segunda-feira, 11 de março de 2013

Os 35 anos dos jogos de futebol no vídeo-game

Quando assisti a um vídeo no youtube, essa semana, sobre a história dos jogos de futebol no vídeo-game, quase não acreditei quando vi que os primeiros jogos a serem lançados foram em 1978. Primeiro, por causa da data - Não precisa ser nenhum gênio da matemática para calcular que faz 35 anos; Segundo, pela evolução dos jogos ao longo dos anos.

Os primeiros games, lançados pelo lendário Atari, eram sensacionais para a época. Vendo com os olhos atuais, é até difícil explicar para uma criança nascida no século XXI que era possível ter muito divertimento com um jogo como aquele, em que a visão do campo era somente ‘aérea’ e a diferença entre os dois times era as cores dos jogadores - não haviam uniformes, muito menos fisionomias. A maioria dos games dos anos 80 eram assim: pouco realismo, simplicidade total e, ao mesmo tempo, inovação.

Já no começo dos anos 1990, o Mega-Drive, histórico vídeo-game da SEGA (quem não se lembra de, ao ligarmos o ‘console’, aquela gravação ecoando pela sala: “Seeegaaa”... demais!) foi um revolucionário da época ao lançar os jogos em ‘16 bits’. O Sega Soccer tinha um nível de detalhe muito grande e, não por acaso, era um dos jogos mais desejados.

A inovação veio com o lançamento do Fifa International Soccer, em 1994. A EA Sports trouxe a perspectiva ¾ dos gramado, algo ainda inédito. E passaria a lançar versões anuais. O jogo era bem completo e logo virou um sucesso de vendas. Não demoraria, então, para o mercado crescer e os concorrentes perceberem o potencial dos jogos de futebol.

A Konami entrou no mercado e em 1995 lançou o Fifa International Superstar Soccer para o Super-Nintendo (ou SuperNes para os mais íntimos). Além de ser divertido e ter uma jogabilidade excelente, o game vinha com narração, gritos da torcida, comemorações e tudo mais, o que proporcionava uma emoção a mais para quem jogava. Algo que viraria padrão mais pra frente. O sucesso foi tanto que levou a um novo lançamento, o revolucionário e mítico Fifa International Superstar Soccer ‘Deluxe’, o mais cobiçado cartucho futebolístico de quem, hoje, tem mais ou menos 30 anos.

Desde então, EA Sports e Konami dominam o mercado dos jogos de futebol, que foram evoluindo ao longo dos anos, trazendo novas opções, como a possibilidade de escolher os estádios, condições climáticas e até tipos de gramados diferentes. Sem contar a diversidade de campeonatos que foram surgindo. Foi quando a EA Sports percebeu a força da Copa do Mundo e, a partir de então, sempre lançaria uma versão específica sobre o Mundial.

Já no final dos anos 1990, a Konami trouxe uma franquia que acabaria virando um grande sucesso: o Winning Eleven, que chegou à Europa e à América do Norte com o nome de Goal Storm. O jogo passou a crescer e virar ‘febre’ a partir de Winning Eleven 3 (ISS Pro 98 para o mercado ocidental), quando o sucesso já era compatível ao de ‘Fifa’. Em Winning Eleven 4, de 1999, o nome ocidental passou a ser Pro Evolution Soccer, que batizou a franquia e se tornaria, mais tarde, o nome oficial no mundo todo a partir de 2008. Considerado mais realista que o jogo da EA Sports, o PES ganhava espaço e se tornava o jogo de futebol mais popular do mundo.

A série Fifa, então, resolveu ‘se mexer’ e, em 2006, a versão da Copa do Mundo da Alemanha já trazia algumas mudanças e se aproximava do realismo do PES. Em 2009, a versão de ‘Fifa’, já para PS3 e XBOX, veio com uma revolução de jogabilidade, tornando o jogo mais interessante e divertido. Desde então, as duas franquias estão muito próximas em qualidade, e hoje é apenas uma questão de gosto pessoal escolher o melhor jogo para ‘perder’ horas e horas, sozinho ou com seus amigos, realizando campeonatos incríveis, torneios eliminatórios ou apenas amistosos em frente à telinha, seja ela de LED, LCD, Plasma, um cubo de 29 polegadas ou, até mesmo, aquela Telefunken antiga que a gente ainda tem guardada só para ligar, de vez em quando, o bom e velho Mega-Drive, Super-Nintendo ou Master-System.
                          
                           Para quem se interessar em assistir, o vídeo segue abaixo:
 

sábado, 9 de março de 2013

Sobre Chorão


                                                              (Chorão 1970 - 2013)

Não me lembro exatamente quando foi a primeira vez em que ouvi Charlie Brown Jr. Provavelmente, deve ter sido alguma música do primeiro disco, o irreverente ‘Transpiração contínua prolongada’. Não entendia muito bem o conteúdo das letras, achava estranho a mistura do ska com aquele rock-falado-bem-escrachado, mas a simpatia cresceu com a chegada do segundo disco, ‘Preço curto, prazo longo’. ‘Zoio de lula’ logo virou hit e ‘Te levar’ apareceu como música tema de ‘Malhação’, a novela da molecada.

Naquela época, a MTV era um grande sucesso de audiência e a banda do Chorão estava sempre no topo das paradas. Sempre com clipes diferentes, às vezes aparecendo em alguns programas da emissora, como nos inesquecíveis ‘Luau MTV’, muito bem apresentado por Sabrina Parlatore, diga-se. Era o começo dos anos 2000 e logo, bandas que estavam no auge, como Raimundos e Planet Hemp mudaram seus rumos. Já os caras de Santos, não. Em 2001, lançariam o excelente disco ‘Nadando com os tubarões’ e, definitivamente, consolidariam o nome da banda como uma das maiores de sua época.

Época especial na vida de um moleque de quinze, dezesseis anos, em que via nascer uma grande paixão em sua vida: a música, o rock, a liberdade de expressão através de um microfone, uma guitarra, um baixo e uma bateria (montar uma banda e fazer meia dúzia de shows foi uma das experiências mais emocionantes que tive). E o Charlie Brown Jr. fez parte de tudo isso. Suas músicas sempre foram inspirações para qualquer garoto dessa época. Suas letras, por vezes cafajestes, por vezes protestantes, e por muitas e muitas vezes falando de amor e de sentimento, expressaram da melhor forma um grito preso na garganta de uma juventude inteira (exagerei um pouco aqui, eu sei. Tem gente que prefere o Marcelo Camelo).

Logo, os caras de Santos lançariam três grandes discos em sequência: o ‘100% Charlie Brown Jr’, ‘Bocas Ordinárias’ – esse, um dos melhores discos de rock nacional da década passada, e o ‘Acústico MTV’, gravado ao vivo e com participações especiais de Marcelo Nova, Negra Lee, RZO e Marcelo D2 (na trilha sonora da minha adolescência, todos esses discos fazem parte).

Também tive a oportunidade de ir em dois shows dos caras. O primeiro foi em 2003, em Bauru, logo que eles tinham lançado o ‘Bocas’ – show inesquecível. O segundo foi diferente. A banda já tinha se separado e, dos integrantes ‘originais’, apenas o Chorão estava no palco. Mas foi legal, também, pelo show fazer parte da gravação do programa ‘Família MTV’, em 2005, em um ginásio de esportes em Botucatu. Na época, o disco ‘Tâmo aí na atividade’, que ganhou vários prêmios, inclusive um de melhor disco de rock da América Latina, marcou um divisor de águas na trajetória da banda. O apogeu ficara para trás.

Meu interesse pela banda foi diminuindo a partir do de então. Já não ouvia com a mesma frequência de antes, apesar de achar bom o disco ‘Imunidade Musical’, gravado com a então nova formação (‘Senhor do tempo’ é uma das minhas preferidas). A banda ainda gravaria mais dois discos de músicas inéditas com a nova formação: ‘Ritmo, Ritual e Responsa’ e ‘Camisa 10 joga bola até na chuva’, discos nos quais, confesso, não prestei a devida atenção, mas conheço e gosto de algumas músicas. Eles, então, estavam para lançar o disco gravado ao vivo em Curitiba ‘Música Popular Caiçara’, à partir de março/abril de 2013, quando aconteceu a morte do Chorão.

Morte que comoveu muita gente, não apenas por ser um ídolo. Eu, particularmente, fiquei triste demais. Quase não acreditei quando vi a notícia correndo; a comoção era geral. ‘Meu Deus, o Chorão. Que Merda!’, pensei. Pensamos. Um cara que tinha o dom da palavra, de transmitir suas ideias para tanta gente, que escreveu tantas letras bonitas, que fazia tanta gente cantar palavras de amor, partir assim, da maneira como partiu. Do jeito que ele temia, sozinho. Sozinho.

Sensacionalismo barato é o que acompanha esse tipo de acontecimento. Principalmente na internet. Páginas virtuais mostravam a imagem o corpo, ali, da maneira como foi encontrado, horas depois de declarada a morte. Mas não quero me desvirtuar. Ou me alongar.

Haviam algumas atitudes bem particulares. Chorão não era um cara fácil, apesar de muita gente, principalmente seus parceiros musicais, dizerem que ele tinha um grande coração. Lembremos da vez em ele deu uns socos no Marcelo Camelo, no aeroporto. Apesar de o Camelo ser chato pra cacete e também ter falado umas bobagens sobre o Chorão, isso não justifica, claro. Assim como o Chorão, Los Hermanos, Camelos e tals são ídolos de muita gente. Mas tem muita gente que, por gostar dos Barbas e apreciar o som deles, condenam o CBJR, ou desprezam a banda. Uma coisa é você não gostar, outra é você condenar. (Só digo isso porque são dois caras da mesma geração, que tiveram suas diferenças e tem músicas distintas. Se, por exemplo, entre as duas bandas tivesse que indicar uma para meu filho ouvir, indicaria Charlie Brown. Mas nem por isso vou dizer que Los Hermanos é ruim. Não é. Só é diferente).

Chorão também já teve outros entreveros. O mais recente foi o esporro que ele deu em Champignon, em um show em Apucarana, no Paraná. Falou, por vários minutos, dispensáveis impropérios, acusando o baixista de só estar ali por dinheiro. No dia seguinte, os dois gravaram um vídeo e divulgaram na internet que estava tudo bem entre eles e que tudo já estava resolvido.  A verdade é que a coisa já estava feia. Chorão não estava legal. Tinha terminado seu casamento de quinze anos, sofria de depressão. Reclamava de solidão.

A notícia ainda é recente. Mas pelo que se viu, com a toda a repercursão, era que ele não estava bem. Não havia encontrado a paz que sempre procurou. Não conseguiu 'se traduzir' como traduzia seus sentimentos e suas angustias em forma de canção. Não foi o terapeuta de si mesmo. Lembro daquela música: ‘Molduras boas não salvam quadros ruins, eu procurei a vida inteira sem saber bem pelo o quê’; Lembro, também, daquela em que ele cantava para seu falecido pai: ‘Nos seus braços você se foi, nos seus braços eu quero acordar’. Espero, de coração, que ele tenha acordado aonde desejara, e que tenha visto de perto aquilo o que sempre ecoava: o ‘azul da parede da casa de Deus’.

 

terça-feira, 5 de março de 2013

Sobe o som

(Tirem as crianças da sala) Como é de praxe começar os trabalhos com boa música, nada mais apropriado do que o melhor clipe da banda mais legal dos últimos anos. Uma mistura de sexo e psicodelia, como quase tudo o que envolve o Tame Impala. Demais.