segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Resuminho sobre Londres

(tudo zen meu bem) Após um breve período sem abrir essa caixa de linhas mal traçadas, esse espaço virtual desorganizado volta para pequenas palavras desinteressantes escritas por quem viu, de longe, os Jogos Olímpicos de Londres. Como eu acho que ficou bom, vou mandar para o jornal.

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A Olimpíada de Londres entra definitivamente na história do esporte por marcar a hegemonia de um mito das piscinas: Michael Phelps, com 18 medalhas de ouro, incluindo suas quatro participações olímpicas, tornando-se o maior medalhista da história dos Jogos. E ainda tivemos outro show de Usain Bolt nas pistas de atletismo. O jamaicano conquistou o bi olímpico nos 100 e 200 metros rasos e no revezamento 4x100 com a equipe jamaicana. Phelps e Bolt, duas lendas olímpicas.
Mas por aqui há outra lenda, e atende pelo nome de José Roberto Guimarães, três vezes medalha de ouro como treinador. A primeira, em 1992, comandando a equipe de vôlei masculina. A segunda, em Pequim, há quatro anos, já no comando feminino, e a terceira, em Londres. Terceira e última medalha de ouro no Brasil nessa olimpíada. Medalha merecida que contempla uma geração vitoriosa e muito talentosa. A vitória sobre a seleção russa, algoz brasileira no último mundial, foi épica. Eram as quartas de final, apenas, e as meninas se superaram, venceram uma partida praticamente perdida. Foram às semifinais e atropelaram as japonesas. Na decisão, uma pedreira: as norte-americanas, favoritas, campanha impecável nas Olimpíadas. Só que do lado de cá da rede tinha Sheilla, Jaque, Fabiana e José Roberto Guimarães no banco. O único tricampeão olímpico brasileiro, ‘o cara’. Mais uma vez, o degrau mais alto do pódio no vôlei feminino.
Em Londres, também conhecemos outros nomes do esporte brasileiro. A primeira mulher a vencer no Judô foi Sarah Menezes, uma piauiense de 22 anos, que nos deu o primeiro ouro nos Jogos. O segundo veio com Arthur Zanetti, na ginástica artística. Dois jovens que chegaram sem badalação e que viraram heróis do esporte nacional.
Aliás, heróis não faltaram. Alguns não conquistaram o ouro mas chegaram muito perto, como o boxeador Esquiva Falcão, medalha de prata na categoria até 75kg e seu irmão, Yamaguchi Falcão, bronze na categoria até 81 kg, além de Adriana Araújo, bronze na categoria 65kg. Conhecemos também Yane Marques, que conquistou o primeiro pódio da história do Brasil no Pentatlo moderno ao ganhar o bronze no último suspiro de competições na Olimpíada. Yane, atleta pernambucana nascida no remoto sertão e com essas histórias de vida que beiram o inacreditável, fechou a lista das 17 medalhas do país.
Dentre aqueles que chegaram perto mas não levaram o ouro, o destaque maior é a seleção masculina de vôlei. Mais uma vez foi a final, e assim como em Pequim, o fim tão desejado não aconteceu. O time de Bernardinho foi prata novamente. A cor da medalha que encerra essa geração merecia ser dourada. Não há como não reconhecer os méritos dessa grande equipe. Como também não podemos deixar de reconhecer a evolução da seleção masculina de basquete, que não conseguiu medalha, mas deixou Londres de cabeça erguida.
Porém, alguns vexames aconteceram. Se vexame soa injusto, a palavra decepção cai como uma luva para alguns atletas e outras modalidades, como por exemplo, o futebol brasileiro, que decepcionou mais uma vez em uma Olimpíada.
Após torna-se candidato natural ao ouro, depois das precoces eliminações de seleções favoritas, como Espanha e Uruguai, ainda na fase de grupos, o Brasil chegou sem grandes sustos até a final contra o México, e era grande a esperança para a medalha de ouro inédita. Mas os comandados de Mano Menezes sucumbiram diante dos mexicanos e acabaram com a amarga medalha de prata. Já o futebol feminino, prata nas duas últimas edições olímpicas, desta vez nem medalha disputou. As meninas foram eliminadas nas quartas de final. Muito pouco para uma seleção que conta com Marta e outras grandes jogadoras, como Formiga e Cristiane. O Brasil terá trabalho pra reformular a seleção em buscas de um resultado melhor em 2016.
A natação, grande esperança de medalhas nos Jogos, não trouxe o ouro esperado. César Cielo conseguiu ‘apenas’ o bronze nos 50 metros livre e ficou sem medalha nos 100m livre. Thiago Pereira finalmente conseguiu sua primeira medalha olímpica; prata nos 400m medley. Pouco para um esporte que teve um grande investimento. E que ajudou menos no quadro de medalhas do que o Boxe, esporte que teve uma ‘ajuda financeira’ muito menor.
Quem também decepcionou em Londres foi o atletismo brasileiro. Fabiana Murer, uma das grandes favoritas ao ouro, no salto com vara, campeã mundial indoor e outdoor, não passou nem da fase eliminatória no Estádio Olímpico e culpou o vento instável, que a fez desistir de saltar por duas vezes. Murer disse que ficou com medo de se machucar e que a segurança dela falava mais alto. Quatro anos atrás, em Pequim, o sumiço de uma de suas varas tirou a chance de Fabiana brigar pelo ouro. Desta vez, como ela mesma admitiu, a culpa não foi de ninguém, somente dela.
Maurren Maggi também decepcionou quem esperava da atleta ao menos uma medalha olímpica. Ouro em Pequim, Maurren, assim como Fabiana, nem conseguiu se classificar para as finais, saltando muito pouco para uma campeã olímpica. É certo que seus resultados nos últimos anos não foram dos melhores, mas a atleta dizia ser possível subir ao pódio. Ficou só no discurso.
Houve ainda outros resultados abaixo do esperado para o Brasil, como a apresentação ruim de Diego Hipólito, que sempre chega como esperança de medalha, na ginástica, e de Leandro Guilheiro, judoca que conquistou por duas vezes o bronze nas duas últimas edições olímpicas, mas que fracassou esse ano. Entre outros resultados pífios, não há como relacionar o fraquíssimo desempenho da seleção feminina de basquete, com quatro derrotas nos quatro primeiros jogos.
Em Londres, a lista das decepções, infelizmente, foi maior que a lista de sucessos para o Brasil, mas o que realmente importa após o fim de mais uma Olimpíada é o legado do esporte no país, que daqui a quatro anos sediará o maior evento esportivo do mundo. Que o desempenho brasileiro nos Jogos de Rio, em 2016, seja melhor. Mas que melhor ainda seja o desenvolvimento do esporte em nosso país.