quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Começar de novo não é a solução

(eu acho) Mano Menezes completou um ano no comando da seleção brasileira, ontem, no dia do amistoso contra a Alemanha. Foi o primeiro jogo do Brasil após o vexame na Copa América, no mês passado. E, após o fiasco em terras portenhas, era óbvio a pressão sobre o técnico por resultados mais satisfatórios. Só que mais uma derrota aconteceu. E muitos torcedores, vários jornalistas e inúmeros corneteiros de plantão já contestam o trabalho do ex-técnico do Corinthians. O que é normal.

Quando Mano assumiu, era conscenso que Ricardo Teixeira acertou na contratação do técnico, depois de protagonizar um belo mico, concedendo entrevista exclusiva ao programa "Arena Sportv" anunciando Muricy Ramalho como novo treinador, sem o aval do então técnico do Fluminense, que teria conversado no mesmo dia, pela manhã, com o manda-chuvas da CBF, porém, sem dar a confirmação do convite. Ricardinho, do alto de sua magestade, não esperou aconfirmação de Muricy e o anunciou como novo técnico da seleção. Horas depois, veio a negativa do treinador alegando que o Fluminense não o teria liberado. Após ter sido contrariado, o que não é muito comum, o dono da Copa 2014 optou pela segunda opção e Mano Menezes não recusou.

Na época, a maioria gostou da ideia de Mano na seleção. Treinador calmo, tranquilo, educado. Homem elegante, de fino trato com imprensa e que vinha de um bom trabalho em um grande clube do país. Na primeira convocação, chamou Neymar e Ganso, preteridos por Dunga na lista da Copa do Mundo da Africa do Sul, mesmo diante de grande apelo popular e de boa parte dos jornalistas. E o Brasil venceu os Estados Unidos jogando bem e com um futebol diferente daquele que eliminou a seleção do último mundial. Pois bem, a renovação do futebol brasileiro parecia estar bem encaminhada. Parecia. Até que o primeiro grande desafio de Mano chegou. Derrota para a Argentina por 1 a 0. Mas, até aí, tudo bem. Era a Argentina de Messi.

O Brasil voltou a campo meses depois, já esse ano, e o desafio não era fácil. Mais uma derrota, dessa vez para a França, carrasco histórico do Brasil. A seleção jogava bem até a expulsão de Hernanes, que prejudicou o desempenho do time. Só que a partir desse jogo, as coisas mudaram. O técnico, que não se diz rancoroso, não voltou a convocar Hernanes. Diante de algumas perguntas sobre a ausência do meio-campista da Lazio, Mano respondeu que preteriu o jogador por questões táticas, e não em função da expulsão contra os franceses.

A seleção ainda venceria a Escócia, em Londres, com dois gols de Neymar, antes de enfrentar os holandeses, algozes do Brasil em terras africanas. Era a chance de se redimir diante de um grande. Mas o Brasil não passou de um 0 a 0 no Serra Dourada. As críticas ficaram cada vez mais fortes. A Copa América passou então a ser um verdadeiro teste de fogo para Mano e seus pupilos, mas a campanha foi decepcionante: uma vitória, três empates e quatro pênaltis desperdiçados eliminaram o Brasil do torneio. E, então, o jogo contra a fortíssima seleção alemã gerou enorme expectativas. Afinal, qual seria a postura da seleção?

Bem, o resultado do jogo, agora, é o que menos importa. A Alemanha joga junto desde 2006, quando fez bela campanha em casa, sendo eliminados nas semifinais pela Itália, que seria a campeã daquele Mundial. Joachim Low, que era auxiliar técnico, assumiu o comando após a Copa e a seleção germânica foi vice-campeã europeia, em 2008, perdendo para os espanhois (mais um exemplo de resultados a longo prazo), que também os elimanariam nas semifinais da Copa do Mundo, dois anos depois.

Hoje, a seleção brasileira passa por uma reformulção total. A decadência precoce de Kaká, devido à questões físicas, e a queda de rendimento notável de Ronaldinho (até hoje, uma incógnita), 'obrigaram' o novo treinador do Brasil a começar uma reformulção no elenco canarinho, tendo como 2014 o principal objetivo. A ausência de Ganso, que só jogou contra os Estados Unidos, depois se machucou e só voltou na Copa América, prejudicou os planos do treinador, que tinha o jogador à disposição, ontem, mas preferiu deixá-lo no banco de reservas. O esquema tático também foi diferente do que o Brasil vinha jogando, e, talvez, isso seja o fator mais preocupante. Outro agravante é uma mudança geral nas 'peças' de meio-campo. Contra a França, há seis meses, o Brasil tinha Lucas Leiva, Elias, Hernanes e Renato Augusto no setor. Ontem, Mano escalou Ralf, Ramires, Fernandinho e Robinho. Mudando tanto assim, fica difícil dar entrosamento a equipe e buscar resultados satisfatórios à longo prazo. Sem contar que é mais um argumento para os corneteiros de plantão, como eu.

Nou vou aqui contestar algumas convocações pra lá de discutíveis, como Fernandinho, Fred e André Santos (esse, a cada jogo mostra que não é e nunca foi jogador de seleção), nem vou pedir a troca do comando técnico da seleção. Mas vou ressaltar que ainda falta muito para o Brasil fazer um bom papel em 2014. Mais precisamente: três anos, doze estádios e um time de futebol.

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