segunda-feira, 25 de julho de 2011

A Copa América e o valor de um campeão


(mais que merecido) Dezesseis anos depois, o Uruguai conquista novamente a Copa América. Ontem, a festa teve um sabor especial. Não apenas pelo longo jejum de títulos, mas por vencer o torneio na casa do maior rival.

A vitória incontestável sobre o Paraguai (3 a 0) provou que o Uruguai é o melhor time das Américas pelo segundo ano consecutivo. A campanha histórica na África do Sul, um ano atrás, já havia dado amostras de que o trabalho nas divisões de base, iniciado em 2006 e sob o comando de Oscar Tabárez, estava realizando bons frutos e que o Uruguai estava no caminho certo.

Essa revolução no futebol uruguaio começou há cinco quando os Celestes não conseguiram se classificar para a Copa do Mundo da Alemanha. Disputaram a repescagem para o mundial mas foram eliminados e ficaram de fora do mais importante torneio de seleções. Pouco, muito pouco para um país bicampeão mundial. Difícil para aquele povo que só ouvia falar das conquistas longínquas, de títulos ganhos em meados do século passado. Até então, nem entre os quatro melhores times de futebol da América do Sul os uruguaios figuravam. Era necessário uma revolução para salvar o futebol charrua.

O trabalho, com resultados planejados à médio-longo prazo, mostrou-se eficiente após uma semifinal de Copa do Mundo, em 40 anos, e um título de Copa América, em 16.

Porém, o que me chama mais atenção, e é preciso ressaltar é que essa revolução no futebol uruguiao se fez necessária devido a carência de matéria prima (além dos motivos citados acima). E, agora, fica mais evidente o tamanho da conquista de nossos vizinhos de baixo, que, com um trabalho mais humanista do que esportivo, fazendo inúmeras peneiras com garotos, investindo desde cedo e impedindo que o estudo fosse deixado de lado, buscando o melhor em um canto do universo de apenas 3 milhões de habitantes, colha mais frutos do que um trabalho realizado por gestões esportivas incompetentes, mesmo com um terreno mais fértil de 200 milhões de habitantes.

Uma vitória muito além dos resultados.

2 comentários:

Anônimo disse...

A um tempo atras, quando assista futebol com meu velho pai( fins dos anos 60 e começo de 70)ouvia a velha queixa do futebol "desleal" e competitivo dos Uruguaios.(não que em alguns momentos ele até tinha razão)
Pachequisse ou trauma do Maracanasso, sempre ouvi de meu velho companheiro e acresentado por alguns locutores e comentaristas "romanticos"(para não chamar de parciais) a estoria do melhor futebol do mundo é "verde e amarelo", e que se perdasse de Uruguaios ou Argentinos era pela violencia "apito" ou falta de sorte.
Quem gosta de futebol, aprecia um grande time jogando.
fui junto com meu velho companheiro fã do grande Flamengo 80/81, fã de Diego Maradona na copa 86(mexico), e mais recente 0 Barça de Messi/xavi e cia. e o Santos de Neymar/Muricy/Ganso.
Até 2002 confesso que fui um pouco pacheco, perdi meu velho companheiro alguns anos depois,(2005)e na copa seguinte ja me restringi a olhar de forma diferente para a seleção.(diferente ao meu time de coração).
Nesta copa America comentei com meu novo companheiro de jornada esportiva(meu filho)que torceria para o time que mais me agradava desde a ultima copa do mundo, a Celeste Olimpica e para o espanto de minhas companheiras( minha esposa e filha) não tive nenhuma reação a desclassificação da seleção da CBF.
Enfim, hoje meu time na copa America foi Campeão com meritos, não só aprecio como time mas como um grupo de grandes vencedores.

Anônimo disse...

Futebol é isso.
Futebol é paixão!

Belo texto e lindo comentário!