segunda-feira, 27 de dezembro de 2010
A polêmica da CBF e o Título de 1987
(ressaca natalina...) Após um curto período ausente devido aos compromissos familiares, festas de fim de ano, almoço na casa da sogra, churrasco na casa do pai, voltamos às nossas atividades normais na última semana desse digníssimo ano que se vai.
Pensei em fazer aqui uma retrospectiva 2010, mas confesso que acho isso meio brega, meio falta de assunto, afinal, já falamos aqui sobre os fatos relevantes desse ano, então, deixa pra Globo fazer um programa assim.
O que ainda não comentamos foi a polêmica decisão da CBF de unificar os títulos nacionais de 1959 a 1970 com os títulos de campeões brasileiros a partir de 1971.
Pois bem. Não entraremos aqui no mérito da questão. Todo esse evento promovido pelos manda-chuvas da bola tupiniquim nada mais é do que uma cortina de fumaça para um momento especial para essa entidade que, na verdade, só está preocupada mesmo com a Copa do Mundo de 2014, com suas obras faraônicas, seus novos estádios, suas reformas caríssimas e desnecessárias, suas movimentações políticas e suas exigências estapafúrdias.
Não estou desmerecendo os campeões nacionais de 1959 a 1970. Embora tenham seus títulos reconhecidos como legítimos campeões brasileiros (como o do Santos de Pelé, campeão da Taça Brasil de 1961 a 1965), há de se reconhecer também que o modelo de disputa daquela época era totalmente diferente do atual. A Taça Brasil, disputada de 1959 a 1967 era mais parecida com a Copa do Brasil atual, mesmo que na ocasião os vencedores fossem vistos como campeões brasileiros. E eram. Afinal, venceram o principal torneio na época.
Já em 1967, o então torneio Roberto Gomes Pedrosa, que reunia os times do eixo Rio-São Paulo, aderiu times de outros estados como Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Paraná na primeira edição, após a conquista da Taça Brasil de 1966 pelo Cruzeiro, numa evidência de que outros times de outros estados passaram a ganhar força no cenário nacional. Em 1968, Pernambuco e Bahia também participaram. E o torneio ganhou status e ficou famoso como "Robertão".
O estranho mesmo é que nos anos de 1967 e 1968 a Taça Brasil e o Robertão foram disputados paralelamente, o que ocasionou um mesmo campeão dos dois torneios, como o Palmeiras, em 1967.
Em 1968, houve a última edição da Taça Brasil (vencida pelo Botafogo) que já vinha perdendo sua força para o Robertão, que passou a ser organizado pela CBD. Equipes como Santos e Palmeiras, as duas grandes potências do futebol paulista na década, nem participaram da derradeira competição, optando apenas pelo Robertão.
O fato é que, após algumas mudanças de nomes, em 1971, o então presidente da CBD, senhor João Havelange, declarou a "criação" do campeonato nacional. (Aqui, um detalhe fundamental para aqueles que compactuarão com meu posicionamento: oficialmente, o nome 'Campeonato Brasileiro' só foi utilizado a partir de 1989 - o que, evidentemente, não tira a qualificação de campeões brasileiros dos times vencedores dos campeonatos anteriores.)
Antes de tentar expressar minha humilde opinião sobre esse complicado assunto, li todo o dossiê elaborado pelo jornalista e historiador Odir Cunha (remunerado pelos clubes então interessados na unificação) e, ainda assim, sou contra. O que eu vejo é uma disputa clubística para ver quem tem mais títulos. As pessoas (os torcedores) nem sabem o que estão comemorando. O reconhecimento sempre houve para com os campeões. Não precisamos, agora, mudar a nomenclatura para valorizar as antigas conquistas. Como diria o PVC (Paulo Vinícius Coelho, jornalista), não precisamos chamar Dom Pedro I de presidente da República para se entender que o Imperador era o homem mais importante do Brasil naquela época. Fazer com que mais gente conheça a verdadeira história do Robertão e da Taça Brasil é o grande ponto positivo dessa unificação dos títulos brasileiros. Talvez o ponto que realmente importa.
A grande injustiça disso tudo é o não reconhecimento da CBF ao título do Flamengo de 1987.
Em um rápido resumo: naquele ano a CBF anunciou que não tinha condições financeiras de organizar um campeonato. Os principais clubes do país (os quatro grande de SP e do Rio, mais Cruzeiro, Atlético MG, Grêmio, Inter e o Bahia) se reuniram, fundaram o Clube dos 13 e organizaram a Copa União para disputarem o torneio nacional daquele ano, vencido pelo Rubro-negro. Houve ainda a participação de mais três clubes de estados diferentes, como o Coritiba, o Santa Cruz e o Goiás, como única exigência da CBF para oficializar a competição como campeonato brasileiro - mais pela quantidade de times necessários para um formato mais viável de tabelas, do que por uma importância a outras equipes de regiões mais abastadas do país (falo aqui sobre o âmbito esportivo).
O sucesso comercial da competição organizada pelo Clube dos 13 também saltou aos olhos da CBF. Desse modo, a entidade decidiu organizar uma competição com 16 clubes que estavam de fora da Copa União. Usou como critério a classificação do Brasileirão de 1986, apesar de deixar de lado a Ponte Preta em favor do Sport, e conseguiu o apoio do SBT. Depois, a CBF mudou seu discurso e deixou de considerar a Copa União como o Brasileirão. Naquele momento, o torneio dos grandes seria o Módulo Verde e o outro, Amarelo. Os dois melhores de cada módulo se enfrentariam para definir o campeão nacional. O Clube dos 13 decidiu boicotar o cruzamento, não assinando o regulamento proposto pela confederação, entendendo que o Módulo Verde seria a primeira divisão e o Amarelo, a segunda. Entretanto, já estava aberta a brecha para a confusão.
Os dois torneios caminharam e não se falava em cruzamento. Para a mídia, o título brasileiro se decidia na Copa União. O Flamengo conquistou o torneio ao surpreender o invicto Atlético-MG de Telê Santana na semifinal e ao bater o Internacional na decisão. O Módulo Amarelo teve percalços. Nem a possibilidade de cruzamento contentou América-RJ e Portuguesa, que decidiram boicotar o torneio. A Lusa voltou atrás posteriormente, mas os rubros, de fato, não jogaram uma partida sequer. No final, Guarani e Sport dividiram o título após empate em 11 a 11 na disputa de pênaltis. Contudo, no início 1988 os dois times fizeram uma nova final nas datas marcadas pela CBF, que pretendia o cruzamento com os finalistas do módulo Verde, o que não aconteceu, e o Sport sagrou-se campeão, após empatar em com o Guarani em Campinas e vencer em Pernambuco.
Mas o grande vencedor do futebol brasileiro em 1987, ao menos para a grande mídia futebolística, foi o Flamengo. E isso, nenhuma homologação de qualquer entidade que seja poderá apagar um título vencido por um grande time, formado por Zé Carlos, Jorginho, Leandro, Edinho e Leonardo; Andrade, Aílton e Zico; Renato Gaúcho, Bebeto e Zinho.
terça-feira, 21 de dezembro de 2010
O caminho brasileiro na Libertadores
(jingle bells...) E a Libertadores de 2011 já sabe quais serão os times à disputar o mais cobiçado toféu da América Latina. Da América Latina mesmo, porque ainda que seja uma competição realizada pela Conmebol, esta tão respeitosa entidade futebolística sul-americana, temos participações de times mexicanos. Aliás, este é um fator interessante.
O Chivas Guadalajara, equipe mexicana, foi o finalista da edição de 2010, vencida pelo Inter. Os colorados, mesmo que perdessem a decisão, iriam ao Mundial de Clubes, pois segundo os critérios da FIFA, equipes da América Central se classificam para o torneio interclubes somente através da Concacaf, o principal torneio daquela região.
Pois bem, devidos alguns fatores relevantes, a Conmebol convidou os mexicanos a participarem do nosso grandioso evento continental devido a grande demanda futebolística daquela região por competições de alto nível e, consequentemente, uma maior arrecadação, uma ampla divulgação televisiva e maiores espaços publicitários, já que se trata de uma economia em evolução. Além de todas as questões políticas envolvidas. Mas hoje, não tocaremos nesse ponto, afinal, estamos aqui para falar sobre o caminho brasileiro na Champions League sob a linha do Equador.
Dos seis times nacionais que participam dessa edição do torneio, dois encabeçam seus grupos e, teoricamente, tem uma vida tranquila nessa fase. É o caso de Santos e Internacional. Os paulistas, campeões da Copa do Brasil, encontram o Colo-Colo, do Chile, o Deportivo Tachira, da Venezuela e o vencedor do jogo entre Cerro Poteño, do Paraguai e Deportivo Petare, da Venezuela. Já os colorados, atuais campeões, jogam contra Emelec, do Equador, Jorge Wilstermann, da Bolívia e aguardam o vencedor do jogo entre Jaguares, do México e Alianza Lima, do Peru. Da para serem os primeiros, tranquilamente.
Quem acabou 'pegando' um grupo complicado foram os atuais campeões brasileiros. O tricolor das laranjeiras encara o Argentinos Juniors, o Nacional, do Uruguai e o América, do México. Complicado porque nunca é fácil jogar contra times argentinos, assim como jogar no estádio Centenário, em Montevidéu. Além de uma viagem desgastante até o México. Mas como o fluminense tem um bom elenco, acho que passa pela primeira fase. É só não bobear em casa.
Quem também pegou uma pedreira pelo caminho foram os vice-campeões nacionais, que tem a chance de reeditarem a final de 2009 com o Estudiantes, da Argentina, ainda na primeira fase. Os celestes ainda enfrentam o Guaraní, do Paraguai e esperam o vencedor de Corinthians e Deportes Tolima, da Colômbia, para saber o último adversário do grupo. Os paulistas devem passar pela primeira fase e assim, teremos duelos sensacionais entre alvi-negros, celestes e argentinos. É um grupo que promete fortes emoções.
Agora, quem teve sorte mesmo foi o Grêmio. Além de terem ficado na expectativa e vibrarem pela derrota do Goiás e a consequente classificação tricolor (sem falar nas comemorações pelo vexame do Inter no Mundial), encaram o modesto Liverpool, do Uruguai, que não tem tanta expressão quanto os ingleses. E, se passarem pelos vizinhos geográficos, pegarão um grupo teoricamente muito fácil, com times como o León de Huánuco, do Peru, Oriente Petrolero, da Bolívia e o modesto Junior Barraquila, da Colômbia. Papai Noel tricolor, esse ano.
sexta-feira, 17 de dezembro de 2010
O sorteio da Champions
(já no clima natalino...) E a UEFA realizou hoje o sorteio para a definição dos jogos das oitavas de final da Champions League 2010/2011.
Dos dezesseis times que ainda estão vivos na disputa inter-clubística mais acirrada do planeta, alguns agradeceram aos deuses do futebol pelos cruzamentos realizados.
Foi o caso dos ingleses Chelsea, que enfrentam o então modesto time do Copenhagen, e Manchester United, que encaram os não muito temidos franceses do Olimpique de Marselha.
Os londrinos azuis, primeiros em seu grupo, tiraram a sorte grande ao enfrentarem os dinamarqueses que fizeram um grande trabalho ao passar da fase de grupos. Das equipes escandinavas, apenas o Rosemborg tinha conseguido tal façanha. Já os Red Devils encaram novamente o Marselha, como ocorreu na Champions de 1999/2000. Na época, houve uma vitória para cada lado. Hoje, os ingleses são plenamente favoritos.
Enquanto isso, os outros dois ingleses que 'sobraram', Arsenal e Tottenham terão duas pedreiras pela frente. O caso mais complicado é o dos Gunners que reeditam a final de 2006 com Barça, que, atualmente, é temido por qualquer equipe da galáxia. As duas equipes também se enfrentaram na temporada passada, com um empate por 2 a 2 na Inglaterra e um passeio barcelonista na Espanha; 4 a 1.
O Tottenham, depois de muito tempo longe da principal competição europeia, fez bonito na primeira fase sendo o líder de um grupo que teve os atuais campeões, a Inter de Milão, e venceu os nerazurri com um show de Bale. Mas agoram enfrentam o Milan, que é nada menos que o Boca Juniors da Europa. Com um meio campo reforçado e com Ibrahimovic jogando o fino da bola, fazendo uma dupla ascendente com Robinho, os italianos se impõem e tem um certo traço de favoritismo nesse jogo, embora esperamos duelos equilibrados.
Onde não encontramos favoritos é no duelo entre os últimos finalistas, Bayern de Munique e Inter de Milão, que não fazem grandes temporadas. Na fase de grupos, os alemães tiveram um caminho menos complicado que os italianos e ficaram em primeiro. Agora, contam com o retorno de Robben, que, lesionado, ainda não atuou. Talvez seja o confronto mais difícil para se apontar um vencedor.
Assim como duelos possivelmente equilibrados entre Valencia e Shalke 04, que repetem os embates de 2007/08 em que os espanhois levaram a melhor. Dessa vez, o Shalke tem Raul, que volta a Espanha depois de sua saída do Real Madrid. E temos também, Shaktar Donestsk e Roma, que já se enfrentaram pela temporada 2006/07, com vantagem para os italianos. Hoje, os ucranianos chegam com um time interessante, com os quatro jogadores de frente (num esquema 4-2-3-1) brasileiros, com Douglas Costa (ex-Grêmio), Jadson (ex-Atlético PR), Willian (ex-Corinthians) e Luiz Adriano (ex-Inter), enquanto os italianos tentam repetir a história e, consequentemente, a classificação.
Mas quem teve maus presságios mesmo, foi o Real Madrid, que reencontram seus algozes da última temporada, nessa mesma fase. Em 2009/10, o Lyon eliminou o Real após vencer em casa e empatar em Madrid, assim como em 2005/06 e 2006/07, quando os franceses levaram vantagens sobre os espanhois, na fase grupos, nesse que é o confronto de maior retrospecto atual da Liga. Porém, dessa vez, a história é outra. É José Mourinho quem está no comando madridista. Aposto todas as fichas no Real Madrid. Que, provavelmente, terá a retorno de Kaká, que não joga desde a Copa.
quarta-feira, 15 de dezembro de 2010
O fracasso colorado
(com algum atraso...) Ninguém imaginava uma derrota do Inter logo no jogo de estreia do mundial de clubes. O representante sul-americano, atual campeão da Libertadores, chegou com pompa e circunstância em Abu Dhabi. De olho no Bi-Mundial, os gaúchos precisavam passar pelo primeiro jogo nas semifinais para se classificarem para a finalíssima. Mas uma surpreendente derrota aconteceu.
O então desconhecido time do Mazembe, da República Democrática do Congo, após eliminar os mexicanos do Pachuca, o então representante da Concacaf (o principal torneio da América Central), venceu os colorados por 2 a 0 mudando para sempre a história dos mundiais.
Primeiro, porque o Mazembe tem uma história bacana. A primeira e única vez em que o Congo participou de uma Copa do Mundo foi em 1974, e a base da defesa da seleção africana era dos 'mazembianos'. Até hoje foi a pior participação de uma seleção em mundiais. Na época, devido à uma ditadura personalista, uma política de 'africanização' foi lançada proibindo nomes cristãos e ocidentais. E o país disputou a sua única Copa com o nome de Zaire.
Segundo, porque até então, nenhuma equipe sul-americana e/ou europeia ficou fora da final desse modelo de disputa criado pela FIFA originalmente em 2000 (naquele mundial realizado no Brasil que teve o Corinthians como o campeão). Mas essa fórmula começou pra valer à partir de 2005 (a FIFA trata o primeiro Mundial como experimental), e desde então, as previsões sempre se confirmaram.
Terceiro, porque eu achei sacanagem demitirem o Jorge Fossati (técnico antecessor a Celso Roth, que levou o Inter até a semifinal da Libertadores) após uma derrota para o Vasco pelo Brasileirão. Mas essa é uma opinião pessoal. Afinal, o Roth foi campeão.
Mas o bacana do futebol é isso, um time campeão do mundo perder para um time totalmente desconhecido no cenário futebolístico mundial (desprezo da minha parte, afinal, são os campeões africanos. Mas quem já ouviu falar?).
Talvez tenha sido essa mesma presunção da equipe do Inter para com o Mazembe. Não tiro o mérito da equipe 'congolesiana', mas o colorados sabiam que eram melhores e favoritos, e é óbvio que já estavam com a cabeça no seu xará europeu, que ao contrário dos brasileiros, venceram os sul-coreanos do Seongnam na semifinal e agora encontram os africanos na finalíssima, sábado.
Não acredito em outra zebra. Mas seria sensacional.
segunda-feira, 13 de dezembro de 2010
O clássico inglês
(dica do dia...) Após o término do nosso querido campeonato nacional, dedicaremos mais espaço aqui ao futebol internacional.
E para começar bem a semana, nada como assistir um velho clássico da terra da rainha.
Hoje, Manchester United e Arsenal se enfrentam as 18:00 horas (de Brasília) em um jogo que vale a liderança do campeonato inglês.
Os Red Devils, time de Sir Alex Ferguson, que está nada menos que 24 anos como técnico do Manchester, não perde para os Gunners desde a temporada 2006/2007. Época em que a geração de Thierry Henry se despedia do time de Londres.
De lá pra cá, o Arsenal reformulou o seu elenco, sempre priorizando a contratação e formação de jogadores jovens, mas sem a experiência e a qualidade de jogadores mais rodados e talentosos como os dos Diabos Vermelhos, que nesse peródo foram tri-campeões ingleses (2006/2007, 2007/2008, 2008/2009), emplacando uma hegemonia britânica, além de conquistarem a Champions League, na temporada 2007/2008.
Mas desde a última vitória dos londrinos, há 4 temporadas, esse é o melhor time que Arsene Wenger tem à disposição .
Por isso, vale a pena assistir.
PS: passa na ESPN Brasil
sábado, 11 de dezembro de 2010
Púlpito do Jones

(por uma boa causa...) Salve, amigos internéticos. Semana que vem, este modesto blogueiro publicará mais algumas abobrinhas no jornal Classificarros.
Como o pessoal que frequenta esse pequeno espaço virtual é antenado em tudo, com suas opiniões e comentários sempre pertinentes, abro aqui um espaço para vocês deixarem dicas sobre o que querem ler na edição de dezembro, que sai dia 15.
Falaremos, claro, do nosso idolatrado campeonato que se foi e nos deixou desamparados nesse mês natalino.
Pensei em escrever sobre o famoso vai-e-vem do mercado futebolístico, mas como tudo ainda é especulação, não vou falar sobre quem pode ou não chegar. Apenas sobre os fatos concretos (quanta redundância!).
Escrevam todos. Blogueiros, tuiteiros, verdureiros, sacoleiros...
Aqui é free.
quinta-feira, 9 de dezembro de 2010
Por uma vaga na Libertadores
(e parabéns ao Independiente...) Escrevi aqui algumas linhas sobre o que pensava quando a Conmebol anunciou aquela magnífica decisão de tirar uma vaga brasileira para a Libertadores de 2011, em pleno decorrer do campeonato.
Na época, essa senhora poderosa pronunciou que, devido ao título do Inter, o Brasil perderia a quarta vaga do Brasileirão, já que os gaúchos entrariam direto na competição no ano seguinte por serem os atuais campeões. O G4, de repente, virou G3.
A repercursão foi grande. E devido a não aprovação geral e aos conchavos da nossa respeitosa CBF com manda-chuvas da bola latina, uma nova decisão foi tomada. Assim, como 'do nada' os modernos dirigentes desse exemplo de organização que controla o futebol Sulamericano decidiram tirar a nossa tão disputada e almejada quarta vaga, decidiram devolvê-la. Mas com uma condição, se o vencedor da Sulamericana fosse brasileiro, a quarta e última vaga iria para o brejo.
Pois bem. O fato é que, após toda essa aula de como comandar e organizar um confedereção, suas regras e competições, o nosso mais valente representante nesse torneio, o finalista Goiás, surpreendeu, passou por adversários difíceis, tradicionais, mas não levou o título.
Venceu em casa e perdeu fora. Lutou até o fim. Perdeu nos pênaltis. Acontece.
Parabéns ao Goiás, seus jogadores e seu técnico pela grande campanha nesse torneio internacional que tem o seu valor.
Mas a justiça foi feita e a última e polêmica vaga ficou com o Grêmio, o quarto colocado no campeonato nacional, que fez uma campanha incrível no segundo turno, conseguindo 43 pontos. Mesmo se não tivessem disputado o primeiro, nem assim estariam rebaixados. Ou seja, é claro o bom trabalho de Renato Gaúcho que pegou a equipe no decorrer do campeonato e conseguiu grandes resultados. Ao contrário do Goiás, rebaixado à série B e com um elenco mais modesto que o dos gaúchos.
Quem agradece é a Libertadores.
terça-feira, 7 de dezembro de 2010
Vida que segue
(pílulas do dia seguinte...) Atendendo as sugestões dos amigos blogueiros, cá estamos para dizer algumas palavras, relevantes ou não, sobre os vestígios do 'day after' de nosso espetacular campeonato que se foi.
Primeiro, queria dizer que acho um saco esse 'Prêmio Craque Brasileirão'. Não sou contra a premiação. Não é isso. Apenas acho esse evento totalmente moldado pela CBF para homenagear alguns políticos (e sempre os mesmos), em uma tentativa frustrada de mostrar organização, capacidade e reconhecimento aos times campeões, que, diga-se, merecem mesmo uma festa de verdade.
Mas são sempre os mesmos discursos, a mesma falação, tudo muito demorado. Até que os caras chamam ninguém menos que Andrés Sanchez, essa memorável figura extra campo do futebol atual, que pronuncia algumas palavras totalmente impertinentes para aquela ocasião ensaiada e amistosa. Mas eu achei interessante. Afinal, é verdade mesmo. O Fluminense não voltou pela porta da frente.
Enfim, não era a hora de um cara que responde por um time do tamanho do Corinthians, falar daquele jeito. Não tem nada a ver com o título justo e merecido como o do Fluminense. Que, após uma cerimônia chata e arrastada, recebeu seu merecido troféu de campeão.
Porém, foi muito boa a premiação da Bola de Prata, da Revista Placar em parceria com a ESPN, que escolhe os melhores jogadores de cada posição através de uma análise in loco de todos os jogos de todos os times por notas atribuídas por caras que acompanham todas as rodadas.
Uma festa só com ex-jogadores, vencedores do troféu e com alguns jornalistas. Enfim, só gente do ramo.
O fato é que as duas seleções (a da CBF e da Bola de Prata) foram muito parecidas. As duas mudanças foram o zagueiros Dedé (Vasco) e Miranda (São Paulo), eleitos pela CBF.
Já a seleção, na Integra, da Bola de Prata, é essa: Fábio (Cruzeiro); Mariano (Fluminense), Alex Silva (São Paulo), Chicão (Corinthians), Roberto Carlos (Corinthians); Jucilei (Corinthians), Elias (Corinthians), Montillo (Cruzeiro), Conca (Fluminense); Neymar (Santos) e Jonas (Grêmio).
A Bola de Ouro, prêmio dado ao melhor do campeonato, incluindo todas as posições, não poderia ficar em melhores mãos do que as de Darío Conca. Que, pelo que jogou esse ano, é barbada em qualquer premiação.
segunda-feira, 6 de dezembro de 2010
Em boas mãos
(e chegamos ao fim...) Venceu o melhor time. Em um jogo sofrido, tenso, dramático, como todas as dignas decisões do mais históricos campeonatos.
Após um primeiro tempo muito nervoso, o tricolor carioca voltou um pouco melhor no segundo. Então, Carlinhos cruzou na área, Washington desviou e o iluminado Émerson fez o que seria o gol do título. O Fluminesnse conseguiu vencer o rebaixado Guarani na derradeira partida do Brasileirão. E foi campeão.
Um campeão justo, treinado por uma grande figura do nosso futebol. Tetracampeão brasileiro nos últimos cinco anos. Muricy mesmo se diz louco por não ter aceitado à seleção. Mas seus princípios o impediram de deixar o Fluminense, romper o contrato, abandonar o barco. Enfim, em uma época em que a grana fala mais alto, foi a vitória da ética.
Além disso, foi a vitória de uma equipe que liderou vinte e três das trinta e oito rodadas. Que tem o melhor jogador do certame, Dario Conca (já falei isso, mas é verdade), e que tem um bom elenco. Achei bacana o Muricy ter colocado o W99 e o Rodriguinho no jogo, mesmo que por necessidade. Jogadores importantes que atuaram muito mais que os badalados titulares. A prova de que Muricy é querido pelo grupo foi banho que levou em plena entrevista coletiva. Demais!
Muricy sabe muito sobre futebol. Assim como Cuca também sabe, e é justo que se diga que essa equipe de hoje passou por suas mãos e teve uma grande arrancada no ano passsado para sobreviver na série A. Muitos jogadores permaneceram, ídolos como Fred e Conca, e um ano após aquela inesquecível batalha, o Flu foi campeão. E Cuca, já no Cruzeiro, fez outro grande trabalho, sendo vice-campeão com a Raposa.
Quem decepcionou na rodada foi o Corinthians, que nem sequer venceu os reservas do Goiás. Acabou ficando em terceiro e vai ter que passar no vestibular da Libertadores pra entrar no grupo de Cruzeiro e, possivelmente, Estudiantes.
Destaque, também, para o Grêmio, campeão virtual do segundo turno, time do artilheiro do campeonato, Jonas, com 23 gols. Os gaúchos que venceram o Botafogo, terminaram em quarto e agora torcem como nunca para que o Independiente seja o campeão da sulamericana e consigam assim, a última e polêmica vaga brasileira na Libertadores.
Competição que após sete anos consecutivos, não terá o São Paulo como participante. O tricolor paulista vai ter se acostumar com viagens a Aracajú e Macapá ao invés de Buenos Aires e Maracaibo.
E por fim, saudadações à René Simões, que fez um grande trabalho no Dragão e após empatar em um confronto direto com o Vitória, na luta contra o rebaixamento, manteve o Atlético Goianiense na série A. Só achei uma pena, porque como o Bahia subiu à 'primeirona', não teremos o clássico Ba-Vi, ano que vem.
Mas no futebol é assim. Na vida é assim.
Alegrias de uns, tristezas de outros.
quinta-feira, 2 de dezembro de 2010
As escolhas da Fifa
(não me surpreende...) E a senhora Fifa, do alto de sua superioridade futebolística realizou hoje, em Zurique, as escolhas das sedes das Copa do Mundo de 2018 e 2022. E para quem ainda tinha algumas dúvidas sobre o critério que esta poderosa entidade utiliza nas suas decisões, essas indagações foram respondidas hoje.
As possibilidades de um amplo retorno financeiro foram o suficiente para uma forte candidata a sede, como a Inglaterra, ser desbancada pela Rússia. Embora não se compare com os ingleses, a terra da balalaika tem uma liga que cresce em bom nível e sua escolha é até aceitável, pois se trata de um país que tem tradições no futebol desde os tempos da URSS. Lembro das fitas de mega-drive em que os vermelhinhos tinham um bom time.
Já a escolha pelo Catar, que foi confirmado como o país sede da Copa de 2022, é a de um Mundial artificial em um país minúsculo. Será o menor país a sediar uma Copa desde o Uruguai, em 1930. Um país com cerca de 2 milhões de habitantes e que nunca participou de um mundial.
Só em cachês o governo do Catar gastou 4 milhões de dinheiros europeus no amistoso disputado em novembro entre os nossos hermanos e os nativos brasileiros. Foi a grande propaganda do país para o mundo.
Zinedine Zidane, Pep Guardiola, Gabriel Batistuta, que nunca jogaram juntos, se uniram em torno da candidatura do Catar por uma 'modesta' gratificação. Afinal, os árabes são os maiores exportadores de gás natural liquefeito do mundo. Money is not problem. E é por isso que os simpáticos delegados da Fifa levaram a Copa para o Oriente Médio, deixando fora candidaturas muito mais interessantes como Austrália e Estados Unidos.
O Catar apresenta uma economia em pleno desenvolvimento. É um país em obras. O orçamento para a construção e reformas de estádios apresentam números absurdos. Será uma Copa disputada em uma época de temperaturas que chegam à 50 graus centígrados. E a proposta é de construir estádios climatizados com tecnologia "verde", sem emissão de carbono.
Vejamos como um país que tem em sua religião um conservadorismo islâmico, lidará com situações que são proibidas por lá, como, por exemplo, torcedores embriagados (cenas comuns em copas), assim como a homossexualidade, que também não é tolerada.
Mas a Fifa maqueia tudo isso, e prega um discurso ridículo de que novas barreiras estão sendo rompidas no mundo do futebol. E tem gente que acha legal.
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