sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Aldo Rebelo no Bola da Vez

(Atualizo esse deserto virtual com a matéria que publiquei na edição de hoje da 'Folha de Avaré'.)

 
Deputado Federal por 20 anos (PC do B), secretário da coordenação política do governo Lula, além de representante da população do estado de São Paulo na Câmara dos Deputados, Aldo Rebelo é, desde 27 de outubro de 2011, ministro dos Esportes do Governo Federal.

O ministro participou essa semana do programa de entrevistas ‘Bola da Vez’, da ESPN Brasil, uma espécie de ‘Roda Viva’ do esporte. Aldo Rebelo apresentou projeções otimistas para o esporte no futuro, destacando, entre algumas respostas, a positividade do legado que, tanto a Copa do Mundo de 2014 e a Olimpíada de 2016, deixarão para o país.

Abaixo, destaco as principais perguntas e respostas no programa (Entre parênteses estão as considerações de quem vos escreve):

No início do programa, Aldo Rebelo começa falando sobre o Rio de Janeiro, dizendo que não é responsavel pela relação da cidade com a FIFA. Logo, é questionado se a FIFA tem uma preocupação com isso.

- Temos trabalhado em harmonia. O prefeito é livre (sobre Eduardo Paes). A FIFA tem, sim, uma preocupação com o legado.

Sobre o Governo ser responsável pela elitização.

- O Brasil sempre foi um país desigual. A juventude negra começou a surgir para o país através do futebol. Virou esporte do povo. Acho contraditório dizer que o futebol é um esporte de elite...

(O ministro é interrompido por estar desviando do assunto.)

- O Governo construiu teatros... o povo não tem acesso ao teatro... agora corremos risco de passar pela elitização... você pode estabelecer o subsídio cruzado, os mais ricos pagam os ingressos mais caros... estamos trabalhando para que isso (elitização) não ocorra.

Só o Governo Federal tem obrigação de investir no esporte?

- Já investe bastante no esporte de alto rendimento. A base é a escola. O governo, com a lei de incentivo ao esporte, iniciativas privadas...

Qual projeção de medalhas para o Rio 2016, tem alguma?

-Temos. O país criou o plano ‘Brasil medalhas’. Fizemos com o COB. É do Governo Federal, financiado e executado. Cada federação é responsável pelo atleta. Há o bolsa-técnico, por exemplo...

Em 2007, quando o Brasil ganhou o direito de sediar a Copa do Mundo de 2014, o orçamento era estimado em 2,8 bilhões. Já passamos dos 8 bi. O senhor aprovaria, se fosse o governador do DF, um investimento de 1,5bi para a construção do estádio Mané Garricha?

- Nós tiramos tributos da matéria-prima usada em estádios. O governo faz com base no interesse público, na geração de empregos, como nós fazemos renúncia fiscal também para a indústria automobilística, porque há interesse nisso, como o Governo deu isenção para o ‘X games’, pela exposicão para mais de 250 países...

O Senhor não acha que nossos estádios são muito caros? Porque a África do Sul gastou tão menos?

- Evidente que são caros... Porque não investiu tanto em legado... a Alemanha, em 2006, já tinha toda uma infraestrutura...

(Aldo Rebelo foi presidente da CPI da Nike e foi questionado sobre aquela época)

- Eu não me arrependo de nenhum ato que fiz como presidente daquela CPI. Hoje a minha função é executiva, sou subordinado às metas do Governo.

O senhor diz que o país necessita desses eventos para uma visibilidade internacional. Necessita mesmo?

- A Copa do Mundo pode gerar 3.600.000 empregos. É importante o Brasil criar o turismo esportivo. Temos possibilidade de melhorar a infraestrura, teremos o dobro da capacidade aeroportuária... eventos assim sinalizam melhorias para superar nossas deficiências...

Em 1950 (quando o Brasil sediou a Copa do Mundo pela primeira vez) o discurso era o mesmo...

- O PIB vai melhoar até 4% ao ano até 2019... Copa e Olimpiada são eventos que tem razões para serem muito requisitados...

O senhor falou sobre os Jogos Olímpicos e seus bons legados... mas isso é muito polêmico... o senhor não tem receio de mostrar que alguns estudos estão equivocados?

- Sobre Londres, (os estudos pós-olimpíadas) é do êxito da vitória em economia. Não queremos elefantes brancos, queremos criar no Rio a universidade do esporte.

Você acha que o Brasil foi reprovado no Pan (sobre o legado)? A experiência do Pan não foi ruim?

(O ministro se esquiva como um boxeador ao se deparar com vários elefantes brancos citados pelos entrevistadores - complexos esportivos que consumiram muita verba pública e que não servirão para 2016.)

Sobre o Pan 2007: orçamento inicial de 600 milhões e final de 4bi. As mesmas pessoas que agoram organizam Copa e Olimpíada... não foi um erro de planejamento?

(O ministro se defende com números de projeções otimistas, com o discurso pronto de que a economia sentirá os reflexos positivos.)

Ministro, faça uma breve avaliação de dois anos até aqui de seu trabalho...

- Fiz até aqui o que foi possível. Criamos um comitê para os trabalhos do Rio 2016... estamos construindo cerca de 150 centros esportivos, tudo isso nas regiões mais pobres das metrópoles...

Não houve interesse da iniciativa privada em Manaus. O Senhor falou sobre a importância comercial daquela região. Falamos aqui do interesse sobre o futebol local... o  que pode ser feito?

- Você não pode condenar aquela região porque os clubes de lá não tem sucesso nacional... as pessoas de lá tem dois times... é uma tradição...

(O ministro se irrita quando se insiste que a média de público local é pífia no campeonato regional e que o estádio que se está construindo lá é um forte candidato a elefante branco. O ministro, então, volta ao tempo, a 1970, tentando, mais uma vez, tergiversar para fugir da pergunta que não tem saída.)

Vamos investir, amigos!

O ‘Bola da Vez’ com o ministro do esporte já está no youtube. Assistam e tirem suas próprias conclusões.