segunda-feira, 15 de julho de 2013

Para voltar a vencer

Quase oito anos após sua saída do São Paulo, o técnico Paulo Autuori volta ao tricolor paulista cercado por desconfiança e encontra um time nada parecido com aquele, campeão do mundo.

Seu antecessor, o boa-praça Ney Franco, deixou o Morumbi após 365 dias de trabalho contestados, apesar do título da Copa Sul-Americana de 2012. O São Paulo perdeu o rumo após a saída de seu principal jogador no ano passado - o garoto Lucas foi para o Paris Saint-Germain, em janeiro - e Ney não conseguiu encontrar uma maneira para o time jogar sem o ex-camisa 7 tricolor.

Após uma boa campanha na primeira fase do Paulistão, o São Paulo tropeçou na semifinal - quinta eliminação consecutiva nessa mesma fase do torneio, no qual o Tricolor não vence desde 2005. Campanha pífia na Libertadores da América, classificação para as oitavas-de-final dependendo de outros resultados e uma eliminação vexatória diante do Atlético-MG com direito a derrota no Morumbi e goleada no Independência. Elenco 'rachado', jogadores talentosos, principalmente Ganso e Luis Fabiano, rendendo muito abaixo do esperado e algumas contratações sem cabimento, como Roni(quem?), Caramelo (como?) e Silvinho (da onde?), são pequenas explicações da perda de rumo da diretoria Tricolor, comandada pelo ultrapassado e folclórico presidente Juvenal Juvêncio.

Como no futebol tudo acontece depressa demais, não é estranho que um time, há pouco mais de seis meses, vencedor, demonstre um rendimento tão abaixo do esperado e com praticamente os mesmos jogadores. Ney Franco caiu porque os jogadores já não acreditavam no seu trabalho e, também, porque Ney é um cara sincero, que bate de frente com os jogadores, às vezes sincero até demais. Não havia mais clima no vestiário Tricolor. A série de resultados ruins e as quatro derrotas seguidas no Morumbi, algo inédito na história do clube em seu estádio, foram a gota d'àgua.

Mas a torcida que esperava por Muricy Ramalho, o último técnico campeão brasileiro e de retrospecto altamente vencedor no São Paulo, terá de se contentar com Paulo Autuori, treinador de fala mansa, articulado, bom papo e tudo mais, que chega credenciado por ser um facilitador de bom ambiente e para aproveitar mais a categoria de base são-paulina, a menina dos olhos de Juvenal Juvêncio. O curioso é que nesse hiato de oito anos, Autuori não teve nenhum trabalho que o gabaritasse para chegar com tal moral. O que pesou mesmo foi seu histórico de campeão mundial pelo São Paulo, em 2005.

O novo técnico sabe que a cobrança será grande e que esse papo de resultados a médio-e-longo-prazo não existem no Brasil. Em time grande ou se ganha ou se pega o boné. E boné, no São Paulo, convenhamos, fica bem na cabeça de Muricy.

                                            Autuori avista seu futuro no Tricolor?