quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Partiu, Floripa

Dia #1

Combinamos de sair de casa no sábado, às 4h20. Mas como choveu a madrugada inteira adiamos a saída em quase duas horas. O que foi bom, porque não consegui dormir direito à noite, por ansiedade e expectativa. Então, descansei um pouco mais.

Pegamos o asfalto às 6h20, com pouca chuva e o dia clareando. Alguns quilômetros à frente, o tempo abriu e o pressentimento bom de nossos dias de descanso merecido ficaram mais evidentes – em viagens longas e previamente programadas sempre acontece alguma coisa que, de certa forma, sai do eixo para encaixar outras coisas boas.

Paramos a primeira vez para tomar café às 8h15, em Itararé, quase na divisa de São Paulo com o Paraná. Após alguns pães de queijo e uns pingados, voltamos à estrada. 
A estrada no Paraná é boa, bem sinalizada, mas com pedágios caros como em São Paulo - por isso, não se estranha tanto. O caminho que fazemos quando vamos ao Sul é sempre o mesmo. Passamos por Sengés, Jaguariaíva, Castro, Ponta Grossa, Campo Largo e contornamos Curitiba. Dessa vez, não nos perdemos quando estávamos próximos à capital paranaense. Seguimos pela BR-116 até pararmos no primeiro posto, logo que entramos na BR-101. Abastecemos e almoçamos no restaurante ‘Cupim 2’. Buffet self service e rodízio à vontade. Escolhemos a primeira opção, porque ninguém merece almoçar um belo rodízio e ter que dirigir mais trezentos quilômetros. Escolha muito bem feita, diga-se. Além do bom atendimento dos funcionários, a costela estava ótima e tinha várias opções boas de acompanhamentos. Fora o preço: 19,90 pra comer e repetir, e criança não paga. No interior de SP, paga-se, em média, 40 moedas douradas por quilo do prato. E criança, quando o restaurante é generoso, paga meia.

Voltamos à pista por volta das 14h20. Três e meia, o cansaço bateu. O tráfego intenso mais minhas poucas horas de sono ameaçavam comprometer meu desempenho ao volante. Como homem precavido que sou, abri minha primeira latinha de Red Bull que levava no isopor. Geladinho, matei em poucos goles. Subestimando os efeitos do alumínio rubrotaurino, abri a segunda e tomei. É incrível, mesmo, os efeitos  regeneradores dos energéticos enlatados. Duas horas depois, entramos na Ilha, felizes e despertos.

Chegamos ao apartamento, previamente alugado, na praia dos Ingleses. Tempo firme e belas paisagens. É a quinta vez que vou a Floripa, e a cada vez que lá chego sinto um gosto diferente.

Sobre o apartamento, é mais ajeitado do que esperava. Limpo, amplo e bem localizado. A única ressalva é que o aquecedor do chuveiro não estava funcionando. Nada que a imobiliária não resolvesse. Porém, só na segunda-feira. Como chegamos no sábado, ficamos dois dia sem água quente. Mas nada demais, pois banho gelado às vezes faz bem.

Dias #2 e #3
Domingão, acordei com os pequenos já à mesa do café. Café da manhã padrão 5 estrelas feito por dona Ana. Só faltou os ovos mexidos com bacon. Arrumamos as coisas e partimos rumo à praia, poucos metros à frente do apartamento. Domingo de sol e praia cheia. Linda como sempre. Gosto de praias que se passa pela vegetação para chegar à areia. Enfim, vários salva-vidas, diversas barracas de serviço e povo educado. E o melhor de tudo: praia limpa e preservada.

Por volta das duas da tarde, levantamos acampamento e fomos almoçar. No cardápio, filé de merluza ao molho de camarão, caipirosca e cerveja. De frente para o mar. Satisfeitos, partimos de volta para o AP. Não sem antes comprar uma sobremesa para o Gabriel, que não deixaria passar em branco a oportunidade ao se deparar com a atrativa sorveteria. No prédio, aproveitei a piscina com as crianças antes de subir. Devido ao calor intenso, a chuva chegou chegando. Ainda não havia água quente, e sofremos um bocado na hora do banho.

De madrugada, Gabriel começou a reclamar de dores na barriga. Logo em seguida, de enjoo. Vomitou algumas vezes. Não sabemos o que lhe fez mal. Se foi o milho verde, o queijo coalho, o peixe, o camarão, talvez o sorvete, ou quem sabe o omelete que ele comeu à noite. Sei que me senti um pouco culpado por não lhe impor alguns limites com a comida logo em seu primeiro dia de praia.

Obviamente, na segunda-feira ficamos entocados. Mas não daria praia de qualquer jeito, porque o tempo estava feio. A boa notícia é que, como prevíamos, consertaram o aquecedor. 

À noite, com o Gab melhor, e com o tempo aberto também, fomos ao Floripa Shopping. Lugar movimentado, passeio divertido. Jantamos, na praça de alimentação lotada, e descemos para tirar algumas fotos no clima de Natal. Depois, levamos os pequenos ao parquinho e fomos embora. Nos perdemos no estacionamento, pois não lembrávamos o setor onde estava o carro. Por sorte, uma simpática funcionária nos orientou e achamos a saída correta. Pegamos a SC-401, depois a SC-403, e voltamos para o AP. Dessa vez, já sem a ajuda do GPS.

Dias #4 e #5

Na terça-feira decidimos explorar as praias do norte da Ilha. Fomos, primeiro, em Jurerê Internacional, praia bonita, muitíssimo bem cuidada, ponto de referência baladeira sul-litorânea da juventude coxinha brasileira. Como não era a princípio nossa vontade ficar por lá fomos mais adiante, mais precisamente à praia da Daniela.
Geograficamente, Daniela tem sua areias voltadas ao continente. Contorna o lado de dentro da parte norte da Ilha. Praia tranquila, de pouco vento e quase nenhuma onda. Perfeita para ir com a família, principalmente quando se tem crianças. Almoçamos em um restaurante, do outro lado da rua, onde já havíamos estado por vezes, antes.

Voltamos ao AP, descansamos e saímos à noite pra dar umas voltas. Fomos ao centrinho dos Ingleses, tomamos sorvete e compramos umas bodegas. De madrugada, Juju teve febre e nos preocupou. Ao amanhecer, fomos à Unidade de Pronto Atendimento de Canasvieiras para levar a pequenina. Atendimento rápido e preciso. Pelo SUS. Febre sintomática, disse o doutor, livrando-nos de maiores preocupações. Mas nos proibiu de irmos à praia por dois dias. 

Obediente  que somos, desistimos de praia e fomos passear na Lagoa da Conceição, ponto turístico obrigatório de Florianópolis. Passamos pela Barra da Lagoa, pelo Mirante e, na volta, fomos à praia da Joaquina e nas dunas, apenas para tirar umas fotos dos mais belos retratos da Ilha. 
Depois, passamos pela maravilhosa praia de Moçambique, a de maior extensão territorial, de uma beleza selvagem e misteriosa (ui!). Voltamos e, à noite, fizemos um churrasco pra celebrar a Ceia natalina. Farta e cheia de amor.

Dias #6, #7 e #8

O dia de Natal amanheceu nublado. Rosana achou melhor não ir à praia para preservar Juju dos ventos e da garoa fina. Ficou com a pequena no AP e ‘liberou’ nosso passeio. Fomos às outras praias do norte da Ilha. Passamos por Cachoeira do Bom Jesus, Ponta das Canas, Lagoinha e atracamos em Praia Brava. Chegamos levando as nuvens dos Ingleses e montamos o guarda-sol assim mesmo. O tempo logo abriu. Gabriel gostou do mar bravo e disse que o nome da praia era bem apropriado. Realmente, não dá pra vacilar nem onde a água bate nas canelas. Fomos desafiados por uma família argentina, meu pai, Gab e eu, para um joguinho de bola. Devido os meus nove meses afastados dos trabalhos futebolísticos mais minha recente alta na fisioterapia, não quis pôr em risco a reputação verde-amarela em terras brasileiras. Fato é que ganharíamos fácil a pelada se eu estivesse mais bem preparado. Enfim, agradeci o convite e disse que ficaria apenas na caipirinha, mesmo. Comemos uma porção de isca e umas fritas, bebemos várias latas e seguimos de volta ao AP. Levemente alcoolizados e felizes por demais. 

Na sexta-feira, nosso último dia de praia, a nossa ideia era ir para o Sul da Ilha, mais precisamente à praia do Campeche. Mas como não sabíamos como estava o trânsito pra lá, já que o movimento havia aumentado muito após o Natal, não dava pra prever quanto tempo levaríamos. E como não dá pra arriscar com criança pequena ficamos mesmo na praia dos Ingleses, onde fomos domingo quando chegamos. Tivemos um dia abençoado, de muito sol, calor e diversão. Juju estava bem melhor e curtiu tanto a areia que até comeu um pouco. Mas não gostou muito do sabor. Brincou até cair no sono. Gabriel ficou quase o tempo todo no mar, que estava ótimo, limpo, temperatura agradável e com poucos buracos. Ao sair da água pela última vez, sempre tenho a sensação de que tenho de voltar o quanto antes.

Depois de ficar o dia inteiro na praia, voltamos ao AP, demos um talento no visual e partimos para a nossa última noite na Ilha da magia. Chovia bem. Paramos em uma cantina, no centro, tomamos uns chopes e comemos uma pizza, finalizando com estilo nossas pequenas mas merecidas férias.
Pegamos a estrada de volta pra casa no sábado ao meio-dia e com a pista livre. Do outro lado da rodovia, o fluxo de veículos pra quem descia rumo ao Sul era intenso. Almoçamos às duas da tarde no posto Sinuelo, que não me lembro ao certo o nome da cidade. Depois, tocamos direto até a Rodovia do Café e só paramos porque o Gabriel tinha que ir ao banheiro. Continuamos a saga rumo ao Norte passando novamente por Ponta Grossa, Castro e Jaguariaíva, onde tem uma das mais belas paisagens do interior do Paraná, parando apenas em Itararé, já em São Paulo, para abastecer e tomar um lanche. Faltavam mais duas horas de viagem e, como o cansaço começava a dar sinal, tive de apelar para os energéticos novamente.

Chegamos em casa às 23h35, exaustos, mas satisfeitos pelos excelentes dias juntos. E já pensando em voltar a Floripa o quanto antes. Se Deus quiser!