segunda-feira, 29 de junho de 2015

O Brasil de Dunga: uma tragédia anunciada


A eliminação do Brasil para o Paraguai nos pênaltis, novamente nas quartas de final de uma Copa América, é só mais um capítulo do triste caminho que trilha o futebol tupiniquim. 

Um ano depois do maior vexame protagonizado por uma seleção em uma Copa do Mundo, outra desclassificação não é nada perto do precipício para o qual se encaminha o esporte mais querido, e pelo qual o Brasil era sinal de reverência no mundo inteiro. Infelizmente, não é mais.

Oito de julho de 2014 foi o capítulo mais triste da história do futebol brasileiro. A ferida ainda está longe de ser cicatrizada. Porém, nada mais propício que a tragédia anunciada para servir de alerta para repensarmos nossos erros. Nada como um cenário difícil para buscarmos outras saídas e soluções.

Mas não. É mais fácil botar a culpa em alguém. O 'apagão' foi a desculpa dos 7 a 1. Na época, Felipão, Parreira e Marin (aquele que está preso por corrupção) não reconheceram o tamanho do abismo técnico, tático e até de talento da Alemanha sobre nós. Scolari insistiu que o trabalho foi bem feito, Parreira leu a carta da dona Lúcia (risos!) e Marin... bem, Marin sabia que tinha de tomar uma atitude. E tomou. Tomou a atitude mais fácil quando se é quem manda: demitiu toda a comissão técnica. Todos nos enchemos de esperança. Era a chance de tentarmos algo novo, diferente. Buscar novas visões de futebol, conceitos de jogo, conhecimento tático, fazer uma proposta ousada a Pep Guardiola, sondar José Mourinho, conversar com Carlo Ancelotti, ou apostar em Tite, que vinha de grandes conquistas, assumiria com moral a Seleção. Ledo engano. Na verdade, pura utopia. 

Não é racional esperar atitudes ousadas e inovadoras de gente (e aqui incluo exclusivamente José Maria Marin) que apoiou a ditadura militar. Marin foi Marin, apostou no conservadorismo, quis resgatar o discurso batido de que a Seleção é a pátria de chuteiras, de que tem de vestir a camisa, dar o sangue em campo e, para isso, nada melhor do que a lamentável figura de Dunga, um líder fantástico quando jogador, mas de conhecimento técnico, tático e científico próximo do zero - sem contar suas infelizes declarações. 

Onze vitórias consecutivas em jogos que de nada valem são capazes de iludir o torcedor. O resultado na Copa América foi o mais próximo da realidade do nosso futebol atual. Marcação forte, compactada, volantes presos frente à zaga, com meias mais preocupados em defender do que atacar, laterais sendo a válvula de escape e, quando a coisa aperta, chutão pra frente na esperança de sobrar pro craque decidir. Craque que virou capitão sem ter a maturidade necessária para liderar um time que ora teve a camisa mais pesada do mundo. Hoje, o varal já não entorta mais.

É necessária - e urgente - uma revolução no futebol brasileiro. Pra ontem. Mas que não nos iludamos com a gestão de Marco Polo Del Nero, uma figura exponencial do retrocesso em que vivemos. O atual manda-chuvas da CBF é mais do mesmo de Marin e Ricardo Teixeira. E, só pra não encerrar essas linhas com tom esperançoso, que fique claro que Del Nero garantiu Dunga no cargo. Afinal, a (des)culpa da eliminação foi uma virose.

Respira por aparelhos (superfaturados?) o futebol brasileiro. Triste, muito triste.

quinta-feira, 25 de junho de 2015

Expulsões, atitudes desrespeitosas e jogo quente. Chile 1 x 0 Uruguai

A primeira fase da Copa América 2015 teve alguns bons jogos, outros excelentes, até. Como Argentina 2 x 2 Paraguai e Chile 3 x 3 México.

A boa seleção chilena, treinada pelo excêntrico Jorge Sampaoli, foi, de longe, o melhor time da fase de grupos. A melhor geração da 'Roja', aliada ao doping emocional - o mesmo que contagiava a seleção brasileira na Copa do Mundo no ano passado -, mostrou seus predicados contra seleções medianas, para não dizer fracas. Venceu o Equador, empatou com o México e goleou a Bolívia. O maior teste seria o Uruguai, nas quartas de final. E foi.

O experiente técnico uruguaio Óscar Tabárez armou La Celeste no tradicional 4-4-2 defensivo com o cão de guarda Arévalo Rios ao lado de González por dentro, na segunda linha; Carlos Sánchez aberto na direita e Cebola Rodríguez do lado inverso. Na frente, o fraco Rolán ao lado do emocionalmente abalado Cavani. Uma aula de disciplina tática. O problema é quando tinham a bola.

Sampaoli recuou o ótimo volante Marcelo Díaz para fazer a sobra e a saída de três quando tinham a posse de bola, nada menos do que 72% no primeiro tempo. Consequentemente, liberava as descidas dos laterais, Isla na direita, e Mena na esquerda. Vidal voltava pela direita e se alinhava a Aránguiz no meio, liberando Valdívia, o melhor em campo, para jogar solto e procurar os atacantes Sánchez e Vargas, que alternavam as posições na frente. O Chile girava, tocava, procurava espaços mas não conseguia ameaçar, de fato, a meta de Muslera.

                                        Valdívia, o homem do jogo

O segundo tempo começou quente. Quanto mais o tempo passava, mais o Chile sentia a pressão pelo resultado. Jogo tipicamente bom para a experiente e cascuda seleção uruguaia. Cavani se estranhou com Jara, o quarto beque chileno e levou o segundo amarelo. Sandro Meira Ricci não viu a infame provocação do zagueiro, apenas o revide do atacante. Assim, com a vantagem numérica, os donos da casa pressionaram ainda mais. Tabárez recuou as linhas, deixando apenas Abel Hernández, que tinha entrado no lugar de Rolán, isolado à frente. O jogo virou um festival de bolas chilenas levantadas na área adversária. 

Percebendo as variantes da partida, Sampaoli trocou Vargas por Pinilla e deu mais presença de área e força física para seu time. Trocou também Díaz por Fernández e soltou de vez o meio de campo. Encurralado, restava para o Uruguai apenas se defender. E defendeu-se o quanto pode. Até Muslera rebater mal uma saída de bola, que sobrou para Valdívia. O 10 chileno ajeitou para Isla, solto, chutar rasteiro e encaminhar a classificação. Festa contagiante dos mais de 50 mil torcedores no Estádio Nacional, em Santiago.

No fim, Ricci marcou falta de Fucile em Sánchez e deu o segundo amarelo para o lateral uruguaio. Mais uma expulsão. Como sempre, o péssimo árbitro brasileiro dá seu jeito de aparecer no espetáculo (é incompreensível a Conmebol escalá-lo para um jogo dessa importância). Faltavam poucos minutos, os donos da casa tinham um homem a mais e o jogo na mão, era possível ficar na conversa. Mas seu Sandro adora um cartão vermelho.

Após alguns minutos de muita confusão, partida retomada e cozinhada até o fim. Chile novamente em uma semifinal de Copa América após dezesseis anos de ausência. São favoritos contra Peru ou Bolívia. Mas terão de jogar mais e, principalmente, ter o controle emocional necessário para levantar a taça em casa. O que é bem possível.