Oswaldo de Oliveira
vem jogando um bom futebol, apresenta uma certa regularidade, tem bom jogadores
e um meio-campista excepcional: o holandês Clarence Seedorf. Porém, quando as
atenções forem divididas com a Copa do Brasil – este ano, o torneio tem suas
fases decisivas paralelas com o Brasileirão - , o Botafogo deve sofrer com a
reposição no time principal, que é bom, diga-se. Mas o elenco é carente. Ao
contrário do Cruzeiro.
O time da
capital mineira foi um dos que mais se reforçaram para esse Nacional. Jogadores
muito bons, alguns ótimos, foram contratados. É o caso de Dedé, Nílton, Éverton
Ribeiro, Ricardo Goulart, Dagoberto, Borges e o repatriado Júlio Batista, que
nem chegou a estrear. Ou seja, a Raposa tem um elenco recheado de opções e vem
fazendo um bom campeoanto até a aqui, sempre brigando pela liderança. Pela
força do conjunto, a diversidade de atletas à disposição e pelo bom trabalho do
excelente técnico Marcelo Oliveira, pode-se dizer que o Cruzeiro é uma aposta
real para o título desse ano, mesmo disputando, paralelamente, as fases
decisivas da Copa do Brasil.
(Até aqui, acertei na mosca. O Botafogo perdeu o gás na reta final e corre o risco de ficar fora até da zona classificatória à Libertadores. Tem de vencer a derradeira partida, contra o Criciúma, que luta contra o rebaixamento, além de torcer contra Goiás e Vitória, seus concorrentes diretos na última vaga para o torneio continental.)
Assim como o
Internacional. Os comandados de Dunga tem oscilado bastante, é verdade, mas as
diversas opções de qualidade no elenco colorado, a base dos últimos anos
mantida e contratações pontuais, como Jorge Henrique, Alex e Scocco, dão
credibilidade para apostas mais altas. Isso se a diretoria der sequência no
trabalho e não trocar o comando técnico no decorrer da disputa, o que tem sido
frequente no Internacional, nos últimos anos – o que explica, talvez, a falta
de títulos dos vermelhos no campeonato brasileiro.
(Os Colorados fazem campanha pífia nesse Brasileirão. Faltando três pontos em disputa, ainda correm o risco, mesmo que matemático, de serem rebaixados. Algo que pareceria improvável na época de minha insignificante análise, devido ao investimento feito pelo clube. Dunga, o técnico, caiu faz tempo. Na ocasião, a demissão até pareceu justa, porém, Clemer, o substituto, não deu conta do recado, e o Internacional tem 2013 como um ano para ser esquecido.)
Já o
Coritiba, assim como o Vitória, são times que fazem um belo começo de
Brasileirão, tem bons jogadores e dois técnicos bem atualizados. Porém, a meu
ver, o que pesa contra essas equipes é falta de elenco para se manter no topo,
principalmente quando ambos os times entrarem na disputa da Copa Sul-americana.
Talvez, uma disputa por vaga na Libertadores, via Brasileirão, seja mesmo um
grande triunfo.
(Vejam bem. Nesse parágrafo, fui bem em partes. O Vitória tem chances de se classificar à Libertadores. Precisa vencer sua partida contra um Atlético Mineiro, pensando no Mundial de Clubes, além de torcer contra Botafogo e Goiás, seus respectivos concorrentes. Já minhas previsões sobre o Coritiba foram totalmente furadas. O Coxa, após um início promissor, despencou a ladeira. A diretoria mandou o técnico Marquinhos Santos embora, contratou Péricles Chamusca, que nada resolveu e o dispensou. Tcheco, ex jogador do time, assumiu o comando e tenta salvar o time da degola. Basta vencer o São Paulo fora de casa para se salvar. Ou torcer para tropeços de Vasco e Fluminense.)
Fechando
minha lista de candidatos ao título, destaco o Corinthians. Talvez o mais
ameaçador dos times que, hoje, disputam a parte de cima da tabela. O time do
técnico Tite joga junto há três anos, perdeu seu principal jogador – Paulinho
foi vendido ao Tottenham – mas manteve a base. Seus dois principais reforços
para a temporada, Alexandre Pato e Renato Augusto, são reservas de luxo.
Edenílson vem, aos poucos, tomando o lugar do capitão do Mundial, Alessandro.
Guilherme vem suprindo a carência no meio deixado pelo ex-camisa 8 e Romarinho
não deixa Tite tirá-lo da equipe. A força do conjunto corintiano é a principal
arma para a conquista do caneco.
(Pensei em deixar esse parêntese em branco. Mas, pensando bem, quem não apostaria no campeão mundial? Pois é, muitos, assim como eu, apostaram errado. O Corinthians decepcionou, não chegou nem perto da zona da Libertadores e protagonizou os jogos mais chatos do campeonato. Com isso, nem Tite se mantém no cargo para a próxima temporada.)
Há, ainda, outras boas equipes que não devem ser menosprezadas, como o Atlético Mineiro,
campeão da Libertadores, mas que, ao que tudo indica, deve focar no Mundial de
clubes da FIFA e abdicar da disputa do campeonato nacional, o que é uma pena.
E, só para fazer justiça, não nos esqueçamos do Bahia, de Cristóvão Borges, que
vem fazendo um ótimo trabalho, mas que já será classificado como santo se levar
o time a disputa da Libertadores do ano que vem. É isso: Corinthians, Cruzeiro
e Internacional, pra mim, os potenciais campeões nacionais de 2013.
(Bem, é isso. Prognósticos à parte, o Brasileirão foi de um nível técnico bem abaixo das expectativas. Mas fazer previsões fazem parte do futebol, e em um campeonato tão cheio de grandes times como o nosso, acertar todas as previsões é praticamente impossível. O que de melhor nos resta agora é acompanhar a última rodada, que trará alegrias para alguns, e decepções para outros.)
Everton Ribeiro, o melhor do Brasileirão