sexta-feira, 1 de julho de 2011

Desvendando a Copa América

Bem, amigos do Blog do Jones, estamos de volta e em uma sexta-feira (faz tempo que não escrevo na sexta, eu acho) para fazermos pequenas observações sobre o torneio de seleções mais empolgante abaixo da linha do Equador: a Copa América, que começa hoje, na Argentina.

E para compensar a minha ausência nos últimos dois dias, farei um post especial sobre essa competição de doze equipes divididas em três grupos de cada, na primeira fase, sendo que oito se classificam para a segunda. Como pressuponho que os amigos blogueiros não terão interesse em saber as escalações de Bolívia e Venzuela e nem curiosades sobre os esquemas táticos de Peru e Costa Rica, falaremos apenas sobre os três cabeças-de-chave.

Começamos pelos donos da casa: 'cabeças' do grupo A, os argentinos estreiam hoje contra a Bolívia (que foi vice-campeã em 1997, jogando em casa), depois enfrentam a Colômbia (que teve uma boa seleção nos anos 90 e foi campeã há 10 anos, como anfitriã) e fecham a primeira fase contra a Costa Rica (que disputará a competição com seu poderoso esquadrão sub-22, já que os titulares foram poupados para a Copa Ouro).

O time base albiceleste tem um ataque poderoso, mas a defesa é o ponto fraco. Romero é um bom goleiro, Zanetti, veteraníssimo, faz a lateral-direita e o miolo de zaga, com Burdisso e Gabriel Milito, é o calcanhar de aquiles da equipe de Sérgio Batista. Um exemplo disso é que Pep Guardiola, técnico do melhor time do mundo, não usa Gabi Milito, contratado há alguns anos por um caminhão de dinheiro, nem quando todos os zagueiros estão indisponíveis. Fechando a zaga, Rojo (quem?) faz a lateral-esquerda. A partir do meio-campo, a equipe melhora. Mascherano, Cambiasso e Banega são bons volantes que saem bem para o jogo. Mas falta alguém para fazer a ligação do meio para o ataque, poderosíssimo, diga-se, com Lavezzi, Tévez e Messi. Sim, Messi é o centroavante do time, ou melhor, o 'falso 9', como dizem. E é assim, do jeito que joga no Barcelona que Los Hermanos estão escalados.

Agora, se tirar Messi do time, a Argentina não é o bicho-papão que todos tememos. Ainda assim é um bom time. Carlitos fez uma excelente temporada no Manchester City e preocupa qualquer defesa. O time ainda conta Diego Milito, Higuaín e Di Maria no banco de reservas. Mas o dono do time e o cara que tem a responsabilidade de dar um título a sua seleção, que desde 1993 não ganha nada, é o camisa 10 barcelonista. Messi, naturalmente, é a bola da vez e o ponto de desequilibrio de um time bom sem ele, muito bom com ele.

No grupo B, o Brasil é o 'cabeça'. Mano Menezes tem um grande freguês na estreia: enfrenta a Venezuela, que deixou de ser a cinderela do futebol sul-americano, como crava o presidente da Federação Venezuelana, mas que está longe de preocupar qualquer grande seleção. Depois joga contra os paraguaios, que sempre fazem jogos difíceis contra o Brasil, e fecham a primeira etapa do torneio contra o Equador, que viveu seus anos dourados na última década, participando das Copas do Mundo de 2002 e 2006.

O técnico brasileiro vem testando o time no seu esquema preferido, o 4-2-3-1. Mano aposta em jogadores experientes para mesclar com com os novos talentos. Júlio César ainda é o preferido no gol. Daniel Alves é indiscutível na lateral-direita; Lúcio, Thiago Silva e André santos fecham a boa defesa canarinho; os volantes, Lucas Leiva e Ramires, são jogadores leves e que tem boas saídas, uma grande tendência do futebol europeu. E aí, então, é que será a grande aposta do treinador: Robinho na direita, Neymar na esquerda, Ganso, no meio e Pato, na frente. Esquema ousado e interessante, que, com o camisa 10 jogando mais recuado, pode transformar-se em um 4-3-3. Mas a cereja do bolo desse time é Neymar. O esquema pode variar, mas o fato é que o time é muito mais perigoso com o '11' em campo.

No grupo C, quem 'domina' é o Uruguai. Semifinalistas da última Copa do Mundo, os celestes jogam juntos há quatro anos e tem um conjunto muito forte, com destaque para o tridente ofensivo de respeito: Suárez, Cavani e Forlán, o melhor jogador na África do Sul. A equipe de Oscar Tabárez estreia contra os fracos peruanos, que viveram o auge nos anos 70; depois enfrentam o Chile, que tem jogadores talentosos, como Alexis Sanchez, que está na mira do Barça, e o palmeirense Valdívia; E encerram a primeira fase contra a equipe sub-22 do México, que não contará nem com Javier Chicarito Hernández, a principal estrela, nem com o treinador oficial.

Não é um torneio dos mais empolgantes, mas pode ser bem interessante à partir das semifinais, quando, provavelmente, sobrará as três grandes forças e mais algum intruso. Nos anos 90, era a Colômbia; depois apareceu o Equador e, de uns tempos pra cá, o Chile. Brasil e Argentina fizeram as duas últimas finais, mas o Uruguai, dessa vez, tem um time muito mais forte e entrosado. E, só para constar, foram os celestes que venceram a última Copa América disputada na Argentina.

Um comentário:

Anônimo disse...

Como de costume leio seu blog e como sempre está excelente.
Valeu!