quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Temporadas perdidas

(tirando o pó) Ando meio sem tempo pra atualizar esse pequeno espaço virtual, como vocês devem ter notado. Mas como já se passaram duas semanas e inúmeros pedidos insistentes de meus incontáveis seguidores, vou escrever algumas linhas sobre um assunto que já era pra aparecer aqui.

Ontem, o São Paulo estreiou Émerson Leão no comando técnico da equipe. Velho conhecido dos tricolores (foi campeão paulista pelo time do Morumbi, em 2005), Leão andava meio esquecido, acompanhando o futebol de longe, até que surgiu o convite do São Paulo e o técnico aceitou. Foi bem na sua apresentação, disse que seu nome foi lembrado porque deixou saudades. Mas na verdade, não foi bem assim.

Leão abandonou o barco em 2005 alegando que não podia deixar de ajudar um amigo no Japão e atravessou o mundo. O São Paulo contratou Paulo Autuori, venceu a Libertadores e o Mundial naquele ano e a torcida, claro, nem lembrava mais do ex-treinador. O tempo passou, Autuori se mandou e o São Paulo entrou no período das vacas gordas com Muricy Ramalho, conquistando o Brasileirão três vezes seguidas, algo inédito e que, dificilmente, será repetido. Já Leão, voltou ao Brasil, passou por Palmeiras e não durou muito. Foi para o Corinthians e conseguiu livrar o time do rebaixamento, em 2006. Dois anos depois, voltou ao Santos, time no qual foi campeão Brasileiro, em 2002, mas onde não deixou muitos amigos em 2008. Leão ainda dirigiu outros times, como Atlético Mineiro, Sport e Goiás, mas se destacou mais por suas divergências com a imprensa e dirigentes do que por títulos.

O que fez, então, Leão para voltar ao Morumbi?Alguns dizem que ele voltou porque o São Paulo precisa de alguém com pulso firme, que o ex-treinador Adílson Batista era bonzinho demais, e treinador não pode ser amigo de jogador. Concordo que Leão seja um cara mais rígido, um bom escudo para os jogadores, mas o que levou Juvenal Juvêncio a 'convocar' o treinador foi a necessidade de trazer alguém que tenha a imagem ligada as vitórias, algo que não é mais comum no ambiente Tricolor. O São Paulo precisava de um nome forte e, mesmo longe dos trabalhos há pouco mais de um ano, Leão ainda é uma 'grife'.

Se o tiro foi certo dessa vez, só os últimos sete jogos do Brasileirão é que dirão, já que o outro caminho (Copa Sulamericana) para a Libertadores 2012 e que possibilitava uma chance de título em um ano de insucessos, teve sua rota abreviada. Se der certo, Leão pode continuar no comando para a próxima temporada. Em caso de fracasso, Leão afunda junto com um time e uma diretoria em mais uma temporada perdida. Terá seu nome na mesma lista de Ricardo Gomes, Sérgio Baresi, Paulo César Carpegiani e Adilson Batista, treinadores que não tiveram o mesmo sucesso de Muricy Ramalho e que passaram pelo Tricolor sem deixar títulos e saudades.

Para um torcida que comemorou 'tudo' entre 2005 e 2008, três anos de jejum são uma eternidade.

Leão em sua primeira passagem pelo São Paulo, entre 2004 e 2005(Cavalo selado passa duas vezes?)

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