segunda-feira, 25 de julho de 2011

A Copa América e o valor de um campeão


(mais que merecido) Dezesseis anos depois, o Uruguai conquista novamente a Copa América. Ontem, a festa teve um sabor especial. Não apenas pelo longo jejum de títulos, mas por vencer o torneio na casa do maior rival.

A vitória incontestável sobre o Paraguai (3 a 0) provou que o Uruguai é o melhor time das Américas pelo segundo ano consecutivo. A campanha histórica na África do Sul, um ano atrás, já havia dado amostras de que o trabalho nas divisões de base, iniciado em 2006 e sob o comando de Oscar Tabárez, estava realizando bons frutos e que o Uruguai estava no caminho certo.

Essa revolução no futebol uruguaio começou há cinco quando os Celestes não conseguiram se classificar para a Copa do Mundo da Alemanha. Disputaram a repescagem para o mundial mas foram eliminados e ficaram de fora do mais importante torneio de seleções. Pouco, muito pouco para um país bicampeão mundial. Difícil para aquele povo que só ouvia falar das conquistas longínquas, de títulos ganhos em meados do século passado. Até então, nem entre os quatro melhores times de futebol da América do Sul os uruguaios figuravam. Era necessário uma revolução para salvar o futebol charrua.

O trabalho, com resultados planejados à médio-longo prazo, mostrou-se eficiente após uma semifinal de Copa do Mundo, em 40 anos, e um título de Copa América, em 16.

Porém, o que me chama mais atenção, e é preciso ressaltar é que essa revolução no futebol uruguiao se fez necessária devido a carência de matéria prima (além dos motivos citados acima). E, agora, fica mais evidente o tamanho da conquista de nossos vizinhos de baixo, que, com um trabalho mais humanista do que esportivo, fazendo inúmeras peneiras com garotos, investindo desde cedo e impedindo que o estudo fosse deixado de lado, buscando o melhor em um canto do universo de apenas 3 milhões de habitantes, colha mais frutos do que um trabalho realizado por gestões esportivas incompetentes, mesmo com um terreno mais fértil de 200 milhões de habitantes.

Uma vitória muito além dos resultados.

terça-feira, 19 de julho de 2011

Classificarros, julho de 2011

(colunex) Atendendo aos inúmeros pedidos dos incontáveis seguidores do Blog do Jones, estou publicando aqui a coluna desse mês do 'Classificarros'. Como nem todos que frequentam esse modestíssimo espaço virtual tem acesso ao jornal e a edição online só vai ao 'ar' daqui alguns dias, resolvi fazer uma média com os amigos blogueiros (na verdade, é só para vocês não entupirem minha caixa de emails).
A edição de julho fala sobre a nobre campanha brasileira na Copa América, além de algumas observações relevantes sobre o Brasileirão e uns comentários precisos sobre a novela. Se é que os editores não cortaram essa parte. De novo.
...
Vexame brasileiro na Copa América
Olá, amigos do Classificarros!
A Copa América mal começou e o fim chegou mais cedo para a seleção Canarinho. Depois de dois empates na primeira fase, contra venezuelanos e paraguaios, o Brasil venceu a fraca seleção equatoriana no terceiro jogo e se classificou para as quartas de finais.
E o adversário foi novamente o Paraguai, que só não derrotou a equipe de Mano Menezes na fase de grupos graças a um gol de Fred nos acréscimos daquele jogo. A história recente do confronto prova que os paraguaios são uma pedra no sapato dos pentacampeões mundiais e, apesar do Brasil ter feito sua melhor apresentação no torneio sul-americano, não conseguiu balançar as redes do bom goleiro Justo Villar.
O Brasil fez um bom primeiro tempo, saindo da forte marcação paraguaia e roubando bolas no campo de ataque. Teve Robinho buscando o jogo, perto dos volantes, emprestando sua experiência, como se fosse um armador de verdade. E foi justamente o camisa 7 que deu uma chance clara de gol a Neymar, mas o garoto desperdiçou. Assim como Pato, que ficou frente-à-frente com Villar por duas vezes no segundo tempo, mas parou no guarda-metas alvirubro. O preço de jogar uma Copa América com um time tão jovem foi a eliminação.
O confronto entre Brasil e Paraguai ficará marcado para sempre como uma das mais desastrosas decisões em cobranças de pênaltis da história da seleção. A dura realidade desta Copa América levou mais um confronto para a marca da cal (uruguaios e argentinos também decidiram uma vaga nas semifinais, nas cobranças alternadas. E deu Uruguai). E a triste curiosidade é que, exatos dezessete anos depois de ser tetracampeã mundial, vencendo a Itália nos pênaltis, a seleção brasileira viveu o outro lado da história. Triste história por ser um time em formação, com uma geração talentosa de garotos que sentiram na pele o preço de serem cobrados como homens.
A CBF comunicou, após a eliminação brasileira do torneio, que Mano Menezes continua no cargo e terá a dura missão de construir um time forte e competitivo para que a história não se repita daqui a três anos, em território nacional. Talento à disposição ele tem de sobra, resta saber se o professor Mano saberá usar.
Mais uma vez, o Brasil sai de uma competição nas quartas de finais junto da Argentina. Na Copa do Mundo de 2006, os hermanos foram eliminados pela Alemanha e o Brasil perdeu para a França. Em 2010, o time verde-amarelo caiu diante da Holanda, enquanto os argentinos foram novamente eliminados pelos alemães.
Você sabia que... o bom goleiro uruguaio Muslera, herói da classificação Celeste, diante dos donos da casa, nasceu em Buenos Aires, no dia em que o Uruguai foi eliminado da Copa de 86 pela Argentina?
Renascendo? A seleção peruana teve grandes times na década de 70, mas não disputa um mundial desde 1982. A classificação peruana para semifinais da Copa América foi umas das grandes surpresas da competição e motivo de muita festa para o povo peruano, que tem seu futebol castigado pela falta de estrutura e de organização de sua federação nacional.
Enquanto isso... no nosso adorável campeonato brasileiro, O Corinthians é o líder absoluto com incríveis 92% de aproveitamento dos pontos disputados. Invicto no certame, com um forte elenco e um jogo a menos que seus mais próximos rivais, o Timão vai se credenciando como grande candidato ao título. Tite vai mostrando que Andrés Sanchez estava certo quando bancou a permanência do treinador após o vexame diante do Tolima.
Técnico Novo.  O Tricolor apresentou seu novo treinador: Adilson Batista, que fracassou com Corinthians,  Santos e Atlético Paranaense, recentemente, e terá a difícil missão de recolocar o São Paulo nos trilhos. No entanto, terá de superar o rótulo de professor Pardal que carrega desde os tempos de Cruzeiro, quando fez um bom trabalho, chegando à decisão da Libertadores com a Raposa, em 2009.
Novela italiana. Após uma proposta tentadora do Flamengo, Kleber Gladiador, o melhor centroavante do país, segundo Felipão, desfalcou o Palmeiras durante algumas rodadas do Brasileirão. O jogador alegava que sentia dores que o impediam de jogar. O Flamengo desistiu da oferta e o camisa 30 palestrino concedeu entrevistas não muito educadas para falar de sua difícil relação com os dirigentes do Verdão.
De volta. Quem deve estar contente com a eliminação brasileira na Copa América é Muricy Ramalho. Não que o técnico santista estivesse torcendo contra a seleção. Mas a precoce queda tupiniquim no torneio continental libera Neymar, Ganso e Elano para o Brasileirão. Se é que os três continuarão no Peixe.
Menção  Honrosa à equipe de futebol feminino japonesa, que superou o favoritismo dos Estados Unidos e foi campeã mundial pela primeira vez. Um título merecido para uma Nação que sofreu uma grande tragédia nessa ano.
Promessa não cumprida. Larissa Riquelme prometeu que iria tirar a roupa caso o Paraguai vencesse o Brasil. Mas como estava muito frio, a moça desistiu para não correr o risco de ficar gripada. É uma Lady!
Dúvida pertinente:  Tévez ainda vale R$ 90 milhões?

sábado, 16 de julho de 2011

Uruguai, semifinalista

(emocionante) Argentina e Uruguai foi o grande jogo da Copa América. Pelo menos, até agora. Os celestes, que jogaram de branco, entraram em campo com a raça de sempre e abriram o placar logo no início do cotejo. Mas não demorou muito e os donos da casa empataram. E viram Diego Pérez, autor do primeiro gol, ser expulso ainda no primeiro tempo. E, assim, os uruguaios jogaram com um homem a menos até os 41minutos do segundo tempo, quando Mascherano recebeu o segundo amarelo e foi mais cedo pro chuveiro.

Depois de 90 minutos de bom futebol, tivemos uma grande prorrogação. Grande para os uruguaios, que se defenderam bem, jogaram no limite e tiveram uma noite inspirada de Muslera, que fez defesas épicas e, certamente, já é um grande ídolo em terras celestes.

Mas para os amados hermanos, o buraco era mais embaixo. Não vencem uma competição oficial desde 1993, quando levaram a Copa América do Equador. O ouro nas Olimpíadas de 2004 e 2008 contam 'apenas' como seleção olímpica e o peso é outro. Ou seja, de fato, não valem mais do que vencer uma Copa América, competição que vem se mostrando muito mais equilibrada do que qualquer prognóstico realizado recentemente. A vitória da seleção peruana sobre a Colômbia (2 a 0 na prorrogação) prova essa magnífica tese.

Enfim, os anfitriões foram derrotados nos penais por uma equipe que mereceu a classificação pelo grande (acho que 'grande' é o adjetivo certo)  futebol que praticou durante os 120 minutos de peleja memorável nessa Copa América que, se não é das melhores, terá um jogo para ser lembrado por muitos e muitos anos.

(...)

Enquanto isso, em terras brasileiras, o São Paulo anuncia Adilson Batista como novo técnico. Para quem cogitava possibildades com Carlos Bianchi, Diego Aguirre, Paulo Autuori e Dunga, o nome de Adílson talvez mostre que a realidade bateu à porta de Juvenal. Talvez.

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Dia Mundial do Rock.

(volta, anos 90) Para celebrarmos a esse dia tão especial, aqui vai uma singela homenagem do Blog do Jones. Duas bandas que influenciaram meu gosto musical, que não é dos mais apurados, nem dos mais modernos, pois dispensa Luan Santana, Michel Teló, Claudia Leite e derivados.

De qualquer forma, desculpe se não coloquei nada mais recente ou, digamos, atual. Eu até tentei, mas...

Legião Urbana, em janeiro de 1992, no primeiro acústico gravado por uma banda nacional.

                Oasis, tocando uma de minhas favoritas, no MTV Music Awards, em 1996.

domingo, 10 de julho de 2011

Perigo Real e Imediato - Parte 2

(concordo em tudo) Bem, amigos do Blog do Jones. Como esse pequeno espaço virtual anda meio esquecido pelos amigos internéticos, resolvi chamar alguém ilustre para fazer uma participação especial aqui e levantar a moral do blog.

A seguir, o convidado de honra fala (com qualidade) sobre a seleção brasileira e seu calvário na Copa América, especificamente sobre o duro cotejo de ontem, contra os paraguaios.

por @mmalinverne

"Quando este blogueiro, amigo de longa data, me convidou para escrever um post, logo pensei do alto do meu otimismo: “que bacana, serei eu o responsável por narrar a primeira vitória do Brasil na Copa América”. Ledo engano. A seleção, mais uma vez, não jogou bem. Pior do que isso, quase protagonizou aquela que seria a primeira derrota brasileira em território alvi-celeste.

Mano Menezes se prontificou a sanar os vícios constatados no primeiro jogo. Sacou Robinho, para a entrada de Jadson. O Brasil passou, então, a jogar num esquema diferente. No primeiro jogo, Neymar e Robinho estavam abertos demais e obstaculizavam a subida dos laterais André Santos e Dani Alves, fato que também contribuiu para antiprudecente partida realizada. Mas isso é passado.
No jogo atual, pouco se alterou e futebol bonito não se viu. Jadson até que se movimentou bem e, aos trancos e barrancos, numa jogada mascada, acabou marcando o primeiro tento brasileiro, depois de receber bom passe de Ganso. Seria a nossa salvação? Seria a nossa Seleção entrando, definitivamente, em ação? Não - permitam-me abusar da parcialidade inerente ao torcedor - definitivamente, NÃO!!! O Brasil não passou a dominar o jogo, como outrora se especulou por parte dos jogadores e comissão técnica. Ao contrário disso, sofreu sufoco da seleção paraguaia, tomou o gol de empate e, aos 22 minutos do segundo tempo, o gol da virada. Diga-se, a propósito, a zaga canarinha esteve irreconhecível – André Santos, em verdade, mais uma vez, se equivocava no posicionamento; Thiago Silva se perdeu outras tantas; e Daniel Alves, no meu ponto de vista, falhou no segundo gol.

Não há dúvida de que esta seja a seleção que todos nós teríamos levado para a Copa do Mundo de 2010 - salvo algumas poucas controvérsias. Para muitos é o time dos sonhos. Mas falta entrosamento. O fato é que NENHUM jogador está rendendo na seleção, o que rende em seu respectivo clube.

Há um ano, aproximadamente, quando o técnico Dunga, compulsoriamente, foi colocado num foguete de volta para a lua, a torcida brasileira concordou em aguardar, com respeito e paciência, pela reformulação da seleção brasileira. Mas a paciência, hodiernamente, está se esvaindo.
A verdade é que a seleção ainda não conseguiu reconquistar os torcedores que outrora se viram fartos do futebol burocrático, chato e gélido. Mas não há utopia em acreditar nessa seleção. Ela pode, sim, ser aquilo que esperamos, mas seria muito mais empolgante se a mudança de comportamento ocorresse já, agora, sem mais delongas.

Ah, só para constar: Neymar foi substituído por Fred, que acabou empatando o jogo no finalzinho do segundo tempo. Por que mencionar tal proeza somente no desfecho desta crônica esportiva? Simples: porque a sensação de derrota ficou tão impregnada e assente, que o resultado final, conquanto tenha mantido o Brasil vivo na competição, acabou ficando em segundo plano. Estamos sempre querendo mais".

Marcelo Malinverne é um amigo pessoal. Blogueiro, escritor e músico nas horas vagas. Nos conhecemos em 1999, na sétima série e, em 2003, formamos a banda de rock 'Os Outros', que encerrou suas atividades no mesmo ano, mas fez sucesso por onde passou.

              Modelo paraguaia desafia a beleza da musa da Copa de 2010, Larissa Riquelme

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Caiu

(agora é de verdade...) Paulo César Carpegiani não é mais o técnico tricolor. Chegou a ser demitido por todos os veículos da imprensa quando o São Paulo foi eliminado da Copa do Brasil diante do modesto Avaí, inclusive por quem escreve essas tortas linhas.

Todos davam como certa a sua saída do clube depois de um péssimo jogo e de uma entrevista de Juvenal Juvêncio, em pleno aeroporto, que se mostrava claramente insatisfeito com o rendimento da equipe. Mas Carpegiani foi mantido no comando e o Tricolor teve uma sequência de cinco vitórias nos cinco primeiros jogos do Brasileirão, algo inédito nos pontos corridos. Porém, uma derrota acachapante para o maior rival deixou o técnico, novamente, na beira do precipício.

O Tricolor perdeu mais dois jogos na sequência, para o Botafogo e para o Flamengo, respectivamente. E como manda a Lei do futebol (brasileiro), não há planejamento que resista a três derrotas consecutivas. A demissão, que já era especulada, foi confirmada.

Mas os problemas do último tri-campeão brasileiro não se resumem apenas ao ex-treinador. A grande contratação do ano, Luis Fabiano, ainda nem estreiou. A zaga, ponto forte da equipe nos últimos anos, foi totalmente reformulada. A equipe não tem um lateral-direito no elenco, algo impensável para qualquer time grande. Sem contar as várias ausências de jogadores convocados para as seleções, como a do garoto Lucas, o melhor atleta Tricolor.

Por essas razões, pode parecer injusto atribuirmos o maus resultados recentes apenas à Carpegiani, que teve alguns méritos no seu trabalho, como a utilização de sete pratas da casa nas primeiras cinco vitórias da equipe no Brasileirão. Porém, se formos olhar o currículo do técnico, veremos os títulos da Libertadores e do Mundial, ambos em 1981, com o inesquecível Flamengo de Zico, 'apenas' 30 anos atrás. De lá pra cá, Paulo César foi campeão baiano com o Vitória, em 2009, assumindo o time nas semifinais. Pouco, muito pouco para um treinador de ponta, que só foi contratado pela equipe do Morumbi, em outubro do ano passado, devido ao seu bom trabalho no Atlético PR e, principalmente, devido a falta de opções no mercado.

O São Paulo, que nos últimos anos pregava um discurso de time diferenciado, mostrou que dança conforme a música, assim como todos os outros times do futebol brasileiro.
              Paulo Autuori, Dorival Júnior e Cuca: possíveis nomes para comandar o SPFC

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Perigo Real e Imediato

(reflexos de quarta-feira) Escrevi aqui, no último texto, que a Argentina tem um bom time. Aliás, um ótimo time devido a presença de Lionel Messi. Ledo engano.

Assisti as duas partidas da Albiceleste nessa Copa América. Contra os bolivianos, esperava um passeio argentino. Não aconteceu. Sem Xavi, Iniesta, Pedro, Daniel Alves e Villa, Messi não é o mesmo jogador do Barcelona. Naturalmente. Mas os hermanos tem bons jogadores. E só o que eles tem.

Sérgio Batista não conseguiu fazer uma boa equipe com as peças que tem a disposição. Prefere o rápido e esforçado Lavezzi ao forte e decisivo Aguero. Tevez é ídolo da torcida, merece a titularidade, mas após mais um empate no segundo jogo, as cobranças são óbvias. É um dever do técnico fazer esse time jogar bola. Batista ainda conta com vários bons jogadores no banco e o jovem Pastore pode ser uma solução para a meia-canxa pouco criativa.

Mas se eu errei ao afirmar que Los Hermanos tinham um bom time, acertei ao dizer que a defesa era o calcanhar de Aquiles. Milito cometeu falha ridícula contra os colombianos, que só não venceram o jogo de ontem por demérito de seus próprios jogadores. Colômbia que, diga-se, tem um time perigoso, com jogadores bons e experientes, e que promete dar trabalho na próxima fase, que deverá contar também com os donos da casa, já que esse regulamento é tão interessante quanto o campeonato mineiro; oito times de doze avançam a segunda etapa da competição.

Enquanto isso, em terras brasileiras, o maior campeonato futebolístico do Planeta continua com sua saga interminável de 38 rodadas (terminando essa, só faltam 30). Flamengo e São Paulo fizeram o jogo da Globo, ontem, no Engenhão. E venceu o menos pior: Flamengo 1 x 0 São Paulo. Jogo ruim, chato. Os rubronegros só conseguiram a vitória porque Luxemburgo fez duas alterações precisas. Negueba e Botinelli entraram e decidiram a partida. Ronaldinho, que começou a rodada como o artilheiro do certame, tentou cavar um pênalti bem artisticamente, como só vemos por aqui. Mas o juiz estava atento e não marcou. Porém, o ilustre comentarista de arbitragem da dona do campeonato, José Roberto Wright, afirmou que era pênalti, com a convicção de uma soma matemática. Jogo ruim, comentarista pior. Três pontos para o Flamengo nenhum para o São Paulo; mérito também do Luxa e crise no Tricolor. Até quando Carpegiani vai ficar?


Ainda ontem, tivemos Corinthians e Vasco, outro clássico 'Rio x São Paulo'. E esse foi bem melhor. Pra falar a verdade, vi só os melhores momentos. Mas foram superiores à todos os 90 minutos de bola rolando no Engenhão. O Timão tem a melhor dupla de volantes do país e foram eles que decidiram a peleja de ontem. A equipe está certinha, Tite conhece bem o grupo e jogadores como Alex e Emérson, mesmo no banco, serão úteis demais para um torneio longo, difícil e cansativo.

Hoje o Palmeiras enfrenta o América MG, em Sete Lagoas, provavelmente sem Kléber, que pode ir para o Flamengo. O Verdão, com o Gladiador em campo, pode fazer frente aos melhores times do Brasil, como o Corinthians, o Cruzeiro e o Inter (o Santos não conta, por enquanto). Mas sem o camisa 30, pensar em Libertadores já seria ousadia.

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Desvendando a Copa América

Bem, amigos do Blog do Jones, estamos de volta e em uma sexta-feira (faz tempo que não escrevo na sexta, eu acho) para fazermos pequenas observações sobre o torneio de seleções mais empolgante abaixo da linha do Equador: a Copa América, que começa hoje, na Argentina.

E para compensar a minha ausência nos últimos dois dias, farei um post especial sobre essa competição de doze equipes divididas em três grupos de cada, na primeira fase, sendo que oito se classificam para a segunda. Como pressuponho que os amigos blogueiros não terão interesse em saber as escalações de Bolívia e Venzuela e nem curiosades sobre os esquemas táticos de Peru e Costa Rica, falaremos apenas sobre os três cabeças-de-chave.

Começamos pelos donos da casa: 'cabeças' do grupo A, os argentinos estreiam hoje contra a Bolívia (que foi vice-campeã em 1997, jogando em casa), depois enfrentam a Colômbia (que teve uma boa seleção nos anos 90 e foi campeã há 10 anos, como anfitriã) e fecham a primeira fase contra a Costa Rica (que disputará a competição com seu poderoso esquadrão sub-22, já que os titulares foram poupados para a Copa Ouro).

O time base albiceleste tem um ataque poderoso, mas a defesa é o ponto fraco. Romero é um bom goleiro, Zanetti, veteraníssimo, faz a lateral-direita e o miolo de zaga, com Burdisso e Gabriel Milito, é o calcanhar de aquiles da equipe de Sérgio Batista. Um exemplo disso é que Pep Guardiola, técnico do melhor time do mundo, não usa Gabi Milito, contratado há alguns anos por um caminhão de dinheiro, nem quando todos os zagueiros estão indisponíveis. Fechando a zaga, Rojo (quem?) faz a lateral-esquerda. A partir do meio-campo, a equipe melhora. Mascherano, Cambiasso e Banega são bons volantes que saem bem para o jogo. Mas falta alguém para fazer a ligação do meio para o ataque, poderosíssimo, diga-se, com Lavezzi, Tévez e Messi. Sim, Messi é o centroavante do time, ou melhor, o 'falso 9', como dizem. E é assim, do jeito que joga no Barcelona que Los Hermanos estão escalados.

Agora, se tirar Messi do time, a Argentina não é o bicho-papão que todos tememos. Ainda assim é um bom time. Carlitos fez uma excelente temporada no Manchester City e preocupa qualquer defesa. O time ainda conta Diego Milito, Higuaín e Di Maria no banco de reservas. Mas o dono do time e o cara que tem a responsabilidade de dar um título a sua seleção, que desde 1993 não ganha nada, é o camisa 10 barcelonista. Messi, naturalmente, é a bola da vez e o ponto de desequilibrio de um time bom sem ele, muito bom com ele.

No grupo B, o Brasil é o 'cabeça'. Mano Menezes tem um grande freguês na estreia: enfrenta a Venezuela, que deixou de ser a cinderela do futebol sul-americano, como crava o presidente da Federação Venezuelana, mas que está longe de preocupar qualquer grande seleção. Depois joga contra os paraguaios, que sempre fazem jogos difíceis contra o Brasil, e fecham a primeira etapa do torneio contra o Equador, que viveu seus anos dourados na última década, participando das Copas do Mundo de 2002 e 2006.

O técnico brasileiro vem testando o time no seu esquema preferido, o 4-2-3-1. Mano aposta em jogadores experientes para mesclar com com os novos talentos. Júlio César ainda é o preferido no gol. Daniel Alves é indiscutível na lateral-direita; Lúcio, Thiago Silva e André santos fecham a boa defesa canarinho; os volantes, Lucas Leiva e Ramires, são jogadores leves e que tem boas saídas, uma grande tendência do futebol europeu. E aí, então, é que será a grande aposta do treinador: Robinho na direita, Neymar na esquerda, Ganso, no meio e Pato, na frente. Esquema ousado e interessante, que, com o camisa 10 jogando mais recuado, pode transformar-se em um 4-3-3. Mas a cereja do bolo desse time é Neymar. O esquema pode variar, mas o fato é que o time é muito mais perigoso com o '11' em campo.

No grupo C, quem 'domina' é o Uruguai. Semifinalistas da última Copa do Mundo, os celestes jogam juntos há quatro anos e tem um conjunto muito forte, com destaque para o tridente ofensivo de respeito: Suárez, Cavani e Forlán, o melhor jogador na África do Sul. A equipe de Oscar Tabárez estreia contra os fracos peruanos, que viveram o auge nos anos 70; depois enfrentam o Chile, que tem jogadores talentosos, como Alexis Sanchez, que está na mira do Barça, e o palmeirense Valdívia; E encerram a primeira fase contra a equipe sub-22 do México, que não contará nem com Javier Chicarito Hernández, a principal estrela, nem com o treinador oficial.

Não é um torneio dos mais empolgantes, mas pode ser bem interessante à partir das semifinais, quando, provavelmente, sobrará as três grandes forças e mais algum intruso. Nos anos 90, era a Colômbia; depois apareceu o Equador e, de uns tempos pra cá, o Chile. Brasil e Argentina fizeram as duas últimas finais, mas o Uruguai, dessa vez, tem um time muito mais forte e entrosado. E, só para constar, foram os celestes que venceram a última Copa América disputada na Argentina.