O ministro
participou essa semana do programa de entrevistas ‘Bola da Vez’, da ESPN
Brasil, uma espécie de ‘Roda Viva’ do esporte. Aldo Rebelo apresentou projeções
otimistas para o esporte no futuro, destacando, entre algumas respostas, a
positividade do legado que, tanto a Copa do Mundo de 2014 e a Olimpíada de
2016, deixarão para o país.
Abaixo,
destaco as principais perguntas e respostas no programa (Entre parênteses estão
as considerações de quem vos escreve):
No início do
programa, Aldo Rebelo começa falando sobre o Rio de Janeiro, dizendo que não é
responsavel pela relação da cidade com a FIFA. Logo, é questionado se a FIFA
tem uma preocupação com isso.
- Temos trabalhado em harmonia. O
prefeito é livre (sobre Eduardo Paes). A FIFA tem, sim, uma preocupação com o
legado.
Sobre o Governo
ser responsável pela elitização.
- O Brasil sempre foi um país desigual.
A juventude negra começou a surgir para o país através do futebol. Virou
esporte do povo. Acho contraditório dizer que o futebol é um esporte de
elite...
(O ministro
é interrompido por estar desviando do assunto.)
- O Governo construiu teatros... o
povo não tem acesso ao teatro... agora corremos risco de passar pela elitização...
você pode estabelecer o subsídio cruzado, os mais ricos pagam os ingressos mais
caros... estamos trabalhando para que isso (elitização) não ocorra.
Só o Governo
Federal tem obrigação de investir no esporte?
- Já investe bastante no esporte de
alto rendimento. A base é a escola. O governo, com a lei de incentivo ao
esporte, iniciativas privadas...
Qual
projeção de medalhas para o Rio 2016, tem alguma?
-Temos. O país criou o plano ‘Brasil
medalhas’. Fizemos com o COB. É do Governo Federal, financiado e executado.
Cada federação é responsável pelo atleta. Há o bolsa-técnico, por exemplo...
Em 2007, quando
o Brasil ganhou o direito de sediar a Copa do Mundo de 2014, o orçamento era estimado
em 2,8 bilhões. Já passamos dos 8 bi. O senhor aprovaria, se fosse o governador
do DF, um investimento de 1,5bi para a construção do estádio Mané Garricha?
- Nós tiramos tributos da
matéria-prima usada em estádios. O governo faz com base no interesse público,
na geração de empregos, como nós fazemos renúncia fiscal também para a
indústria automobilística, porque há interesse nisso, como o Governo deu
isenção para o ‘X games’, pela exposicão para mais de 250 países...
O Senhor não
acha que nossos estádios são muito caros? Porque a África do Sul gastou tão
menos?
- Evidente que são caros... Porque
não investiu tanto em legado... a Alemanha, em 2006, já tinha toda uma
infraestrutura...
(Aldo Rebelo
foi presidente da CPI da Nike e foi questionado sobre aquela época)
- Eu não me arrependo de nenhum ato
que fiz como presidente daquela CPI. Hoje a minha função é executiva, sou
subordinado às metas do Governo.
O senhor diz
que o país necessita desses eventos para uma visibilidade internacional. Necessita
mesmo?
- A Copa do Mundo pode gerar 3.600.000
empregos. É importante o Brasil criar o turismo esportivo. Temos possibilidade
de melhorar a infraestrura, teremos o dobro da capacidade aeroportuária...
eventos assim sinalizam melhorias para superar nossas deficiências...
Em 1950 (quando
o Brasil sediou a Copa do Mundo pela primeira vez) o discurso era o mesmo...
- O PIB vai melhoar até 4% ao ano até
2019... Copa e Olimpiada são eventos que tem razões para serem muito
requisitados...
O senhor
falou sobre os Jogos Olímpicos e seus bons legados... mas isso é muito
polêmico... o senhor não tem receio de mostrar que alguns estudos estão
equivocados?
- Sobre Londres, (os estudos
pós-olimpíadas) é do êxito da vitória em economia. Não queremos elefantes brancos,
queremos criar no Rio a universidade do esporte.
Você acha
que o Brasil foi reprovado no Pan (sobre o legado)? A experiência do Pan não
foi ruim?
(O ministro
se esquiva como um boxeador ao se deparar com vários elefantes brancos citados
pelos entrevistadores - complexos esportivos que consumiram muita verba pública
e que não servirão para 2016.)
Sobre o Pan
2007: orçamento inicial de 600 milhões e final de 4bi. As mesmas pessoas que
agoram organizam Copa e Olimpíada... não foi um erro de planejamento?
(O ministro
se defende com números de projeções otimistas, com o discurso pronto de que a
economia sentirá os reflexos positivos.)
Ministro,
faça uma breve avaliação de dois anos até aqui de seu trabalho...
- Fiz até aqui o que foi possível.
Criamos um comitê para os trabalhos do Rio 2016... estamos construindo cerca de
150 centros esportivos, tudo isso nas regiões mais pobres das metrópoles...
Não houve
interesse da iniciativa privada em Manaus. O Senhor falou sobre a importância
comercial daquela região. Falamos aqui do interesse sobre o futebol local...
o que pode ser feito?
- Você não pode condenar aquela
região porque os clubes de lá não tem sucesso nacional... as pessoas de lá tem
dois times... é uma tradição...
(O ministro
se irrita quando se insiste que a média de público local é pífia no campeonato
regional e que o estádio que se está construindo lá é um forte candidato a
elefante branco. O ministro, então, volta ao tempo, a 1970, tentando, mais uma
vez, tergiversar para fugir da pergunta que não tem
saída.)
Vamos
investir, amigos!
O ‘Bola da
Vez’ com o ministro do esporte já está no youtube. Assistam e tirem suas
próprias conclusões.
