terça-feira, 17 de março de 2015

O modorrento campeonato paulista e a empolgante Libertadores

Após 45 dias de bola rolando pelo campeonato paulista, ainda não conseguimos nos empolgar com o cada vez mais arrastado torneio estadual. Sinceramente, acho uma pena. O Paulistão teve seus tempos de glória, de charme, suas conquistas eram relevantes, significativas e importantes. Porém, com o passar do tempo e com suas fórmulas cada vez mais esdrúxulas - mesmo que um time, qualquer que for, vença seus 15 primeiros jogos da fase de grupos e perca o primeiro jogo da fase eliminatória está desclassificado -, fica difícil se interessar pelo Paulistinha. São inúmeros jogos que não valem nada, tem pouca importância para a classificação e sequer são parâmetros para se medir a qualidade técnica dos times considerados grandes. Mas para a Federação Paulista de Futebol pouco importa se gostamos ou não. Quanto mais jogos, mais direito de imagens, mais vendas de pay per view, mais dinheiro etc. Quem somos nós, meros expectadores, para querer mudar alguma coisa, não é mesmo, Marco Polo?

Enquanto isso, a bola rola e o Santos faz um bom campeonato. Até o momento em que escrevo essas linhas o Peixe é a equipe que mais pontuou no Paulistinha. O curioso é que o time perdeu seu treinador recentemente - por discordâncias com a diretoria, Enderson Moreira saiu do comando técnico. Ou foi convidado a se retirar, ninguém sabe, afinal. O que sabemos é que Robinho manda e desmanda na Vila Belmiro. Dentro e fora de campo. O camisa 7, que vem resolvendo jogos e sobra no futebol paulista, mostrou que tem grande influência também nos corredores da Vila. A diretoria procurou Dorival Junior e, posteriormente, Vágner Mancini para suprirem a ausência do treinador. Dizem que pediram muito (R$), e, consultado, Robinho disse que seria interessante efetivarem o interino treinador Marcelo Fernandes. Dito e feito. Ou seja, enquanto o atacante continuar decidindo na bola terá voz ativa nos bastidores.

O Palmeiras, sob o comando de Oswaldo de Oliveira e com um time quase que totalmente diferente de 2014, vai começando a se encontrar. Não é fácil montar um time. E Oswaldo vai tentando. Da equipe titular de 2015 apenas o goleiro Fernando Prass e o zagueiro Tobio eram escalados entre os onze na péssima campanha alviverde no ano passado. Valdívia ainda nem estreiou este ano, talvez nem continue no clube. Arouca conquistou seu espaço no meio campo e Zé Roberto é o dono da lateral-esquerda. Os argentinos Allione e Cristaldo, contratados à época de Ricardo Gareca e até então com poucas oportunidades no time, vem ganhando a confiança do novo treinador. Entretanto, quem vem decidindo e, até aqui, sendo o cara do time é Robinho, o meia que veio do Coritiba. Sem alarde nem holofotes, o camisa 27 chegou comendo pelas beiradas e na ausência do ‘mago’ chileno é o principal jogador do Palmeiras. Pro Paulistinha dá, já para o Brasileirão...

Nem para o Brasileirão, que ainda nem começou, nem para o torneio estadual o Corinthians tem suas atenções voltadas no momento. A prioridade dos comandados de Tite é a Taça Libertadores da América. O Timão fez bonito na primeira fase, eliminando, em dois jogos, o Once Caldas, da Colômbia. Já na fase de grupos derrotou o São Paulo na primeira rodada por 2 a 0 sem dar a mínima chance para o arquirrival e, na segunda rodada, derrotou fora de casa o San Lorenzo, na Argentina, nada menos que o atual campeão continental. Dizem que não se deve voltar para onde se foi muito feliz alguma vez. Tite, até aqui, vem desmentindo com classe esse velho ditado. Veremos se o professor confirmará sua boa fase e provará que é mesmo, de longe, o melhor técnico de futebol do país.

Quem já foi o melhor técnico por alguns anos seguidos mas que hoje está longe de ser é Muricy Ramalho. O comandante Tricolor ainda não encontrou sua formação titular nem um esquema tático para se apoiar. E, com isso, velhos problemas voltam a aparecer. Luís Fabiano joga bem contra os pequenos, some contra os grandes. É respaldado pelos duzentos gols que tem com a camisa do São Paulo, mas nos momentos difíceis, como nos dois jogos decisivos contra o San Lorenzo, pela Libertadores, dificilmente jogará devido a problemas musculares; Paulo Henrique Ganso começou a temporada cercado de muita expectativa. Fez um belo Brasileirão em 2014, jogando mais como um meia direita. Muitos encheram Muricy de elogios por achar que alguém descobriu enfim uma posição ideal para o lento mas talentoso camisa 10. Bastaram algumas atuações apagadas neste ano para o dilema voltar. Até hoje ninguém sabe se ele é meia de ligação, meia-direita, meia-esquerda ou meia-furada. Fato é que basta Ganso resolver alguns jogos na Libertadores, preferencialmente contra o Corinthians, para que a torcida diga que ele é tão bom quanto Raí. Para isso o Tricolor terá de contar com os gols de Pato e Kardec, além da correria e eficiência de Michel Bastos. E, sobretudo, com sua defesa insegura.

Para o torcedor são-paulino, carente de títulos, vencer o campeonato paulista, de preferência eliminando um grande rival, já é algo para se comemorar. Para Muricy, uma sobrevida e tanto.