(Colombo aguarda...) Enquanto o nosso admirável campeonato paulista não esquenta, faremos aqui pequenas observações (dispensáveis, diga-se) sobre a Taça Libertadores da América, que teve seus grupos definidos essa semana. Mais precisamente sobre os seis times brasileiros que representarão o nosso Brasil-verde-e-amarelo-com-muito-orgulho-com-muito-amor.
O Grupo 1 é encabeçado (palavra estranha, essa) pelo Santos, atual detentor do título. Neymar e companhia terão pela frente os nada temidos Juan Aurich, do Peru e o The Strongest, que de forte mesmo tem só a altitude boliviana. A casca-grossa para os santistas é o Internacional, que conta com um elenco muito forte e tem experiência na competição. O duelo entre os dois últimos campeões do continente é o mais aguardado da fase de grupos da Libertadores. A dúvida é saber quem se classifica em primeiro.
O Grupo 2 tem o Olímpia, do Paraguai, campeão em 2001, como força maior. É o grupo do Flamengo. Em tese, os dois devem se classificar, mas terão adversários duros pela frente. Viajam ao Equador para enfrentar o Emelec e vão até terras portenhas para jogar contra o Lanús, um adversário sempre chato. Os rubronegros, que foram muito éticos na demissão de Vanderlei Luxemburgo e na contratação de Joel Santana como novo treinador, mantém suas esperanças de classificação no bom desempenho de R10 e nos gols de Vágner Love. Se a dupla estiver inspirada, há chances. Caso contrário, um fracasso ainda na primeira fase pode acontecer.
O Grupo 3 é o mais sem graça do torneio. Bolívar, Junior, da Colômbia, Universidad Católica e Unión Espanhola, do Chile. Destaque apenas para os católicos chilenos, que ultimamante tem disputado com frequência a competição, e que comemoram, nesse ano, 19 anos de sua melhor participação, o vice-campeonato (foram derrotados pelo São Paulo, em 1993). Apostos nos chilenos e nos colombianos de Barranquilla.
O Grupo 4 tem um confronto interessante: Boca Juniors e Fluminense fazem um remake das semifinais de 2008, quando os brasileiros levaram a melhor. A equipe de Abel Braga tem um dos melhores elencos do continente, um treinador com experiência na competição e uma torcida engasgada com o vice-campeonato de quatro anos atrás. Brasileiros e argentinos devem se classificar para o mata-mata sem sustos. Para isso, terão de passar por Arsenal de Sarandí, também da Argentina, e por Zamora, da Venezuela.
O Grupo 5 é, sem dúvidas, o mais enjoado (para não cair no clichê de grupo da morte). O Vasco da Gama, campeão em 1998 e há onze anos sem disputar o torneio mais importante das Américas, terá algumas pedras no sapato. À começar pela estreia, quando enfrentam Libertad, do Paraguai. Adversário difícil, mas não tão complicado quanto o Nacional, do Uruguai, time tradicional e que conta com uma torcida fanática. Os brasileiros fecham a primeira fase viajando a Lima, no Peru, para enfrentar o Alianza. Se o Vasco apresentar o mesmo futebol da temporada passada, deve passar de fase junto com os uruguaios.
O Grupo 6 é o grupo do Corinthians. Atual campeão brasileiro, o Timão tem o seu melhor elenco dos últimos anos quando esteve na Libertadores, o sonho de consumo da nação alvinegra. Tite tem a missão de apagar o vexame da última temporada, quando os brasileiros foram eliminados pela fraca equipe do Tolima, ainda na pré-Libertadores. Para isso, só mesmo uma campanha convincente no torneio. O que, em outras palavras, significa conquistar a Taça. Para isso, o Corinthians terá de passar primeiro por um grupo teoricamente fácil. Deportivo Táchira, da Venezuela, Nacional, do Paraguai e Cruz Azul, do México, não devem atrapalhar os planos de Tite. A grande dúvida é se a torcida será paciente caso a equipe não apresente logo bons resultados. Teorias à parte, o Timão deve se classificar em primeiro. Apostaria nos paraguaios em segundo.
O Grupo 7 tem o Vélez Sarsfield como cabeça-de-chave e favorito ao primeiro lugar do grupo. Mas os argentinos terão alguns jogos complicados, como, por exemplo, o Deportivo Quito, na altitude equatoriana, o Defensor, do Uruguai (esse jogo mais pela rivalidade entre argentinos e uruguaios) e a longa viagem até Guadalajara, para enfrentar a boa equipe do Chivas. Aposto em mexicanos e argentinos.
O Grupo 8 tem como destaque os campeões da última Copa Sulamericana, o Universidad de Chile. Favoritos ao primeiro lugar da chave, os chilenos terão de passar por Atlético Nacional, da Colômbia, Godoy Cruz e o atual vice-campeão da Libertadores, o tradicional Peñarol. Chilenos e uruguaios devem fazer dois jogos interessantes e são favoritos para passar ao mata-mata.
Prognósticos à parte, a maior competição das Américas tem tudo para ser uma das melhores dos últimos anos, com times fortes e duelos esperados, dignos de decisões, já na fase de grupos. A bola rola à partir do dia 8 e esse modesto espaço virtual fará seus comentários insignificantes e suas análises sem fundamentos. Não deixe de perder.